Soberania e independência
A soberania e a independência nacionais – seriamente comprometidas por 37 anos de política de direita, 25 anos de integração capitalista na UE e nos dias de hoje pelo pacto de agressão assinado entre a troika interna do PS, PSD e CDS e a troika externa do FMI, UE, BCE – é um dos temas transversais ao pensamento político marxista-leninista de Álvaro Cunhal. Baseado na análise da realidade concreta do País, Álvaro Cunhal soube relacionar de forma dialética a luta por profundas transformações sócio-económicas com a defesa e afirmação da soberania e da independência do País.
Álvaro Cunhal assinalou mesmo o carácter histórico da política de traição nacional das classes dominantes e chamou a atenção para o facto de terem sido as massas populares a assumirem a causa dos interesses nacionais e a defesa de Portugal como nação: foi assim na revolução de 1383-85, que magistralmente analisou em «As lutas de classes em Portugal nos finais da Idade Média»; foi assim durante a ditadura fascista, que tão corajosamente combateu; é assim hoje.
Álvaro Cunhal compreendeu que, nos anos do fascismo, Portugal era ao mesmo tempo um País colonizador e colonizado – «Portugal tem um Ultramar, porque é o “Ultramar para outros”» – apontando a independência das colónias e a libertação do imperialismo como objectivos fundamentais da Revolução, essenciais para a concretização das grandes transformações políticas, económicas, sociais e culturais.
Já nos anos da contra-revolução, Álvaro Cunhal e o PCP opuseram-se à adesão à então CEE. Esta, representando os interesses dos grupos monopolistas, levaria à liquidação de amplos sectores da economia nacional. Uma vez mais, tinham razão.