Fortes adesões na Educação

Dia sem aulas

Centenas de milhares de alunos não tiveram aulas

Image 9211

A greve geral teve, dos professores, educadores e investigadores, «uma forte adesão» que, «em muitos casos, supera os valores verificados há um ano». A Fenprof informou, ao início da tarde de dia 24, que o número de escolas encerradas era «muito elevado o que, inclusivamente, impede que, com rigor, se possa, durante o dia de hoje avançar com uma percentagem». O comunicado incluía uma lista com cerca de duas centenas de escolas encerradas ou sem aulas, a título de exemplo (mais informação seria publicada pelos sindicatos nos respectivos sites), e situava entre 60 e 85 por cento os níveis de adesão nas escolas onde fora possível apurar informação. «Nas principais cidades, de Norte a Sul, praticamente não houve aulas, sendo as escolas secundárias as que, claramente, são mais afectadas pela forte adesão de docentes e trabalhadores não docentes», resumia a federação.

A Fenprof afirmava, por outro lado, que no Ensino Superior se registava «uma grande adesão» à greve geral e que «praticamente não há aulas e esta é, seguramente, uma das maiores greves de sempre dos professores do Ensino Superior e investigadores». «Entre muito exemplos», referiu fortes adesões no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, nas faculdades de Ciências, Letras, Arquitectura, Ciências da Educação e Psicologia da Universidade do Porto, no Instituto Superior Técnico, na Universidade do Algarve, nas faculdades de Ciências e Farmácia da Universidade de Lisboa, no pólo de Ciências Sociais e Humanas da Beira Interior, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, no ISCSP da Universidade da Madeira, no pólo de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, na Universidade de Aveiro e na Universidade do Minho.

 

Manipulação

 

«Seria digno de registo no livro de recordes que apenas 1,5 por cento dos trabalhadores da Educação conseguissem encerrar muitas centenas de escolas em todo o País» ou que, «se porventura tivessem estado ao serviço 98,5 por cento dos trabalhadores da Educação, centenas de milhares de alunos não tivessem aulas» comentou a Fenprof, a propósito das informações que o Governo tornou públicas dia 24.

Numa primeira informação, às 11.30, a direcção-geral da Administração e do Emprego Público declarou uma taxa de adesão de 3,6 por cento. Às 18 horas subiu-a para 10,48 por cento, indicando a Educação como o Ministério com menor índice (1,5 por cento).

As impossibilidades apontadas pela Fenprof vêm denunciar «uma intencional falta de rigor, reveladora de uma despudorada manipulação dos números de adesão à greve geral na Educação, sem ter feito o devido levantamento junto das escolas, dos agrupamentos e das instituições de Ensino Superior».


Fora das messes

 

Na sua esmagadora maioria (cerca de 85 por cento), os sargentos dos três ramos das Forças Armadas não compareceram no dia 24 nas messes e utilizaram o período do almoço para reflectirem sobre os seus problemas. Num comunicado que divulgou no dia da greve geral, a Associação Nacional de Sargentos congratulou-se com tal resposta e realçou a adesão a esta iniciativa, de cerca de 90 por cento, registada «nas unidades operacionais por excelência: bases aéreas, regimentos, unidades navais e unidades de forças especiais». «Desta forma, sem que a missão fosse posta em causa, os sargentos portugueses de todas as unidades a nível nacional demonstraram, com extrema elevação, disciplina e sentido de servir o País, a sua profunda indignação com as medidas que o Governo pretende implementar, por serem injustas e desproporcionadas, por transformarem as suas vidas e das suas famílias num autêntico inferno, mas simultaneamente por descaracterizarem as Forças Armadas, pondo em risco a capacidade operacional e os níveis de cumprimento das missões constitucionalmente atribuídas, potenciando o perigo de perda de soberania e independência nacional» – afirma a ANS.

«Da maior importância» foi o facto de militares de outras categorias terem também aderido. A Associação de Praças fez um apelo semelhante, mas não era conhecida informação sobre a adesão.

«Sem desfalecimentos e com redobrada confiança», a «defesa da instituição militar» iria prosseguir no passado sábado, no Funchal (de manhã) e em Ponta Delgada (à noite), salientando a ANS que pela primeira vez nestes encontros regionais iriam estar os presidentes das três associações profissionais de militares.

 

Hoje de novo

 

A ANS e as associações de oficiais (AOFA) e de praças (AP), cumprindo a decisão aclamada dia 12, no Terreiro do Paço, pelos mais de dez mil participantes na manifestação de militares, divulgaram um cartaz-apelo conjunto, para dois actos que terão lugar hoje: pelas 14 horas, nas galerias da Assembleia da República, dirigentes associativos e outros militares vão «testemunhar a aprovação do iníquo Orçamento do Estado para 2012»; a partir das 18 horas, tem lugar uma vigília no jardim fronteiro ao Palácio de Belém, com a qual procuram «sensibilizar» o Presidente da República para não promulgar o OE 2012.

 



Mais artigos de: Em Foco

Uma força imensa para derrotar o pacto de agressão e salvar o País

A greve geral de 24 de Novembro constituiu uma «derrota para a campanha ideológica que procura apresentar a política de retrocesso como inevitável e a luta como inútil» e foi em si mesma uma «afirmação de dignidade e combatividade de milhões de trabalhadores que abdicaram de um dia do seu salário, para a defesa e afirmação do valor maior do protesto contra o agravamento das suas condições de vida e da acção para salvar o País do desastre». Palavras de Jerónimo de Sousa na Declaração enviada às redacções no próprio dia da greve e que a seguir se transcreve na íntegra.

Confiança redobra

A CGTP-IN classificou a jornada de 24 de Novembro como «a maior greve geral de sempre, dos sectores público e privado». O atributo, inscrito numa primeira saudação que foi publicada no sítio www.grevegeral.net, com um excerto da comunicação de Carvalho da Silva na...

A greve geral mostrou-se nas ruas

Uma greve habitualmente não se vê, sente-se. Fazer greve é faltar ao trabalho. Sente a greve, primeiro, quem a faz. Quem se junta aos piquetes de greve – alguns deles visíveis nos principais acessos de algumas empresas e serviços – não...

Lisboa - Unidos e firmes

Assaltados nos seus salários e direitos; confrontados com a regressão das condições de vida da esmagadora maioria dos portugueses, mas unidos e firmes na vontade de reconduzir o País ao projecto de Abril roubado por décadas de...

Setúbal - Tradição combativa que se reforça

Não renegando a sua tradição combativa, os trabalhadores da Península de Setúbal aderiram de forma massiva à greve geral. Num comunicado do próprio dia, a União dos Sindicatos falava do «aumento generalizado das adesões em...

Porto - Sementes de futuro

Começar pelo fim é o melhor princípio, relatando a tarde soalheira do dia 24 em que muitos milhares de trabalhadores e população se concentraram na Praça da Liberdade – respondendo ao apelo da União de Sindicatos do Porto –, quando...

Braga - A maior de sempre

O impacto da greve geral em Braga foi sentido por todo o distrito. A concentração convocada pela União de Sindicatos de Braga (USB) da CGTP para a tarde da quinta-feira, no centro da cidade de Braga, juntou mais de mil pessoas. Adão Mendes, coordenador da...

Coimbra - Ampla participação

Em Coimbra, à semelhança do resto do País, a greve geral constituiu uma grande jornada de luta. Milhares de grevistas concentraram-se na Praça 8 de Maio, onde ouviram as intervenções de balanço da greve, aprovaram uma moção de...

Parados contra o roubo

«De Norte a Sul do País, estão encerradas centenas de escolas dos vários níveis de ensino; hospitais a funcionar só com serviços mínimos e centros de Saúde sem quaisquer consultas; serviços do Instituto da Segurança...

Uma força imensa no Alentejo

No Alentejo, os trabalhadores participaram, no dia 24, numa grandiosa jornada de luta contra a exploração e o empobrecimento, pelo emprego, salários, direitos e serviços públicos. Nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e no Litoral Alentejano houve...

Grandiosa na indústria

A «grandiosa» greve geral de 24 de Novembro foi «uma das maiores paralisações de sempre, nos sectores representados pelos sindicatos da Fiequimetal», afirma a federação, numa saudação que divulgou no dia seguinte, dirigida aos...

Aveiro - Magnífica resposta

A greve geral teve um forte e real impacto político, social e económico no distrito de Aveiro. Foi claramente superior à greve geral de 2010, confirmando-se como «um assinalável êxito e uma magnífica resposta» à ofensiva do patronato...

Guarda - Expressiva adesão à luta

No Distrito da Guarda a greve geral fez-se sentir por todo o distrito, com destaque para o sector público onde se registaram fortes adesões na área da Saúde quer no Hospital de Seia quer no Hospital da Guarda, com muitos serviços encerrados logo a partir das...

Viseu - Um passo em frente

Em boa verdade se pode considerar que a greve geral no distrito de Viseu não destoou do todo nacional, mesmo tendo em conta um quadro particularmente difícil para a organização do trabalho sindical e um ambiente ainda muito permeável ao discurso ideológico da direita e aos...

Castelo Branco - Firmeza e coragem

A greve geral no distrito de Castelo Branco, ao contrário do que o Governo e seus propagandistas procuraram fazer passar, contou com a forte, determinada, corajosa e firme participação de muitos trabalhadores, quer do sector público quer do sector privado. A testemunhar essa realidade...

Viana do Castelo, Vila Real, Bragança

Milhares de trabalhadores fizeram greve nos mais variados sectores de actividade do distrito de Viana do Castelo, dando assim um sinal claro ao Governo e ao patronato de que é o tempo de mudar o rumo das políticas. A paralisação teve expressões muito significativas nos transportes...

Leiria, Santarém, Faro - Greve e protestos vencem ameaças

Os trabalhadores do distrito de Santarém contribuíram para o sucesso da greve geral, tendo provocado o encerramento de muitas dezenas de escolas e infantários. Houve participações superiores a 80 por cento nas câmaras e freguesias e acima dos 60 por cento nos hospitais distritais....

Açores e Madeira

Significativa foi a participação dos trabalhadores das regiões autónomas. Nos Açores a adesão foi maior no sector público mas também ocorreram casos assinaláveis em algumas empresas do sector privado. No aeroporto de Ponta...

JCP saúda

«O ataque é brutal, a greve foi geral!» – destaca a Juventude Comunista Portuguesa, numa nota que divulgou à imprensa no dia 25 e em que afirma a certeza de que «os jovens trabalhadores estão mais fortes para enfrentar o inimigo, a política...

PEV assinala avaliação negativa

«Ao contrário do que a troika fez há poucos dias (sem surpresas), os trabalhadores portugueses fizeram hoje uma avaliação muito negativa da acção do Governo e da implementação da austeridade, aderindo em grande massa à greve geral», comentou o...

Solidariedade internacional

A CGTP-IN divulgou uma série de saudações que recebeu de organizações sindicais estrangeiras e internacionais, solidarizando-se com a greve geral em Portugal, designadamente: da FSM – Federação Sindical Mundial e de suas estruturas...