Onde há Portugal há Partido
Vindas de todo o território nacional e dispostas pelo vastíssimo e aprazível campo aberto, para conhecer todas as regiões presentes na 45.ª Festa foi necessário percorrê-la de uma ponta à outra e desta àquela. Nada que amedrontasse quem nela participou, que tinha todo o edificado mapeado e em localizações distintas, por companhia os demais visitantes e por horizonte o Tejo, o casario e ondulando alta a bela bandeira comunista.
Trazendo na bagagem uma variedade incontável de produtos e tradições, cada uma das regiões surpreende os visitantes motivando a provar ou a bisar muitos dos produtos, facilitando o pagamento por mbway e multibanco e a guarda da bagagem.
A presença das regiões é certa e vem de mão cheia – se vem! – tal é a diversificação de gostos, por isso, registá-las aqui serve para partilhar com os leitores de banca e de net aquilo que de 3 a 5 de Setembro voltou a confirmar-se: onde há País há Partido.
E há Festa do Avante!. Expandida além do Partido que a ergue, a Festa produz efeito em todos os visitantes: há quem a aproveite para se inscrever como militante, quem a leve até à luta na empresa ou na terra e até ao voto, quem pela vez primeira com respeito seja tratado por tu e por camarada e, depois com naturalidade, multiplique essa saudação, quem acedendo às tecnologias a promova mundo além e, quem de quadrantes políticos e sociais diversos – alguns até adversos – aceitando o convite de familiares ou amigos, elogie o ambiente encontrado. Aliás, nos dias vibrantes da sua realização com tanto a suceder em simultâneo, são milhares os construtores que a temperando com trabalho e dedicação trocam o debate, o concerto, o desporto, o filme, o descanso, a exposição, pelo cumprimento dos turnos nos quais desempenham tarefas nem sempre comuns no seu dia-a-dia.
E na Festa carregada de futuro nas regiões não se perde tempo para promover a reflexão crítica, seja através dos murais, das exposições, das celebrações, das publicações e dos debates. Porque quem se inteira das coisas está melhor informado sobre a coragem dos comunistas e seus aliados na CDU ao elevarem a política local exigindo obra feita seja a abertura de um caminho ou mais uma ponte ou permanecendo firmes junto aos vizinhos que lutam contra o despedimento. Mesmo que nem só de pão viva o homem, na Festa não se poupam esforços para trazer os melhores produtos da terra e do mar. Repondo energias aos visitantes, dando a conhecer a produção de cada região, os cheiros da rica e variada gastronomia volatilizados no ar a fazerem crescer água na boca, provam que se formos bem governados temos soberania alimentar garantida.
Na Festa de mão cheia transformam-se os alimentos para quem gosta de tudo ou faz algum regime alimentar, na modalidade de pegue e leve, e que são saboreados à sombra das árvores ou dos toldos dos restaurantes, tascos e tabernas ou de frente para o Rio.
Ao assumir a defesa e o consumo do melhor que é feito nas ilhas e no continente mostrou-se a competência e o trabalho na transformação da matéria bruta em um produto que, pode perdurar pelas gerações seguintes, acompanhando a evolução de cada tempo.
A variedade incontável de bens postos à disposição de todos cresce a cada edição, despertando os sentidos e reavivando memórias provocam até emoção a quem saiu da sua terra em busca de uma vida melhor ou conhece a história dos seus antepassados.
Iniciemos, então, o percurso pelo nosso País, onde o festejo dos 100 anos do Partido, as eleições autárquicas do próximo dia 26 de Setembro com o voto na CDU, a defesa do trabalho e da escola contra a epidemia tiveram especial destaque, em cada stand.
No Algarve um mural alusivo ao Centenário feito pelo artista Manuel Braz a partir de um pormenor dos Desenhos da Prisão, de Álvaro Cunhal, mantinha a memória da resistência ao fascismo. As lutas que a epidemia não confinou, as eleições autárquicas, as soluções para o Algarve sem dependência do turismo e a construção de novo hospital estavam expostas. Cestaria e chapéus de palha na banca, e marisco, doçaria e sumo de figo da índia no restaurante. Este espaço acolheu o debate Solidariedade com o povo ucraniano.
Em Lisboa na feira da ladra, no alfarrabista, no coleccionador, no sai-sempre e nas lojas, objectos de uso quotidiano ou alusivos à Revolução e ao Partido. Uma escultura de grande dimensão com os símbolos comunistas e uma moldura com a inscrição Eu voto CDU Autarquias 2021 foram cenário para fotografias de grupos ou selfies. Murais apontando à confiança na CDU, a apresentação de seis propostas do PCP para a saúde como a quebra da patente prescritas numa receita e, a passagem contínua de um documentário com a actividade do PCP num LCD ou um código QR «Luta, toma Partido, adere ao PCP». Churrasqueira, tascas, hamburgaria, frutas e pastelaria serviam uma variedade ímpar de produtos.
Muito concorrido, o espaço O Fado é do povo apresentava seis fadistas e três músicos, a cada noite. Sem arredar pé, o público pedia «bis», acompanhando alguns fados com voz e palmas ritmadas. Com a Marcha do Jornal Avante!– letra e música de Fernando Farinha –, o fecho constituía um dos momentos altos, a par da entrega pela Organização de uma placa com grafismo da Festa a cada artista. Neste espaço debateram-se o risco de um aeroporto dentro de Lisboa e exigiu-se um novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, a CDU na Área Metropolitana de Lisboa, e a sessão internacionalista de solidariedade com o povo cubano pondo fim ao bloqueio dos EUA.
Foi apresentado o 29.º Caderno Vermelho, pelo Sector Intelectual da ORL, dedicado aos 100 anos do Partido e à COVID-19.
Viseu rendeu justa homenagem aos que lutaram pela Liberdade e ao Centenário do Partido, nos murais. A posta de vitela arouquesa, de novo, confeccionada pel’ O Malhadinhas, os vinhos premiados, petiscos e a doçaria, na taberna e no restaurante.
Em Vila Real, igualmente justa a homenagem prestada a Bento Gonçalves (1902-1942) – Secretário-geral do Partido entre 1929 e 1942, altura em que foi assassinado pela PIDE no Tarrafal, relevando a sua luta heróica, numa exposição e num debate.
No Porto relevo para as propostas do Partido dirigidas aos pequenos e médios empresários de actividades tradicionais (mobiliário, ourivesaria, têxteis), a urgência da nacionalização da Efacec, da Petrogal (cuja renda representa 129 milhões de euros de rendimento para as famílias do distrito), o Porto de Leixões e a Universidade. Nas bancas, estampavam-se nas t-shirts ideias que fazem reflectir, como Paz Sim! Nato Não! ou a minha primeira Festa Avante, ourivesaria em filigrana, couros e calçado para todas as estações. Em debate, a Petrogal – as mentiras e ilusões. Responsáveis e cúmplices de um crime económico.
Em Bragança os 100 anos do Partido deram o mote à exposição sobre a resistência e a luta no Nordeste Transmontano porque enquanto outros esquecem, procuram soluções milagrosas e defendem a privatização, o PCP propõe, reivindica e defende o desenvolvimento do distrito desde o Complexo Agro-Industrial do Cachão, à estrada e à ferrovia. Na banca, salientava-se o azeite, os vinhos e o mel, entre outra produção.
Santarém com o Centenário do Partido exposto em painéis e a reivindicação da reposição das freguesias a ocupar a pintura mural. Na solidariedade internacionalista debateu-se Sara Ocidental, livre e soberano!
Setúbal notabilizou o excerto «Um Partido como o nosso capaz de todos os sacrifícios para libertar o homem. Luta necessariamente para libertar o artista», da obra O Partido com Paredes de Vidro, de Álvaro Cunhal, pintando-o em mural. Imagens históricas documentavam as lutas desde a década de 1930 como a fotografia da bandeira comunista içada na grande chaminé da CP-Barreiro, do conjunto de oito bandeiras comunistas ou vermelhas erguidas em 28 de Fevereiro de 1935. Uma escultura de grande dimensão realizada em metalurgia com os símbolos comunistas, bem como, as exigências das populações, em murais. Em debate, a produção e o desenvolvimento da Península, e uma conversa com candidatos locais da CDU, e a Solidariedade com o povo colombiano.
Em Castelo Branco e Guarda uma exposição das lutas noticiadas no Avante! desde a década de 1940, ao longo de uma linha temporal e por sector de actividade, e justas homenagens aos militantes comunistas Francisco do Nascimento Gomes, assassinado pela PIDE no Tarrafal, e Manuel Guilherme de Almeida, um dos fundadores do Partido.
Dos Açores chegou artesanato em escama de peixe e crochet, chá, conservas, vinhos de mesa e licores – em garrafa ou cálice –, queijos e doçaria.
Braga teve por tema central a luta e o progresso, apresentando as lutas nos têxteis. Realizados dois debates: Victor de Sá – uma vida de acção, cívica, política e cultural, e a participação das mulheres no Poder Local: a situação no distrito. Peças de colorido artesanato feitas por oleiros conceituados, na banca, e vinhos, doçaria conventual e gastronomia regional, no tasco e no restaurante.
Em Coimbra destaque para as lutas e movimentos dos pequenos e médios agricultores desde 1909, ligando-os quer à actualidade das propostas comunistas como a defesa da agricultura familiar e o estimulo à produção de bens alimentares, quer à comemoração do Centenário do Partido lembrando que a questão agrária faz parte do seu programa fundador. Da região vieram a gastronomia e produtos para o restaurante e a banca. E em debate internacionalista esteve a Solidariedade com a Venezuela Bolivariana!
Aveiro uniu a foice, o martelo e a estrela às actividades industriais da terra e do mar, num mural. Exposta em grande vitrine refrigerada a doçaria para comer na esplanada ou acondicionada para levar, assim como os vinhos e o habitual leitão no prato ou na sandes.
No Alentejo uma taberna com rádio, vinho da talha, bancos, mesa e balcão atraía os visitantes e de tão apelativa a muitos apeteceu pegar na refeição ou no petisco e usá-la. Em debate a obra feita e a projectada para o futuro, os 100 anos de luta com o povo e os trabalhadores e, Palestina livre e independente, na solidariedade internacionalista.
Em Viana do Castelo o mural da autoria do pintor Cipriano Oquiniame e os corações de fios entrançados a lembrar a filigrana decoravam o stand. Bordados e brinquedos de madeira, na banca, e petiscos e vinhos na adega voltaram a mobilizar um grupo de amigos galegos a participar nos turnos.
A Madeira prendeu a atenção a quem passava com a seguinte transcrição no sotaque ilhéu: «Deia 26 de Setembre cuaminha de casa e pranta-lhe o vóte na CDU! Deita sentide! (…) Vamilhá!”
Ainda, homenageou o «Mestre Anjos Teixeira, uma obra militante», cujas esculturas de rua celebram o trabalho.
Em Leiria os murais intitulados «Um povo sem memória é um povo sem futuro!», sobre a Fortaleza de Peniche, o jornal Avante!, e o futuro de confiança (que pode ser conseguido com o voto na CDU já no próximo dia 26), a luta dos trabalhadores – passado, presente e futuro. No restaurante, a sardinha assada, de entre mais pitéus, vinhos e ginja, na tasca e, o pão com chouriço, na padaria.