O voto que não trai
«Os jovens serão as principais vítimas da política de direita», avisou Jerónimo de Sousa, num comício, dia 20, em Pevidém, Guimarães, no distrito de Braga, salientando que para o evitar só o voto na CDU conta.
«Se a política for a mesma, os resultados não serão diferentes»
Recordando a «brutal deterioração das condições de vida e de trabalho, agravadas com o programa de austeridade e os PEC, acordados entre o Governo PS e a direita» e o acordo com a «troika estrangeira», Jerónimo de Sousa avisou a juventude do distrito de Braga que os jovens «serão quem mais pagará as consequências provocadas pelos aumentos da precariedade, do desemprego, dos impostos, dos custos com a saúde, a educação e a habitação, os cortes sociais, do aumento da pobreza, os cortes sociais, os baixos salários e pensões».
«Falam mais alto os interesses do grande capital financeiro», acusou.
Num comício que contou antes das intervenções políticas com a animação e a música de Jorge Lomba, o Secretário-geral do PCP recordou o aumento da emigração e condenou a intenção do PS e da direita de pretenderem «desregulamentar ainda mais as relações de trabalho».
Salientando a grande participação de juventude nas listas distritais, o Secretário-geral do PCP apelou aos jovens para que «confiem em si próprios» e lembrou que «este é um voto que não trai».
«Quem assinou o acordo da troika estrangeira devia ter vergonha» por ter comprometido a independência e a soberania nacional, considerou, tendo apelado ao voto na CDU, também dos trabalhadores, dos reformados e dos micro, pequeno e médios empresários.
Jerónimo de Sousa salientou que «o trabalho desenvolvido no distrito pelos eleitos da CDU é a prova de que os partidos não são todos iguais», mas «se a política continuar a ser a mesma, os resultados não serão diferentes».
Uma intensa actividade
Antecedendo a intervenção do Secretário-geral do PCP falaram o cabeça de lista da CDU pelo distrito de Braga e deputado do PCP, Agostinho Lopes, o mandatário concelhio, Cândido Capela, e a candidata pela Juventude CDU, Filipa Goulart.
Estes dois últimos fizeram um balanço do intenso e ímpar trabalho desenvolvido pelos eleitos da CDU em defesa dos direitos e das legítimas aspirações do povo do distrito. Agostinho Lopes desafiou quem quisesse a descobrir «qual foi o problema político que tenha vivido este distrito que a CDU não tenha levado à Assembleia da República», constatando que não houve nenhum.
«Este é o grande trunfo que temos para reclamar o reforço da CDU», considerou.
Heróica tradição
Jerónimo de Sousa começou por elogiar «o heróico povo de Pevidém pela sua longa tradição de luta», lembrando como, em Maio de 1944, o povo fez uma marcha contra a fome, durante a qual a GNR prendeu um natural da terra. Revoltado, o povo cercou o posto da Guarda e só abandonou o cerco quando o detido foi libertado. «Como então, também será com a luta dos trabalhadores portugueses que seremos capazes de dar a volta a isto, no sentido do progresso e da justiça social», considerou o Secretário-geral do PCP, arrancando fortes aplausos de uma plateia compacta.
Com a CDU o têxtil tem futuro
Destacar a importância e as potencialidades do sector têxtil na economia nacional e salientar a enorme desigualdade na distribuição da riqueza por ele produzida foi o propósito da visita dos candidatos da CDU, dia 20, ao Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Vale do Ave, em Vila Nova de Famalicão.
«Quisemos sublinhar a necessidade de se contar com esta indústria, como a do calçado, num quadro de desenvolvimento da produção, e evidenciar que, nos últimos 15 anos, este sector registou um aumento de produtividade de quarenta por cento, enquanto, no mesmo período, os trabalhadores obtiveram aumentos salariais de apenas quatro por cento», lembrou à imprensa, o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, no fim da visita ao museu.
Acompanhado pelo cabeça de lista da CDU pelo distrito e deputado do PCP, Agostinho Lopes, pela candidata do PEV, Marina Silva, e por vários candidatos e dirigentes dos partidos que integram a Coligação, Jerónimo de Sousa responsabilizou os governos do PS e da direita por terem cedido à liberalização do mercado têxtil.
A CDU considera urgente a adopção de «medidas que protejam a nossa indústria em relação a outros mercados, confiando e apoiando na capacidade produtiva instalada e criando emprego com direitos», explicou.
Quem criou a riqueza
«Os trabalhadores foram os principais construtores desta indústria, à custa de inúmeros sacrifícios e de uma violentíssima exploração, particularmente de trabalho infantil e feminino», acusou Jerónimo de Sousa, depois da visita.
O espólio patente presta uma marcante lição sobre a história dos operários têxteis do Vale do Ave, evidenciando o sofrimento e as miseráveis condições sociais e económicas vividas pelos trabalhadores.
Numa sala repleta de cartões de identificação de trabalhadores, vê-se homens, mulheres e crianças com curta esperança de vida. Trabalhavam de sol a sol nas fábricas, e ainda na agricultura familiar, descalços, em armazéns sem janelas nem ventilação, entre um ensurdecedor e rotineiro barulho de máquinas, sob condições propícias a quotidianos acidentes de trabalho.
Desfile jovem em Braga
Iniciado e terminado nas Arcadas, em pleno centro de Braga, o desfile não deixou ninguém indiferente e demonstrou que há muitos jovens com a CDU.
Muita juventude participou na iniciativa tendo os candidatos sido abordados por trabalhadores e lojistas que se manifestaram em dificuldades, e reformados e pensionistas preocupados com o congelamento de pensões e o encarecimento das despesas com saúde.
O desfile terminou com uma sessão de esclarecimento em que intervieram o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e o deputado e cabeça de lista da CDU pelo distrito, Agostinho Lopes.
Trabalho reconhecido
«Esta grande empresa industrial sobreviveu depois de uma intensa luta dos trabalhadores», salientou Jerónimo de Sousa, no fim da acção de campanha à porta das instalações da fabricante de pneus, Mabor/Continental, em Lousado. Na hora de mudança de turno, uma delegação da Comissão de Trabalhadores deu as boas vindas aos candidatos e agradeceu «o trabalho desenvolvido pelo Grupo Parlamentar comunista e pelo seu deputado, eleito pelo distrito de Braga, Agostinho Lopes, em defesa dos nossos direitos», referiu à imprensa Joaquim Costa, daquela organização representativa dos trabalhadores.
«Os trabalhadores desenvolveram recentemente uma grande luta contra a precariedade e pela igualdade de direitos nesta empresa, actualmente sólida e com condições de estabilidade», recordou o Secretário-geral do PCP, lembrando que o PCP e os seus aliados «sempre estiveram ao lado dos trabalhadores nas horas más».