Cidade da Juventude, Cidade de Abril
Uma vez mais, durante três dias, os jovens tiveram na Festa do Avante! o seu espaço. Levantada do chão à força dos braços de quem constrói a luta de todos os dias, a Cidade da Juventude recebeu milhares que caminharam pelas ruas que projectam o futuro de um mundo melhor. Entre o calor do convívio, retemperaram-se forças para a necessária resposta à violência das políticas do Governo e para levar a luta até ao voto no próximo dia 29 de Setembro.
Os ferros, as madeiras e os toldos que deram corpo a esta cidade souberam dar voz à revolta de quem os representantes dos grandes grupos económicos e financeiros querem roubar o presente e o futuro. À Cidade da Juventude chegaram estudantes e trabalhadores que sendo ou não comunistas se identificam com as reivindicações dos jovens comunistas. Durante três dias foi a cidade dos que durante o ano deram o melhor dos seus dias para resgatar a esperança que não fica à espera.
Através dos murais, da exposição, dos debates, dos materiais da banca e do trabalho militante, a Cidade da Juventude representou para muitos o primeiro contacto com uma realidade que choca com a apatia e o conformismo e que celebra a participação e a intervenção colectiva. Nesta festa, que mais nenhum partido seria capaz de construir, a Cidade da Juventude teve a luta como protagonista.
Abril é futuro
É Cátia Matias que transmite o espanto de quem chega pela primeira vez à Festa. Aos 17 anos, depois de se ter inscrito na JCP, em Outubro, através do colectivo da escola secundária, descreve o «espírito fenomenal» que se vive na Cidade da Juventude. Fala da interajuda, da simpatia das pessoas e do convívio saudável. Também não esconde o orgulho de ter participado nas jornadas de trabalho. Enquanto observa as estruturas, a jovem de Setúbal explica que aprendeu «a meter saias, a fazer portas e a cozinhar».
Alguns anos mais velho, Leonel Silva já tinha vindo à Festa mas esta foi a primeira como militante da JCP. Depois de três anos como dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, decidiu aderir, em Março. O jovem da Universidade de Lisboa também destaca os conhecimentos aprendidos como a montagem de chão e paredes e enaltece a correspondência entre a realidade e aquilo que os murais procuram transmitir.
Ali ao lado, os murais a que deram vida denunciam os ataques ao ensino Básico, Secundário e Superior. Falam da «dignificação do ensino profissional» e da «reposição do passe escolar». Apelam ao voto na CDU e rejeitam a «agressão imperialista na Síria». Um deles, bastante explícito, dirige-se aos que afundam o País: «Vão para a troika que vos pariu». Em grande plano, um outdoor destaca aquela que será uma das mais importantes tarefas da JCP no princípio do próximo ano: o 10.º Congresso, sob o lema «Avante com Abril! Organizar, lutar, transformar».
Brigadas de Contacto
Uma das prioridades da JCP é a de levar as suas ideias e propostas aos jovens que visitam a Festa. As Brigadas de Contacto distribuem-se por todo o terreno e dedicam-se não só a dar-lhes a conhecer a JCP mas também a ouvir as suas preocupações. Tanto Cátia Matias como Leonel Silva participaram nas Brigadas de Contacto. A jovem de Setúbal explica que um dos documentos distribuídos se centrou no Congresso e o estudante da Amadora destaca a coincidência de opiniões entre a maioria dos visitantes e os brigadistas da JCP.
Do outro lado, na banca de venda de materiais, alguém centraliza sete recrutamentos e 23 contactos. Este foi o resultado de duas horas de conversa com centenas de jovens. No domingo, no comício de encerramento, é a Anabela Laranjeira que cabe, em nome da JCP, saudar os 300 visitantes que tomaram a decisão de ingressar na organização. Mais força para as duras lutas que se levantam por todas as partes e para levantar os ferros e as placas de madeira na próxima Festa.
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Debater na Cidade da Juventude
No debate «O graffiti veio para ficar/O governo está de saída», participaram Lúcia Gomes e André Martelo. A nova lei que penaliza ainda mais o graffiti e que pretende impedir a afixação e pintura de propaganda foi discutida na Cidade da Juventude. Como a melhor forma de conquistar e defender direitos é exercendo-os, dois grafiteiros pintaram a parede central do palco multiusos.
«É uma vergonha completa que se ataque aquilo que os meus velhos conquistaram há décadas». É assim que o artista Governo Corrupto, como prefere ser identificado, expressa a sua revolta. Explica que há 15 anos que pinta e que com ou sem lei vai continuar a fazê-lo. Para o grafiteiro, está claro que a lei visa calar a contestação. Sobre a Cidade da Juventude, refere que tem orgulho em ter pintado ali, que é uma grande Festa e confessa que só se arrepende de ter sido a primeira vez.
No domingo, o debate incidiu sobre Abril como ferramenta para mudar o presente e conquistar o futuro. Num contexto em que se pretende entregar os trabalhadores e o povo à miséria, os valores de Abril e os direitos da juventude estiveram em cima da mesa.
Olha o Agit!
O número mais recente do Agit! já está à venda e as páginas centrais estão dedicadas à Festa do Avante!. Ana Carolina, do colectivo do jornal, destacou também o lançamento do Congresso, o centenário de Álvaro Cunhal, o início do ano lectivo e as grandes linhas de trabalho junto dos estudantes, as autárquicas e o trabalho das autarquias em que a CDU é a primeira força. A dirigente da JCP refere que há uma boa aceitação do Agit! nas escolas e, principalmente, nos locais de trabalho.
Tocar é lutar
Esta foi a 16.ª edição do Concurso de Bandas para o Palco Novos Valores. Nos três dias, milhares de jovens encheram o espaço e deram corpo aos espectáculos dos diferentes grupos. Cada vez mais, este palco dá voz aos que não podem tê-la noutros locais. O direito à produção e fruição cultural desprezado pelos sucessivos governos PS, PSD e CDS-PP ganha importância no Palco Novos Valores.
Desta vez, o concurso esteve integrado na campanha eleitoral e evidenciou a validade das propostas da CDU em relação às questões culturais e às políticas de juventude. O Palco Novos Valores tem ganho ao longo dos anos o prestígio de ter dado espaço a grupos que se afirmaram, mais tarde, no panorama musical. Bandas tão diferentes como os One Love Family, os Yellow W Van, o Chullage, os Da Weasel ou Linda Martini passaram por aqui.
Exposição
Acompanhada de centenas de fotografias das mobilizações realizadas desde a última Festa, a exposição da JCP destacou, este ano, o 10.º Congresso da organização, o centenário de Álvaro Cunhal, o Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes que se vai realizar no Equador, em Dezembro, o papel da CDU e a exigência da demissão do Governo, de eleições antecipadas e a saída da troika.