Arte, beleza e mestria encantam público
As galas (artes marciais e danças de salão) e os festivais (gímnico, patinagem artística Hip Hop) que decorrem nas noites de sexta-feira e sábado constituem sempre pontos altos da programação do gimnodesportivo. É ali, porventura, que a interacção entre público e atletas atinge o clímax, numa combinação perfeita, com estes a darem o seu máximo e aquele a não regatear apoio e aplausos.
Aquilo a que um público sempre caloroso e entusiasta assistiu foi, pois, a empolgantes exibições que são o fruto do esforço e trabalho dos atletas – e das famílias que suportam o custo de equipamentos, transportes e estadias, há que dizê-lo -, exibições essas que todavia não seriam possíveis não fosse a acção das colectividades, acolhendo e incrementando essas modalidades, a par do precioso apoio que estas, por sua vez, recebem das autarquias.
E é a conjugação destes factores que está verdadeiramente na base do notável trabalho que abre a milhares de jovens a possibilidade de praticarem uma modalidade.
E por isso as colectividades e autarquias, em particular as geridas pela CDU, são no fundo autênticos motores do desporto de massas, cumprindo o texto constitucional, diversamente do que têm feito sucessivos governos cuja acção em vez de ser dirigida para o apoio às escolas, colectividades e associações (com vista à promoção da prática desportivas), vai, pelo contrário, no sentido da subversão completa do direito à cultura física e ao desporto.
Autarquias na frente
Ora o Festival Gímnico que reuniu mais de 200 ginastas, em representação de nove colectividades (do Seixal, Benavente, S. João da Talha, Sesimbra e Barreiro) é bem o espelho desse trabalho insubstituível das autarquias.
Veja-se o caso da Associação de Moradores do Redondo (Fernão Ferro), com a sua classe de ginástica acrobática, que, em pouco tempo, passou de meia dúzia de atletas para cerca de quarenta.
O exemplo foi-nos dado por Cláudia Reis, técnica responsável pela Gímnica na Comissão Nacional de Desporto da Festa, numa breve conversa onde foi visível o seu entusiasmo pelo crescimento acentuado que esta modalidade tem conhecido.
«Os saraus têm cada vez mais ginastas e público, enchem-se pavilhões, a qualidade tem aumentado de forma notória», exemplifica, sublinhando que tudo isto acontece porque as «autarquias apoiam muito as iniciativas das colectividades».
Patinagem em grande
Exemplos de contínuo crescimento e grande ambição podem ser encontrados também na patinagem artística. É o caso da Sociedade Filarmónica Recreio e União Alhosvedrense, onde esta modalidade tem grande tradição e onde ninguém se imagina sequer a viver sem ela.
O treinador dos actuais 55 atletas que compõem a classe, Bruno Costa, 26 anos, confia abertamente no futuro da modalidade - «apesar de pouco divulgada, temos campeões nacionais», observa – e é com convicção que revela ao Avante! acalentar o sonho de «levar a patinagem a um sítio onde ainda não chegou».
Para este jovem treinador, com um palmarés onde entre outros está o título de campeão nacional, esta presença da sua classe de ginástica na Festa foi muito positiva, só podendo por isso ser «valorizada» e «apreciada».
Artes marciais
Em desenvolvimento estão também as artes marciais, este ano representadas na Gala através de seis associações. E pela primeira vez foi possível assistir a uma apresentação de Hapkido, arte marcial coreana, com fortes semelhanças ao Haikido (seus criadores tiveram ambos como mestre o japonês Sukato Takeda).
Antes da sua apresentação, em declarações ao nosso jornal, o responsável pela introdução há 15 anos no nosso País desta modalidade assente num recurso maior às técnicas de pernas, Rui Lacerda, com o título de grão-mestre, explicou-nos que esta é uma arte sobretudo de defesa pessoal, para todas as idades, como mostra os que frequentam a escola com o seu nome a funcionar na Charneca da Caparica.
Com uma vida dedicada a este desporto há 40 anos, atleta mais graduado na modalidade em Portugal e na Europa, representante da Federação Mundial IKF (EUA), Rui Lacerda não esconde o seu agrado por esta sua primeira participação na Festa com um grupo de dez elementos, não hesitando em considerar que se trata de uma «experiência enriquecedora» numa festa que «é das melhores a nível nacional» e que «faz um importante trabalho pelo desporto».