- Intervenção de Jerónimo de Sousa no acto de abertura da Festa do Avante!

Vamos a isto, camaradas!

Image 8431

A todos saudamos pela presença na 35.ª edição da nossa Festa, edificada a pulso por muitos milhares de participantes nas jornadas de trabalho militante. A pulso mas com uma alegria imensa de homens, mulheres e jovens livres de pensamento e animados por valores solidários, por um ideal que dá expressão ao sonho avançado da sociedade que projectamos e pretendemos construir para o nosso País e o nosso povo.

Festa incomparável, distintiva na forma como é erguida neste reencontro da política com a arte, a cultura, o desporto, com as regiões, com a gastronomia, o convívio fraterno, com a juventude, que sendo uma festa dos comunistas é uma festa do povo, que, sendo uma festa solidária, haveria de ser e será uma festa de solidariedade internacionalista com os trabalhadores e os povos que resistem e lutam. Honra-nos muito que meia centena de delegações internacionais estejam presentes na nossa Festa do Avante!.

Esta Festa tem uma outra dimensão, um carácter e um valor acrescido quando nos confrontamos com uma dura realidade nacional, com uma situação vincada pela violenta ofensiva política, económica, social e cultural e contra a soberania nacional, quando a toque de caixa da troika estrangeira e do seu programa de agressão e submissão, o Governo PSD/CDS, acolitado pelo PS, desencadeia e aplica medidas que se sucedem em avalanche contra os trabalhadores, as populações e todas as classes e camadas antimonopolistas.

Festa de homens, mulheres e jovens de um partido que se contagiam por uma corrente de confiança e que não se submetem à ideologia das inevitabilidades com que massacram os ouvidos dos portugueses todos os dias difundidas à vez, ora pelos centros e agências de informação, ora pelos governantes, ora por essas picaretas falantes, comentadores ao seu serviço.

Há momentos em que é preciso dizer não! Dissemos não ao programa de agressão e submissão imposto pela troika estrangeira, acordado e executado pelo trio PS, PSD e CDS. Nem lá fomos dar o aval a uma troika sem legitimidade, que já tinha o seu pacote pronto como comida mastigada. Dizemos não, não por teimosia mas com base numa análise objectiva, com a certeza de que, a não ser travado, tal programa, as injustiças sociais, o desemprego e a pobreza atingirão cada vez mais portugueses, a recessão económica agravar-se-á e o País andará para trás. Assim foi, assim está a ser! Os seus mentores e executantes tinham tanta consciência disso que já lançam a ideia de que, afinal, este calvário de sacrifícios e de austeridade não é só até 2013. Será para 2013, 2014, 2015 e depois logo se vê.

Aos que nos querem vender os sacrifícios como inevitáveis, aos que nos dizem que isto é mau mas é necessário, nós dizemos: estamos mal agora para ficar pior mais adiante. O corte no subsídio de Natal, o congelamento dos salários e das pensões, o aumento dos impostos, o aumento do desemprego, a falência de quase três mil empresas nestes primeiros seis meses do ano e a recessão económica são a prova provada de que não estamos a sair da crise mas a assistir ao seu agravamento.

O Governo PSD/CDS não faz o que faz por sadismo. Faz porque está na sua natureza, na sua ideologia, na sua identificação com a troika estrangeira e com os interesses dos poderosos, ainda por cima com as costas quentes pelo colaboracionismo do PS.

Os exemplos do chamado programa de emergência social ou do «passe social +» põem de forma mais crua a ideologia do Governo em que se procura substituir o Estado com obrigações sociais pelo Estado assistencialista. Primeiro criam a pobreza e aumentam o número de pobres, depois a partir do estado de pobreza avançam com medidas parcelares, recuperação do conceito da «sopa do Sidónio», do medicamento fora do prazo que sendo para pobre não interessa a consequência, mesmo nas cantinas de refeição para pobres dispensa-se a fiscalização da ASAE (é para pobre, não interessam as condições de saúde e higiene).

No «Passe Social +», para o rendimento das famílias não contam os filhos! E só falta qualquer dia meterem uma braçadeira de cor negra no pobre, uma amarela nos que correm o risco de o ser, ou um chip para definir quem tem direito a esmola.

A solidariedade para com os mais pobres e mais vulneráveis é uma valor humano! Mas os pobres que agradecem essa solidariedade têm como anseio das suas vidas deixarem de ser pobres e serem tratados como cidadãos com dignidade, com emprego, com salários e com direitos!

Em nome da crise, ou do programa da troika, PSD e CDS levarão o mais longe possível a sua política de afundamento do País, farão da vida de muitos portugueses um inferno e depois quem vier atrás que feche a porta.

 

Há alternativa

 

Não nos conformamos. Não aceitamos o quanto pior melhor. Há um caminho alternativo. Há uma política alternativa, patriótica e de esquerda, renegociando a dívida em que estamos atolados, defendendo e modernizando o nosso aparelho produtivo e aumentando a nossa produção nacional, respeitando e valorizando os salários e os direitos dos trabalhadores, parando com as privatizações, com os privilégios e os benefícios para a banca e os grupos económicos e apoiando antes as micro, pequenas e médias empresas, onde residem mais de 80% dos empregos no País e afirmar a nossa soberania nacional. Sim, sabemos que é um caminho que está por construir. Uma construção que é possível com acção, com luta concreta e convergente.

Os detentores do poder, do privilégio e das fortunas colossais acharão que isto é uma heresia. Mas essa imensa maioria de milhões de portugueses que estão a ver o seu país a sangrar em vida, atingidos e sufocados por mais cortes, mais sacrifícios, menos direitos no trabalho, menos salário, menos reforma, menos saúde, menos educação – que já questionam porquê, para quê e para quem estes sacrifícios, quando partindo dos seus próprios problemas e aspirações ganharam a consciência que pode haver e há saída, uma política e um rumo diferentes, partindo da luta concreta para a luta convergente – então sim, é possível libertarmo-nos do jugo das inevitabilidades e alcançar uma vida melhor.

E, se todos os que são vítimas desta política e deste programa de agressão e submissão são necessários a essa luta, permitam-me uma palavra à juventude e às novas gerações. Àqueles que nasceram pouco tempo antes ou depois de Abril.

Novas gerações que cresceram entendendo a liberdade e a democracia tão naturais como o ar que respiram.

Novas gerações que a política de direita tem condenado à mais brutal exploração com a desvalorização do trabalho e que vê, de forma sistemática, os seus parcos salários serem puxados para baixo sob o efeito da enorme precariedade e do elevado desemprego juvenil, hoje com uma taxa de 27%.

Novas gerações que esta política condena também a uma vida dependente e com acrescidas dificuldades em começar e manter a sua própria vida e família.

Novas gerações que vão ver agravados todos os seus problemas com o programa do Governo e da troika, não apenas no domínio do trabalho, mas também nos da Educação e do Ensino, e na Habitação.

Novas gerações que serão as primeiras vítimas do plano de ataque global aos direitos laborais dos trabalhadores portugueses e que o actual Governo de Passos e Portas acaba de relançar com a apresentação da proposta de lei dos despedimentos.

Os direitos sociais no capitalismo nunca são perenes. Ganham-se e perdem-se. Nunca são dádivas e muito menos legados doutras gerações. Conquistam-se e defendem-se pela luta dos próprios em cada época concreta.

Às novas gerações está colocada a questão de saber se aceitam uma política que lhes nega o futuro ou se se assumem com força transformadora, lado a lado com outras gerações, como obreiros das suas vidas e da sua felicidade. A vossa luta não é delegável mas pode e deve ser convergente.

Dia 1 de Outubro, na grande jornada nacional convocada pela CGTP-IN, a presença e voz das novas gerações será força de exemplo e garantia que a luta continua.

Aqui estamos com todas as inquietações e preocupações que resultam da situação em que vivemos, aliadas a esta determinação e confiança que nos caracteriza, confiança em que o Partido é chamado às mais altas responsabilidades e aos seus compromissos com os trabalhadores e o povo português. Partido que nesta época que vivemos honra a sua história e o seu percurso. Partido que precisa de ser mais forte, mais influente e preparado para todos os combates que aí estão e se avizinham. Um partido que edifica esta Festa dá-nos confiança e até coragem para fazer frente ao que aí vem!

Vamos a isto, camaradas!



Mais artigos de: Festa do Avante!

Um universo de emoções

O desporto na Festa voltou a brilhar, atingindo patamares de excelência. Presença obrigatória desse acontecimento maior que é a Festa do Avante!, o mínimo que se pode dizer do conjunto das actividades desportivas que durante três dias preencheram um...

Arte, beleza e mestria encantam público

As galas (artes marciais e danças de salão) e os festivais (gímnico, patinagem artística Hip Hop) que decorrem nas noites de sexta-feira e sábado constituem sempre pontos altos da programação do gimnodesportivo. É ali, porventura, que a interacção...

Alargar as práticas inclusivas

O desporto adaptado voltou a ocupar um merecido e justo lugar na programação das actividades desportivas. Nem podia ser de outra forma no quadro de uma iniciativa promovida por um Partido, como o PCP, que pugna pelo «desporto para todos», sem distinções,...

A magia do futebol

O Grupo Desportivo Fabril (Barreiro) sagrou-se campeão do torneio de Futsal V Avante Jovem. O seu epílogo foi no domingo, após jogos disputados na véspera com a participação, além do Fabril, do Grupo Desportivo «Os Amarelos» (Setúbal), Leão Altivo...

E a Festa saiu para a rua

Superando o número de atletas alcançado o ano passado (1400), a Corrida da Festa, registou este ano um novo recorde absoluto com 1597 atletas a cortar a meta. O que confirma o prestígio consolidado de uma prova que é hoje referência no calendário do...

Veículo de inclusão

Balanço francamente positivo é também o que Miguel Godinho, presidente da direcção do Ginásio Clube de Corroios, faz dos 18 combates realizados entre sexta-feira e sábado envolvendo jovens em representação de clubes da Associação de Boxe de...

Olhar a Festa dos céus

Chama-se José Coisinho e integra a Associação de Paraquedistas do Sul (Baixa da Banheira). Transportou a bandeira nacional e foi o último dos dez paraquedistas (entre eles uma mulher) a pisar terreno firme na Atalaia cerca de dez minutos depois de saltar a 1200...

Um País determinado a lutar

Em ano de 90.º aniversário do Partido, as organizações regionais levaram à Festa muito do que de melhor se produz e faz por cá, demonstrando que através da luta por uma política patriótica e de esquerda é possível...

Outros Espaços

O Palco Arraial fez as maravilhas dos amantes do folclore nacional que tiveram um espaço privilegiado para toda a música popular portuguesa que por lá se foi revezando, numa animação que, no primeiro e segundo dia de Festa, se prolongou até altas horas da noite. Também as...

Soberania e socialismo

A Festa vai muito para além da política e isto também tem um significado político. Esta força retira consistência aos que a querem reduzir a curtas passagens de um discurso num comício e também desmente outros (ou os mesmos) que querem...

Unidos construímos o futuro socialista

No Espaço Internacional da Festa do Avante! confluíram, durante três dias, as lutas, os valores, a cultura e a militância que unem os comunistas e progressistas de todo o mundo.

Colectivo patriótico e internacionalista

Indissociável da luta dos comunistas portugueses, patriotas de corpo inteiro, o internacionalismo proletário do nosso colectivo afirmou-se na Festa com a presença de centenas de pessoas nos seis Momentos de Solidariedade que, domingo, ocorreram nos espaços das organizações regionais do Partido.

Trocar experiências e avançar na luta

Durante três dias, o Palco Solidariedade do Espaço Internacional acolheu quatro debates, iniciativas das quais se retém a fértil troca de experiências sobre realidades concretas, as quais, caldeadas com a militância e a acção organizada, permitem aos comunistas e aos seus aliados avançar na luta.

Conquistas e desafios milenares

Um dos debates agendados para o Palco Solidariedade que mais curiosidade suscitou ocorreu sábado à tarde. O tema – os 90 anos do Partido Comunista da China, e as grandes conquistas e desafios daquele país – levou centenas de pessoas à praça central do Espaço...

Exemplo do prestígio do nosso Partido

À 35.ª edição da Festa do Avante! compareceram 47 partidos comunistas e operários de todo o mundo, uma das maiores participações estrangeiras dos últimos anos, como salientou o director do Órgão Central do PCP, José Casanova, no comício de...

Verdadeiro serviço público

Todos os anos, no princípio de Setembro, a Festa do Avante! marca o calendário político e cultural de Portugal. Excepcionalmente as datas foram outras. É já uma tradição que nunca é rotina. Do ponto de vista musical, foi pioneira dos grandes concertos ao ar livre...

Momentos inesquecíveis

O cartaz de espectáculos da edição deste ano da Festa do Avante! era apelativo e o público compareceu em força nos concertos do palco 25 de Abril. Uma vez mais mostrando que é também este público que faz da Festa o que ela é – uma iniciativa...

Uma viagem pelo mundo da música

Os Bela Nafa abriram a programação do Auditório 1.º de Maio, trazendo a tradição mandida à «terra» da solidariedade, da camaradagem e da amizade fraterna. Um espectáculo onde os músicos apregoaram a paz e convidaram o...

Representar um mundo que exige transformação

No bar do Avanteatro lia-se a seguinte frase de Bertolt Brecht: «Creio que o mundo de hoje pode ser reproduzido, mesmo no teatro, mas somente se for concebido como um mundo susceptível de modificação». O pensamento do genial dramaturgo, encenador e poeta alemão marxista esteve...

O sol brilha na Atalaia

O tempo tem tempos que o relógio não abarca: há eternidades que cabem num segundo, há segundos que duram eternidades. A medida é a dos sentidos e a unidade padrão o sentimento, justamente o que não se mede nem se pesa, o que apenas se...

Um Partido patriótico e internacionalista

«Quem nos acusa de só falar no passado, ou não tem passado ou tem um passado de que se envergonha», afirmou José Casanova no debate que decorreu no sábado no Fórum, onde intervieram também José Capucho e Manuela Bernardino, que...

Um ideal com actualidade

Im Há 140 anos – 18 de Março de 1871 –, o povo de Paris, quase a morrer de fome, sem munições, no meio de manobras capitulacionistas do governo burguês de Thiers, encabeçado...

Nomes maiores do neo-realismo

Manuel da Fonseca e Alves Redol, nomes maiores do neo-realismo português, foram este ano homenageados na Festa, onde um grande painel traça um percurso das suas vidas, destacando a intensa actividade política que, a par da actividade literária, foi uma marca destes...

O que de melhor se faz

Num CineAvante! quase sempre repleto, situado no corredor principal do Espaço Central, podia-se assistir, ao longo dos três dias da Festa, a um conjunto de curtas e longas-metragens de alta qualidade, produzidas nos últimos anos por cineastas portugueses. Do programa...

Comunicar e… participar

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tinham um espaço reservado no Pavilhão, onde quatro computadores permitiam aos visitantes, maioritariamente jovens, o acesso à internet, ao software livre, à fotografia digital, a linhas de...

XVIII Bienal

Conviver parece, a cada edição da Festa, ser a palavra de ordem que leva tanta gente à Atalaia, três dias em cada ano. E participar. E dar depois testemunho de convicções, estimuladas por essa realização de comunistas que tantas facetas...

Os fotógrafos da Festa

Ana Ambrósio Da Maia Nogueira Fernando Teixeira Inês Seixas Jaime Carita João Galamba Jorge Cabral Jorge Caria José Branco José Frade Luís Pó Nuno Pena Rogério Pedro Rui Henriques Rui Melo...

Uma força imensa para os combates que aí vêm

Se a Festa é uma ocasião especial para os militantes comunistas, pela qual muitos esperam ansiosamente todo o ano, o comício de domingo ocupa, dentro da própria Festa, um lugar singular. Ali se partilham convicções e se retemperam forças para...

Neste chão nosso construímos o futuro

Aqui estamos neste fazer e refazer desta festa de paz, de amizade entre os povos, de solidariedade e fraternidade, contra a exploração, neste chão nosso do qual brota todos os anos uma explosão de criatividade, convicções e alegria, corporizada por...

A nossa força é o ideal comunista

Chegou o momento de, daqui, da tribuna do Palco 25 de Abril, nesta 35.ª edição da Festa do Avante! – neste ano em que comemoramos o 90.º aniversário do nosso Partido e o 80.º aniversário do nosso Avante!, o jornal que dá o nome à...

A Juventude luta, resiste, e toma Partido!

Viva a Festa do Avante! Feita da alegria e da força daqueles que lutam, que erguem esta maravilha, este momento de liberdade, convívio e determinação. Construímos a Festa como queremos construir a vida do nosso País, com e para o povo! Saudamos os...

A química que nos transforma

Com o lema «Química - a nossa vida, o nosso futuro», a Assembleia-Geral das Nações Unidas proclamou 2011 como o Ano Internacional da Química, visando celebrar as suas contribuições para o bem estar da humanidade. A Festa do Avante! foi mais...

«Tomemos nas nossas mãos os destinos das nossas vidas»

Que a vida não está fácil para as novas gerações é coisa sabida e, nesta edição do Avante! em que se fala da Festa, poderá nem valer a pena gastar muitas linhas a referir a elevada taxa de desemprego jovem ou a precariedade que...

Ao encontro da História de Portugal contemporânea

A Festa do Livro é um espaço de encontros e reencontros. Literários e não só. Há quem entre na tenda para fugir ao calor e ao bulício da Festa, mas a maioria fá-lo com a convicção de encontrar companheiros presentes e...