Uma voz incómoda que tentam calar
Dezenas de activistas da coligação PCP-PEV concentraram-se na noite de 19 de Maio junto às instalações da TVI em protesto pela exclusão da CDU dos debates entre as candidaturas do PS e do PSD em Lisboa e no Porto.
PS e PSD concordam com a redução dos salários e as privatizações
O primeiro desses debates realizava-se precisamente no momento em que os activistas e candidatos da Coligação que une comunistas, ecologistas e independentes se concentravam junto aos estúdios daquela estação de televisão, opondo os cabeças de lista do PS e do PSD por Lisboa, Ferro Rodrigues e Fernando Nobre. Um debate nestes moldes, para além de excluir outras forças (o que não sucedeu, por exemplo, nos 10 debates de carácter nacional transmitidos nas três estações de televisão), falseia o real objectivo destas eleições, que é nada mais nada menos do que a eleição de 230 deputados.
Durante a concentração, Bernardino Soares, da Comissão Política do CC do PCP e segundo candidato da CDU por Lisboa, dirigiu-se aos activistas presentes para lhes lembrar que os candidatos dos dois partidos convidados para o debate não iriam ter quaisquer diferenças nas questões fundamentais. PS e PSD, lembrou, assinaram o pacto da troika e concordam com a facilitação dos despedimento, com a baixa do valor dos salários e das pensões e com as privatizações. Sem os candidatos da CDU, prosseguiu, nenhum deles será confrontado com a necessidade de renegociar a dívida, com os ataques aos direitos dos trabalhadores e com a urgência de uma mais justa repartição da riqueza. «Por isso não nos quiseram lá», denunciou Bernardino Soares.
O presidente do Grupo Parlamentar do PCP afirmou ainda que os candidatos da CDU nem chegaram à maquilhagem para entrar no estúdio mas «lá dentro vão estar dois candidatos cheios de maquilhagem»: um, do PS, com maquilhagem «no discurso de esquerda para cobrir a política de direita que ele, Sócrates e o seu Governo têm feito ao longo dos anos»; e vai estar outro, Fernando Nobre, do PSD, «com maquilhagem de suposto independente mas o que quer é o capitalismo mais neoliberal que já tivemos no nosso País».
A terminar a sua curta mas incisiva intervenção, Bernardino Soares desafiou os activistas da Coligação ali presentes para intensificarem a campanha de contacto directo com os trabalhadores e o povo, «tantos quantos aqueles que não nos viram hoje neste debate».
No protesto participou também Armindo Miranda, igualmente membro da Comissão Política e que, em nome da Coligação apresentou por escrito ao director de informação da TVI as razões do protesto. O segundo debate, opondo os cabeças de lista dos mesmos dois partidos pelo Porto, realizou-se no dia 23.