Em Leiria e no País impõe-se uma viragem na política ambiental
Numa jornada pelo distrito de Leiria, no dia 20, João Oliveira defendeu uma «viragem na política ambiental», que inverta a política de privatização e desmantelamento dos serviços e sectores indispensáveis à defesa do ambiente e da qualidade de vida das populações.
PS e PSD têm um acordo tácito de defesa dos interesses do grande capital
«Sobra em propaganda o que falta numa política que considere o ambiente de forma integrada em todas as políticas sectoriais relevantes e nos objectivos de desenvolvimento do País», denunciou João Oliveira na sessão pública realizada no salão do Sport Império Marinhense, uma das históricas colectividades do concelho da Marinha Grande. Aí, criticou a privatização de serviços e sectores fundamentais – como a água, energia ou resíduos – e a degradação dos «meios e possibilidades de actuação dos serviços públicos destinados ao tratamento das questões ambientais».
A situação da Mata Nacional, grande parte da qual ardida em 2017, é reveladora desta realidade, como já antes tinha afirmado Heloísa Apolónia, dirigente do PEV e primeira candidata por aquele círculo eleitoral: a proposta de plano de acção da Mata Nacional, actualmente em discussão pública, abre a porta às indústrias da celulose e da biomassa, na exacta medida em que progressivamente a mantém afastada das populações, denunciou.
Essa «viragem na política ambiental» que a CDU defende, realçou ainda João Oliveira, passa por assegurar o «correcto ordenamento do território, abarcando várias dimensões, com enfoque na floresta, visando a prevenção de incêndios; o combate e adaptação às alterações climáticas; a defesa e conservação da biodiversidade; a salvaguarda dos recursos hídricos e a sua propriedade e gestão públicas; a redução, reutilização e reciclagem de resíduos». E, naturalmente, também a defesa da produção local e a promoção do transporte público. a criação do passe social intermodal foi a mais importante medida tomadas na últimas décadas ao nível ambiental, destacou.
Determinação de sobra
Em nome do PEV, José Luís Ferreira garantiu que a eleição de Heloísa Apolónia representará um «inestimável contributo para fortalecer a causa ecologista no nosso País», ou não fosse a candidata – e antiga deputada – «uma mulher de causas e valores» e uma «ecologista determinada». Com ela estará, na Assembleia da República, «a voz dos ecossistemas, da biodiversidade, dos rios, mas também das populações», acrescentou o dirigente do Partido Ecologista «Os Verdes».
A própria Heloísa Apolónia, que repete a candidatura de 2019, referiu-se à falta que tem feito, nas últimas décadas, representação parlamentar da CDU por aquele distrito, que dessa forma não tem tido uma voz que dê visibilidade aos seus problemas. Quanto a estes, salientou que «não tem havido vontade política para os resolver» e que é devido a opções concretas, e não a quaisquer inevitabilidades, que eles se mantêm sem solução. O voto na CDU é, pois, o que conta para lhes dar resposta.
Acordos e linhas vermelhas
Depois de José Luís Ferreira ter salientado que as eleições de 30 de Janeiro «são o resultado da estratégia do PS, com a cumplicidade do Presidente da República, de encenar uma crise política, provocar eleições antecipadas e utilizar a estratégia de vitimização como meio para tentar uma maioria absoluta», João Oliveira acusou PS e PSD de terem entre si um acordo tácito, calado, não declarado.
Este acordo, explicou o membro da Comissão Política e candidato da CDU, traduz-se numa linha vermelha «que ambos garantem não ultrapassar», a da submissão aos interesses do grande capital, ao qual estão, aliás, intimamente ligados por meio dessa «indecorosa porta giratória» entre membros de sucessivos governos do PS, PSD e CDS e os grupos económicos e financeiros. Muito embora não assumido, este acordo ficou evidente na convergência entre ambos os partidos para rejeitar as propostas de PCP e PEV para pôr fim à precariedade, aos horários desregulados e à caducidade da contratação colectiva.
Votar na CDU a 30 de Janeiro é, pois, trocar-lhes as voltas e «fazer justiça a quem trabalha», ao mesmo tempo que dá um firme combate aos projectos reaccionários e afirma um rumo alternativo de progresso e justiça social.
O voto na CDU, concluiu João Oliveira, é o «voto que decide naquilo que interessa à vida do povo e do País».
A importância da memória
Realizada na Marinha Grande apenas dois dias após o aniversário do levantamento operário de 18 de Janeiro de 1934, na sessão não foi esquecida a luta que os marinhenses travam contra a decisão da Câmara Municipal em retirar o monumento evocativo da revolta da zona central da Rotunda do Vidreiro. Alexandra Dengucho, que integra a lista da CDU e apresentou a sessão, garantiu que a luta pela democracia hoje passa também por evocar a memória dos que, antes de nós, resistiram e lutaram.
Modernizar a Linha do Oeste
A modernização, requalificação e electrificação da linha ferroviária do Oeste são reivindicações antigas das populações do distrito de Leiria e das forças de compõem a CDU. Isso mesmo lembrou João Oliveira junto à estação das Caldas da Rainha, onde falou aos jornalistas após uma viagem de comboio iniciada no Bombarral.
Acompanhado por Heloísa Apolónia e por outros candidatos da CDU, João Oliveira salientou que estas duas componentes – a acção do PCP e do PEV e a luta das populações – são fundamentais para que se concretize a requalificação total da linha, tanto ao nível da infra-estrutura como do próprio material circulante. A sua premência foi sentida pela comitiva da CDU durante a viagem.
A necessidade desta intervenção justificou-a João Oliveira por múltiplas razões: dos ganhos ambientais comprovadamente alcançados com uma aposta forte na ferrovia ao que implicaria no desenvolvimento regional e nacional, passando pela significativa melhoria da mobilidade das populações.