Erosão costeira na Apúlia
Na Apúlia, concelho de Esposende, estão bem visíveis na linha de costa problemas que são o resultado da intervenção humana. Não é caso único, sendo observável noutro pontos do País, como por exemplo a sul da Figueira da Foz. Falamos da acentuação da erosão costeira, fruto nomeadamente do alargamento e construção de molhes que vieram criar dificuldades não apenas aos que vivem da pesca naquele lugar mas a toda a comunidade que ali vive ou trabalha, incluindo a actividade económica e em particular a restauração.
O problema suscita diferentes olhares sobre a forma de o resolver e isso foi expresso na reunião com a população. No essencial, as opiniões dividem-se entre quem ache que o avanço do mar é inexorável, pelo que, de «forma pensada», ainda se pode salvaguardar bens e deslocar actividades, posição defendida pela associação ambientalista «Assobio». Em sentido inverso, os que defendem que «há soluções tecnicamente viáveis», que se «deve intervir e é possível defender a costa», mantendo as actividades actuais. Numa coisa, porém, todos estão de acordo: a criação de molhes foi um erro e o projecto e forma de proceder da Agência Portuguesa do Ambiente são incorrectos.
«Não são contraditórias e contribuem para o retrato da situação que está criada», foi como João Oliveira encarou as duas leituras, que servem para identificar preocupações e devem ser tidas em conta na na definição das medidas de política a tomar.
Seja como for, para o PCP, não pode deixar de ser dada prioridade à «sobrevivência e à subsistência das comunidades humanas e à manutenção da ocupação do território de uma forma equilibrada».
«Não parece ser adequado dar como arrumada a questão e provocar a deslocação de uma comunidade inteira para um outro lugar qualquer, secundarizando as preocupações sociais que têm que estar colocadas numa primeira linha da decisão política», sublinhou João Oliveira.