Festa da solidariedade
Já dissemos, mas nunca é demais repetir, que a Festa do Avante! é terreno fértil onde se semeia a solidariedade de classe e germina o internacionalismo proletário. Mas este ano com redobrada razão o afirmamos. Em quatro organizações regionais do Partido, outras tantas iniciativas reforçaram a camaradagem dos comunistas para com a luta de povos irmãos, contribuindo, ainda, para a amplificação do esclarecimento sobre a situação concreta em cada um dos territórios.
Os momentos de solidariedade iniciaram-se na manhã de sábado, no Porto. O tema foi o Chipre e perante uma plateia bem composta e interessada, George Loukaides, responsável do Bureau das Relações Internacionais do Comité Central do AKEL, começou por agradecer «o apoio constante do PCP à luta dos cipriotas» e manifestou-se agradavelmente surpreendido com a Festa e o nível político e cultural dos seus participantes. «Ontem estive à conversa com um jovem de 17 anos que sabia mais sobre o meu país que uma parte considerável da juventude cipriota», exemplificou.
A ilha é um autêntico «porta-aviões» geoestrategicamente «fundeado» entre a Europa, a África e a Ásia. Daí a sua importância para o imperialismo que, desde o início do século passado – primeiro através do colonialismo britânico, derrotado pela resistência popular, e, posteriormente, por via de um golpe fascista que serviu de pretexto à invasão de uma parte do território pela Turquia – procura manter o povo cipriota subjugado aos seus interesses predadores, disse.
Apesar de várias resoluções da ONU condenarem a invasão turca, ocorrida em 1974, o território permanece dividido. As comunidades de origem grega e turca têm no AKEL o mais sólido defensor da resolução pacífica do conflito, posição reforçada com a eleição do comunista Demetris Christofas para a presidência da República.
E assim continuará a ser, não obstante o revés para as forças da paz e do progresso que significou a recente vitória eleitoral da extrema direita na área ocupada pela Turquia, continuou Loukaides.
Para o dirigente do AKEL, a luta política pela reunificação do país e as negociações entre as partes em conflito têm que responder a três questões fundamentais: a pobreza e os colonatos com os quais as autoridades locais turcas procuram inverter a balança demográfica; o cumprimento das resoluções das Nações Unidas e a devolução da cidade de Famagusta e do seu porto marítimo (o mais importante do país); a realização de uma cimeira com ambas as partes, com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a com a UE.
A encerrar este momento de solidariedade, Ângelo Alves, da Comissão Política, sublinhou as estreitas e frutuosas relações entre o PCP e o AKEL, partido com «espinha dorsal» que contribui activamente no combate por um outro rumo para a Europa, disse, e, em seguida, insistiu que a resolução da questão cipriota passa pela concretização de uma federação bicomunitária e bizonal.
Sempre presentes
Já ao início da tarde de domingo, no espaço da Organização Regional de Lisboa do PCP, a manifestação de solidariedade foi para com a luta do martirizado povo sarauí. Na iniciativa participaram Salem Lebsir, membro do Secretariado Nacional da Frente Polisário, e Bruno Dias, deputado do PCP na Assembleia da República.
Depois do governador da cidade de Dajla ter exposto sinteticamente o enquadramento histórico e a actualidade da luta do «povo do deserto», Bruno Dias insistiu que, nesta Festa construída a pulso, não podia faltar a solidariedade para com um povo que resiste e não desiste.
No Saara Ocidental, o ocupante marroquino ergueu o maior muro militar do mundo, prosseguiu. A iniciativa que aqui promovemos tem como objectivo relembrar esse e outros factos, mas visa, sobretudo, romper com o espesso muro de silêncio que se abate sobre as torturas, as atrocidades, a repressão e as prisões arbitrárias a que se encontram sujeitos os saarauís que vivem nos territórios ocupados.
«Só nós, os comunistas, rompemos esse muro de silêncio associando-nos à divulgação da causa saarauí, à mobilização e à luta contra a injustiça e o colonialismo», recordou ainda Bruno Dias.
Iniciativas semelhantes ocorreram igualmente no sábado, em Santarém e Setúbal, para com as lutas dos povos da Palestina e de Cuba, acções acolhidas com entusiasmo pelos visitantes que, seguramente, consolidaram a determinação em unir os seus esforços às lutas travadas na defesa da Palestina livre e soberana e da heróica revolução cubana.