Aveiro - Magnífica resposta
A greve geral teve um forte e real impacto político, social e económico no distrito de Aveiro. Foi claramente superior à greve geral de 2010, confirmando-se como «um assinalável êxito e uma magnífica resposta» à ofensiva do patronato e do Governo contra os direitos dos trabalhadores, afirma a União dos Sindicatos daquele distrito.
No sector privado verificou-se elevados níveis de adesão, nomeadamente em importantes empresas de diversos sectores, como a Renault/Cacia em Aveiro que logo na noite de 23 regista uma paralisação de 75 por cento dos trabalhadores, a Socori e a Amorim Cork Composites, ambas do sector corticeiro de Santa Maria da Feira, com 80% e 50% de adesão, respectivamente.
Também a linha de montagem de torneiras da Grohe de Albergaria-A-Velha registou logo às primeiras horas da greve uma ausência ao trabalho de 60% dos seus operários, verificando-se ainda altos níveis de adesão noutras empresas da indústria transformadora como a FUNFRAP.
Outras empresas do sector corticeiro deram também um assinalável contributo para a greve geral, com a produção quase parada, como a Amorim Revestimentos (90%), a ICL (06,25%), a ICAL (100%), o mesmo acontecendo com empresas do calçado, casos da Christian Dietz (100%), Glessmioni (100%) e Move-On (90%).
Profundamente afectadas por esta forma superior de luta dos trabalhadores foram igualmente as empresas têxteis, de que são exemplo a Califa ( 90%), a Huber (60%) ou a Trecar (505), merecendo ainda realce as paralisações em vários hipermercados (Recheio de Aveiro, com 66% e Pingo Doce de Espinho com 60% de adesão).
A adesão à greve geral foi também muito significativa no sector público, com várias dezenas de escolas encerradas em todo o distrito (como em Estarreja, Anadia, Ílhavo, Murtosa, S. João da Madeira ou Águeda), realidade idêntica à constatada nos serviços de Saúde (encerrados ou a funcionar apenas com os serviços mínimos) e, bem assim, no poder local, com a MoveAveiro paralisada a 100% e com dezenas de serviços e câmaras municipais encerrados ou com taxas de adesão muito perto desse pleno.
Um destaque neste distrito vai ainda para a realização de Praças de Informação, da iniciativa da CGTP-IN, ao início da tarde, nos seus principais centros urbanos e industriais, nomeadamente Aveiro. S. João da Madeira, Águeda, Ovar e Santa Maria da Feira, espaços abertos ao convívio e à intervenção política, por onde passaram no conjunto mais de mil trabalhadores que assim puderam acompanhar a par e passo e com informação actualizada o evoluir da greve geral.