Momentos de Solidariedade

Colectivo patriótico e internacionalista

Indissociável da luta dos comunistas portugueses, patriotas de corpo inteiro, o internacionalismo proletário do nosso colectivo afirmou-se na Festa com a presença de centenas de pessoas nos seis Momentos de Solidariedade que, domingo, ocorreram nos espaços das organizações regionais do Partido.

«Quem participa sai convocado para a luta»

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Inaugurados há pouco anos na Festa do Avante!, os momentos de solidariedade para com os povos em luta são um enorme sucesso. Se nas primeiras edições a participação dos visitantes variava entre o possível e o razoável, hoje pode afirmar-se, dizendo a verdade, que já não há Festa sem momentos de solidariedade nos espaços das organizações regionais do PCP.

O êxito pode-se explicar pelo hábito criado, pela massificação da divulgação das iniciativas, ou pela maior informação do colectivo partidário sobre as questões candentes da actualidade internacional.

Seja qual for a combinação e ordem dos factores, é objectivo dizer que quem participa nos momentos de solidariedade, como membro de uma delegação estrangeira ou como militante comunista simultaneamente interessado e solidário, sai convocado para a luta que se trava noutras latitudes.

Isso mesmo se aplica ao momento de solidariedade realizado no Espaço da Organização Regional do Porto, sobretudo depois do camarada Jaime Cedano, do Partido Comunista Colombiano, ter explicado que a saída de Álvaro Uribe da presidência do país não significa o fim da ofensiva antipopular da oligarquia, e muito menos o abrandamento do terrorismo de Estado praticado contra todos os que se batem por uma Colômbia soberana, democrática e justa. «Quando muito passámos da repressão centrada na violência selvagem à aposta mais frequente [pelo regime] na violência diplomática».

Na Colômbia persiste a entrega das riquezas naturais e dos solos ao grande capital nacional e imperialista avolumando a exploração extrema dos trabalhadores e o número de deslocados internos, que já superam os quatro milhões de pessoas; continuam os assassinatos políticos e as prisões que em décadas de conflito social e armado já fizeram mais de 300 mil mortos e mantêm mais de sete mil progressistas e revolucionários encarcerados; prossegue a política criminosa do regime lacaio do imperialismo norte-americano, principal responsável pelo arrastamento da guerra no território, pela desestabilização militar e pelo belicismo no subcontinente latino-americano, explicou Cedano.

O delegado do PC da Colômbia deixou, ainda, sinceras palavras de gratidão ao PCP, à Festa do Avante! e aos militantes comunistas portugueses, que, salientou, mesmo no centro de campanhas mediáticas contra a sua solidariedade para com o povo da Colômbia (recorde-se os artigos nos órgãos de comunicação social nacional sobre a presença de «organizações terroristas» na Festa do Avante!), nunca deixaram de demonstrar, na prática, a sua profunda ligação à causa da paz e do progresso na Colômbia.

«Viva o internacionalismo proletário, viva a solidariedade, o povo unido jamais será vencido», concluiu Jaime Cedano.

 

Combater o anticomunismo

 

Para além do momento de solidariedade para com o Partido Comunista e o povo colombiano, dois outros momentos de solidariedade merecem destaque. No Café Concerto de Lisboa, manifestaram-se os laços fraternos para com os que lutam contra o anticomunismo, particularmente nos países do Leste da Europa.

Na ocasião, o membro da secção internacional da Frente Popular Socialista da Lituânia, Vylautas Liktus, esclareceu os presentes sobre os combates travados pelo partido neste âmbito, nomeadamente em relação à perseguição movida ao seu presidente, Algirdas Peleckis, cujo «crime» foi questionar a versão oficial dos acontecimentos de Janeiro de 1991 na capital do país, Vilnius.

Por não aceitar a traficância histórica, sustentando a argumentação que expôs, num programa de rádio, em Novembro de 2010, em declarações de altos protagonistas dos acontecimentos reaccionários de então, Peleckis foi constituído arguido e enfrenta um processo criminal.

Na iniciativa promovida no Espaço da Organização Regional de Lisboa, previa-se que estivesse presente um membro do Partido Comunista da Boémia e Morávia. Mesmo impossibilitados de participarem na Festa, os camaradas da República Checa enviaram um nota, lida no momento de solidariedade, na qual salientam o muito que os une aos comunistas portugueses, nomeadamente o facto de ambos os partidos fazerem frente à política profundamente injusta do actual governo de direita e ao «golpe social» desferido contra os interesses do povo e dos trabalhadores nos últimos anos.

Quanto à ofensiva anticomunista, também os camaradas da Boémia e Morávia estão no combate travado «nos países bálticos, na Polónia, na Moldávia, na Hungria, nos Balcãs» e, mais recentemente, na Eslováquia, «a segunda metade da nossa pátria dividida», sublinharam no texto remetido.

Uma das batalha contra a perseguição e criminalização da ideologia comunista e dos comunistas foi vencida, lembraram referindo-se à incapacidade dos «especialistas do Ministério do Interior» em recolherem provas que permitissem a ilegalização do PCBM. No entanto, o governo não desarma no objectivo de afastar um partido democrático e com ampla representação parlamentar, pelo que os comunistas checos continuam vigilantes. E nós com eles, concluiu-se.

 

Entregar-se à revolução

 

O outro momento de solidariedade que importa sublinhar foi o realizado na Organização Regional de Braga para com os comunistas e o povo da Venezuela. Perante uma plateia que se foi avolumando entusiasmada, o membro do Bureau Político do PCV e director do Tribuna Popular, Carlos Aquino, explicou que o seu partido é parte activa e empenhada no processo bolivariano, cujo carácter anti-imperialista e patriótico se mantém como traço fundamental.

As transformações sociais não são lineares, não podem ser projectadas como se de um guião com várias etapas predefinidas se tratasse, transmitiu ao frisar que «as consciências não se ganham por decreto».

Antes do triunfo bolivariano na Venezuela, a maioria das pessoas «ouvia falar em socialismo e diziam não saber explicar o que era, mas que lhes parecia que era algo mau para si. Hoje passa-se o inverso, muitas pessoas não sabem exactamente explicar o que é o socialismo, mas acham que vai de encontro aos seus interesses», disse Aquino para enfatizar a batalha das ideias travada pelos comunistas e progressistas venezuelanos. O objectivo é ganharem para a defesa do socialismo as massas afectas ao processo bolivariano, algo que se faz com persistência e dedicação, paciência e serenidade, com inquebrantável determinação no fortalecimento simultâneo da ampla frente social e política e das organizações representativas da classe operária e de todos os trabalhadores, como o são o Partido Comunista e a corrente sindical classista.

No processo transformador em curso, disse ainda Aquino no debate, Hugo Chávez tem um papel muitíssimo relevante. A reacção está a aproveitar a confluência de dois factores: a desilusão de algumas camadas com o processo bolivariano e a doença que periga a vida do presidente venezuelano.

Nesse contexto, aumenta a importância da promoção da unidade das forças patrióticas e anti-imperialistas, a começar já na batalha eleitoral do próximo ano.



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