O povo do Couço não vai faltar a quem está ao seu lado todos os dias
A CDU foi a força decisiva para garantir aumentos extraordinários nas pensões. Reforçada, a coligação terá condições para lutar para que se vá muito mais longe, disse João Ferreira numa sessão com reformados.
É desta fibra que é feita a CDU – sempre ao lado de quem trabalha ou trabalhou
A iniciativa decorreu a meio da tarde desta segunda-feira no Couço, Coruche, terra de gente de luta que transporta do passado heróico da resistência ao fascismo a têmpera para continuar o combate, como aludiu Rogério Justino, candidato pelo círculo eleitoral de Santarém, que dirigiu a sessão.
De resto, sem surpresa, o salão da Casa do Povo de Couço esteve cheio bem para lá da entrada. António Filipe aproveitou a ocasião para apelar a que os presentes levem a outros o que ali se dissesse.
O cabeça-de-lista da CDU pelo distrito de Santarém sabe que o desafio que lançou não cairá em saco roto. Não apenas pelo histórico do povo do Couço, mas porque enquanto deputado comunista eleito pela região, tem acompanhado muitas batalhas locais. Lutas recentes contra o encerramento de serviços essenciais como o posto dos correios, a agência bancária ou o Serviço de Atendimento Permanente em Coruche, pela construção da nova ponte sobre o Sorraia ou pela manutenção do Posto da GNR, recenseou.
Lutas, insistiu António Filipe, como a reivindicação de mais e melhores transportes públicos e mobilidade, pela criação e manutenção de emprego de qualidade, por melhores condições de acesso aos cuidados de saúde primários e hospitalares, por creches gratuitas ou por salários e pensões dignas, cruciais para fixar e atrair população, sobretudo jovem.
Por isso, acredita que «assim como a CDU esteve sempre com o povo do Couço, o povo do Couço confirmará essa confiança na CDU no próximo dia 30 de Janeiro».
Fibra
João Ferreira, usando da palavra, também realçou a fibra do povo do Couço e considerou que «é desta fibra que é feita a CDU – sempre ao lado de quem trabalha ou trabalhou».
Assim, o lema eleitoral «força decisiva ao teu lado todos os dias, faz todo o sentido», prosseguiu o membro da Comissão Política do Comité Central e candidato da CDU, para quem o carácter determinante do PCP e do PEV confirma-se, igualmente, por não ter desperdiçado nenhuma oportunidade para elevar as condições de vida das massas laboriosas.
Exemplos disso mesmo são os aumentos extraordinários das pensões, que resultaram da persistência das forças que compõe a CDU. «Foi preciso regatear cada cêntimo, explicar ao PS que o ano começa em Janeiro e não em Agosto», recordou João Ferreira, para quem a recuperação do poder de compra perdido pelos reformados, pensionistas e idosos «é um objectivo que não abandonamos», designadamente com novo aumento extraordinário de dez euros já este ano.
Garantir mais e melhores serviços públicos, o acesso à reforma sem penalizações ao fim de 40 anos de descontos ou aos 65 anos de idade e eliminar os cortes impostos pelo factor de sustentabilidade; incrementar a robustez da Segurança Social; investir na rede pública de apoio à terceira idade, são outras bandeiras que a CDU não abandona, asseverou João Ferreira, que detalhou não apenas a sua justeza como a sua exequibilidade.
Promessas
Mas num período em que tantas promessas são feitas, João Ferreira fez questão de clarificar algumas questões. Relativamente à alegada impossibilidade de proceder a um aumento extraordinário das pensões sem Orçamento do Estado para 2022, acusou o PS de não o ter feito para «chantagear os reformados», já que, sustentou, tal era perfeitamente possível. A segunda, quanto ao significado da expressão «reformas estruturais».
Para alguns, «a influência das forças da CDU foi uma chatice porque, dizem, nestes últimos anos não se fizeram “reformas estruturais”. Nunca revelam o que querem dizer, mas nós sabemos», afirmou o dirigente comunista, antes de explicar que quando se trata de Segurança Social, em causa está a entrega de uma parcela do sistema, hoje universal e solidário, à especulação privada; quando se trata do Serviço Nacional de Saúde, em causa está a sua degradação por falta de meios humanos e materiais para que os privados ocupem o espaço deixado livre.
«Há alguns que parece mesmo que vivem numa bolha, afastados da realidade de milhares de trabalhadores e reformados», acusou João Ferreira, lembrando que o encerramento de serviços públicos de saúde leva a que a população do Couço tenha de se deslocar ou à sede do concelho ou à capital de distrito. E alertou: «se continuarmos a meter mais dinheiro nos privados, em vez de reforçar o SNS este ficará cada vez mais longe das populações, não mais perto».
Ora, para contrariar tais projectos e «não deixar arrastar bloqueios e avançar», a CDU é a força decisiva, insistiu João Ferreira.