A mais bela conquista de Abril
Entre as conquistas revolucionárias ressalta, pelo seu significado e alcance, a Reforma Agrária, que Álvaro Cunhal considerava a «mais bela conquista da revolução». Obra dos assalariados rurais do Ribatejo e Alentejo, com grande participação dos comunistas, a Reforma Agrária pôs fim ao latifúndio, ao absentismo e ao desemprego crónico que caracteriza esta forma de exploração fundiária.
Em poucos meses, foram ocupados e expropriados 1140 mil hectares de terra na posse dos agrários (mais de um quinto da superfície agrícola do País) e constituídas mais de meio milhar de unidades colectivas de produção e cooperativas. Por acção dos próprios trabalhadores, terras antes abandonadas foram desbravadas e cultivadas; a produção agrícola e pecuária atingiu níveis inéditos; novas culturas foram introduzidas; aumentou o número de postos de trabalho; novas máquinas foram adquiridas e importantes investimentos realizados; equipamentos sociais até aí inexistentes, como creches e centros de apoio aos idosos, foram erguidos um pouco por toda a região.
Álvaro Cunhal foi um defensor entusiástico da Reforma Agrária: incentiva a sua concretização desde a primeira hora e apoia a ocupação de terras pelos trabalhadores; nos anos da contra-revolução, apela e mobiliza para a sua defesa. Mas foi mais do que isso. Depois de ter escrito, na prisão, a «Contribuição para o Estudo da Questão Agrária», aponta, no «Rumo à Vitória» – obra maior de Álvaro Cunhal, que enquadra o Programa do PCP para a Revolução Democrática e Nacional, de 1965 –, a Reforma Agrária como um dos oito pontos fundamentais da revolução portuguesa.
A Reforma Agrária efectivamente realizada foi muito mais rica do que qualquer teorização sobre ela, mas não deixa de ser também verdade que o sólido património teórico e programático do PCP foi fundamental para a sua concretização.
A Reforma Agrária foi já destruída e as terras foram devolvidas aos agrários; o desemprego, a miséria, o abandono voltaram aos campos do Sul do País; Portugal importa grande parte dos alimentos que consome. Mas os grandes avanços alcançados com a Reforma Agrária são inapagáveis da memória colectiva.