Ponto de encontro do internacionalismo proletário
Visitado por milhares de pessoas e composto por dezenas de pavilhões de partidos comunistas, operários e organizações progressistas de todo o mundo, o Espaço Internacional foi o ponto de encontro do internacionalismo proletário.
Situado na ponta mais a Oeste do terreno da Atalaia, junto à entrada da Quinta da Princesa, o Espaço Internacional da Festa do Avante! esteve quase sempre repleto e, nas horas de maior afluxo de visitantes, praticamente intransitável.
As generosas sombras que ali se encontram, tornando a zona ideal para retemperar forças e seguir fazendo a Festa, explicam, em parte, a enchente. Mas na verdade estão longe, muito longe de serem a principal razão para tão numerosa concentração.
Primeiro, porque caminhando pelos corredores onde, de um lado e de outro, se dispõem os pavilhões dos partidos presentes; percorrendo as escadas que permitem passar entre socalcos, ou espreitando os recantos que as estruturas revelam, a imagem que sobressai é a de uma multidão em animado bulíçio, e não a de reconfortantes pausas.
Agitação que entra pelos pavilhões dentro, nos quais largas centenas de camaradas e amigos asseguravam as tarefas de funcionamento dos diversos espaços. Alguns fizeram-no quase em permanência durante os três dias. Muitos já haviam contribuído nas jornadas de implantação. Poucos denunciavam o trabalho necessário para manter aberta uma Festa ímpar.
Depois, porque os sossegos demasiado prolongados são desincentivados pela oportunidade de esclarecer dúvidas que fervilham em quem se inquieta com o estado do mundo. Ali estão dezenas de partidos comunistas, operários e organizações progressistas com informações frescas da luta.
O Espaço Internacional espicaça a conversa e o debate, motiva abraços fraternos, sorrisos e saudações cúmplices entre seres humanos que sabem e sentem ser camaradas.
E estes são igualmente retratos que ficam, como fica o gesticular esforçado para quebrar obstáculos linguísticos e trocar ideias, quase sempre concluído com o reforço dos laços da solidariedade entre os envolvidos.
Espaço vivo, convulso ainda, porque oferecendo uma tão grande variedade gastronómica e de artesanato, instiga a curiosidade dos visitantes e lembra-lhes a necessidade objectiva de saciar a fome e a sede. É ver o formigueiro constante de grupos de amigos e famílias atarefados em busca daquele petisco e daquela bebida de que se lembram ou lhes foi recomendada. Difícil é escolher.
A comida e as bebidas servidas nos bares e restaurantes acompanham a vontade de conviver. Esta sim, desencadeia autênticas festas dentro da Festa. E quando alguns partidos acrescentam às exposições, ao material de banca e aos comes e bebes, a música comprometida com a revolução, então os stands tornam-se locais de encontro de gerações que dançam e cantam nas tardes quentes ou noite dentro.
Alegria de ser comunista
Não. De facto não são as sombras aprazíveis que fazem transbordar o Espaço Internacional. É a vontade de viver intensamente a Festa nas suas várias dimensões; o desejo de saber mais e debater; a comovente disponibilidade militante que sobressai naquele mapa sem fronteiras. É tudo isto acrescido do superior conteúdo político ali patente.
Conteúdo que é um poderoso dínamo para despertar a consciência das massas, e que se expressou na exposição sobre a luta do PCP pela paz e contra a NATO, cuja cimeira a realizar em Portugal, em Novembro, obriga à mobilização de todos.
Que foi visível nas frases que recordam que o imperialismo e a guerra são inseparáveis da exploração e da opressão capitalistas, e que contra tal sistema se devem unir os trabalhadores de todo o mundo.
Que alertou nas paredes pintadas e nas telas gigantes para a necessidade de manter a solidariedade para com a luta dos povos de Cuba e da América Latina, do Iraque, do Afeganistão ou do Saara Ocidental.
Só podemos concluir que o que faz sobejar de gente o Espaço Internacional é o facto dele promover um ambiente são, ser um alento para desfrutar a vida e contagiar os que o visitam com a determinação de lutar para que o Sol brilhe para todos nós.
O que se observa, na verdade, não é a vontade de descansar à sombra, mas o vínculo com a classe e os povos oprimidos, o compromisso com os valores profundamente humanistas que o socialismo comporta.
É a manifestação de que «estar neste combate é uma felicidade». Quem resumiu nesta frase a imensa alegria de ser comunista e resistir, resistir sempre sejam quais forem as circunstâncias, foi António Dias Lourenço na última entrevista concedida ao Avante!.
Faltou a presença do camarada, recentemente desaparecido, no Espaço Internacional, esse ponto de encontro do internacionalismo proletário - pilar do Partido Comunista Português do qual ele foi destacado construtor.