PCP questiona modelo económico

Exploração laboral no Alqueva

O PCP denunciou a existência de casos de exploração laboral e de trabalho clandestino na área do Alqueva, sublinhando que tais exemplos são reveladores de que «há muita propaganda» mas não é certo que o «anunciado sucesso da agricultura portuguesa» seja uma realidade.

No Alentejo a taxa de desemprego eleva-se a 16,1 por cento

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«O País pode estar a produzir mais, as grandes casas exportadoras (de azeite e vinho) poderão ter os maiores sucessos nos seus negócios, mas se esse sucesso for baseado na exploração de mão-de-obra de pouco serve o interesse nacional», salienta o deputado comunista João Ramos, eleito por Beja, em pergunta à ministra da Agricultura.

Depois de casos referenciados em 2012 de imigrantes que trabalhavam na apanha de azeitona no Baixo Alentejo e que viviam em «más condições de habitabilidade», o parlamentar do PCP assinala que a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) detectou a existência de 23 trabalhadores clandestinos, um deles menor de idade, em vindimas de duas explorações agrícolas da região, no passado mês de Setembro.

E por isso João Ramos questionou Assunção Cristas sobre qual o modelo económico que está a ser incrementado no Alentejo à volta do Alqueva. Não mais do que dois ou três lugares comuns (como é por exemplo a afirmação de que «Alqueva representa o aparecimento de novas oportunidades de investimento e de culturas para o sector agrícola»), foi o que o deputado do PCP obteve como resposta.

E daí ter confrontado de novo a ministra no âmbito da discussão na especialidade do OE para 2014, sem contudo ter melhor sorte, pois a nada de concreto ela respondeu. Isto apesar de João Ramos ter feito ver que um eventual aumento da produção agrícola e das exportações, por si só, não promove a redistribuição da riqueza, que tem no salário o melhor instrumento de a concretizar. E de ter insistido na denúncia dos referidos casos de trabalho ilegal, onde foi identificada a intervenção de empresas de trabalho temporário e a existência de salários abaixo do legalmente exigido.

Isto num distrito como é o de Beja onde em Maio passado o número de desempregados rondava os 17 000 e numa região onde a taxa de desemprego é de 16,1%.




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