Partilhar experiências, aspirações e lutas
Com a participação na Festa de mais de 40 partidos comunistas e operários e organizações progressistas de quatro continentes (ver caixa), o Espaço Internacional – onde esteve patente a exposição «100 anos de lutas no mundo» – acolheu as mostras de gastronomia, música, artesanato dos países representados e foi palco de debates em que se trocaram experiências, se aprofundou o conhecimento de processos revolucionários, se reafirmaram objectivos comuns das lutas dos trabalhadores e dos povos pela paz, a liberdade, a soberania, o progresso social.
Lutas com história e futuro
«África – não à ingerência e ao neo-colonialismo!» foi o tema do primeiro de seis debates realizados no Espaço Internacional. Dirigido por Pedro Guerreiro, do Secretariado do Comité Central do PCP, participaram também Francisco Pereira, secretário-geral adjunto do PAICV, de Cabo Verde; Iafai Sani, do PAIGC, e deputado guineense; Elias Muthemba, primeiro secretário do círculo em Lisboa da FRELIMO, de Moçambique; e Paulo Carvalho, do MPLA, e deputado angolano.
Lembrando que em 2021 passaram 60 anos desde o início da luta armada de libertação nacional dos povos das então colónias africanas «portuguesas», Pedro Guerreiro evocou a luta comum contra o fascismo e o colonialismo e as relações de amizade e cooperação entre o PCP, o PAIGC, o MPLA e a FRELIMO, «legado que não esquecemos e de que nos orgulhamos», e reafirmou a solidariedade, hoje, dos comunistas portugueses com os povos angolano, moçambicano, guineense, cabo-verdiano e santomense.
Seguiu-se o debate «100 anos de lutas no mundo», com intervenções iniciais de Albano Nunes, da Comissão Central de Controlo do PCP; Jose Luis Centella, presidente do Partido Comunista de Espanha; Vincent Boulet, do Conselho Nacional do Partido Comunista Francês; Gyula Thurmer, presidente do Partido dos Trabalhadores Húngaros ; e Maurizio Acerbo, secretário nacional do Partido da Refundação Comunista-Esquerda Europeia, de Itália.
Albano Nunes evocou os 100 anos de lutas do PCP e dos povos pela democracia, paz e socialismo, «com avanços e recuos», lembrando vitórias históricas deste período – entre outras, a Revolução de Outubro; o triunfo sobre o nazi-fascismo, na II Guerra Mundial, com a participação decisiva da União Soviética; o ascenso do movimento de libertação nacional na Ásia e em África; a Revolução Chinesa, em 1949; a Revolução Cubana, em 1959; a derrota imperialista na Guerra do Vietname; e as lutas contra a NATO, contra o racismo, pela igualdade das mulheres, pela emancipação dos trabalhadores por todo o mundo.
Soberania e progresso
Sempre com muita e interessada assistência, o ciclo de debates continuou com o tema «Pela paz, a soberania, o progresso social!», moderado por Luís Carapinha, da Secção Internacional do PCP, e com intervenções de Morakot Vongxay, do Partido Popular Revolucionário do Laos; Khai Hoan Le, do Partido Comunista do Vietname; Ilona Bakun, do Partido Comunista da Bielorrússia; e Fernando Gonzalez Llart, do Partido Comunista de Cuba, deputado e presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos.
Ângelo Alves, da Comissão Política do Comité Central do PCP, dirigiu o debate «Por uma Europa de cooperação e paz – Não à NATO!», em que intervieram também Renate Koppe, secretária internacional do Partido Comunista Alemão; André Crespin, do Departamento Internacional do Partido do Trabalho da Bélgica; Elias Demetriou, do Comité Central do Partido Progressista do Povo Trabalhador (AKEL), de Chipre; Luca Cangemi, do secretariado nacional do Partido Comunista Italiano; e Mylan Krajco, do Partido Comunista da Boémia e Morávia, da República Checa.
Na tarde de domingo, realizou-se o debate «Pela paz no Médio Oriente», dirigido por Jorge Cadima, da Secção Internacional do PCP, com a participação de Firas Masri, do Partido Comunista Libanês; Faez Badawi, da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP); e Canberk Koçak, do Partido Comunista da Turquia.
Também com grande participação, o último debate no Espaço Internacional da 45.ª edição da Festa do Avante! centrou-se na «Luta e resistência na América Latina» e foi moderado por João Pimenta Lopes, do Comité Central do PCP e deputado no Parlamento Europeu. Intervieram Victoria Foronda, do Partido Comunista da Bolívia; Moara Crivalente, do Partido Comunista do Brasil; Marcos Suzarte, do Partido Comunista do Chile; Jaime Cedano, do Partido Comunista Colombiano; Roy Daza, da Secretaria Executiva da Vice-Presidência do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV); e, uma vez mais, Fernando Gonzalez Llart, do Partido Comunista de Cuba.