Grandiosa na indústria
Há força para continuar a resistir
A «grandiosa» greve geral de 24 de Novembro foi «uma das maiores paralisações de sempre, nos sectores representados pelos sindicatos da Fiequimetal», afirma a federação, numa saudação que divulgou no dia seguinte, dirigida aos muitos milhares de trabalhadores da metalurgia, indústrias eléctricas, química, farmacêutica, celulose, papel, gráfica, imprensa, energia e minas, que paralisaram o trabalho, participaram nos piquetes de greve, nas manifestações e nas outras acções que se realizaram por todo o País.
A maior estrutura sectorial da CGTP-IN na indústria realça que «o êxito da greve geral constitui um poderoso estímulo para prosseguirmos a luta, nas empresas e na rua», em torno de quatro objectivos: o aumento dos salários, a estabilidade do horário de trabalho, o combate ao aumento da semana de trabalho em 2,5 horas, e a batalha contra a precariedade. «A greve geral demonstrou que temos força e podemos impedir que o Governo e o patronato transportem para o Código do Trabalho estes e outros objectivos gravosos que, até agora, não conseguiram aplicar, por força da resistência e da luta dos trabalhadores nos locais de trabalho», destaca a federação, que exorta «todos os trabalhadores a continuarem mobilizados e preparados para desenvolverem a acção reivindicativa nas suas empresas e para participarem nas acções que vamos ter de realizar, desde já na semana de luta, de 12 a 17 de Dezembro, anunciada nas concentrações do dia da greve geral».Vários nomes de empresas, nalguns casos com detalhe de locais de trabalho e de turnos, com os níveis de adesão verificados, foram sendo divulgados desde a noite de 23, quer no sítio Internet do PCP – com actualização permanente, fotos e vídeos e com telejornais – e também na página da CGTP-IN, onde um documento com 85 páginas apresenta a última actualização de dados.
Aí encontramos grandes unidades industriais, com índices de adesão muito elevados, que chegaram a provocar a paragem da produção, como a Autoeuropa e a generalidade das empresas do parque industrial de Palmela (Inapal Plásticos, SAS, SPPM, Webasto, Bentler, Vanpro, Faurecia, Visteon), a Lisnave (incluindo a empresa criada para trabalhar com empreiteiros), a Secil (Setúbal) e a Secil Prebetão (Coimbra), a cerâmica Abrigada (Alenquer), a Robert Bosch (Abrantes), a Groz Beckert (Vila Nova de Gaia), as minas da Panasqueira, a Portucel (Leiria), a Carveste (Belmonte), a Metalo-Nicho (Arraiolos), a Centralcer, a Saint Gobain Glass (ex-Covina), a Exide (ex-Tudor), a Tabaqueira, a Kraft e a SDF. Reparamos na Corticeira Amorim e na Amorim Revestimentos, mas também na Delphi de Braga, na Styria Impormol (Azambuja), na Cavan (Póvoa de Santa Iria) ou em diversos locais da EDP.
Menos de meia Caixa
Mais de 50 por cento dos balcões da Caixa Geral de Depósitos estiveram encerrados e, dos que abriram, a maioria funcionou «apenas para prestar informações e em condições de extrema precariedade de segurança, recorrendo em muitos casos a trabalhadores com vínculo precário e a estagiários», referiu o STEC, sindicato do Grupo CGD. Numa saudação aos trabalhadores, publicada no dia 24, considera a greve «um êxito», apontando uma adesão superior a 80 por cento, com particular incidência no banco CGD, mas fazendo-se sentir em todo o universo do grupo.
Cantinas fechadas
A greve geral teve uma grande adesão no sector, refere uma nota do Sindicato da Hotelaria do Norte, que destaca as cantinas e refeitórios, com mais de três dezenas de unidades a registarem adesão total, obrigadas a encerrar ou a garantir os serviços mínimos (cantinas hospitalares). O sindicato instalou, durante o dia 24, bancas de informação e apoio, na baixa do Porto e em Braga. Aqui, foi distribuído um comunicado junto ao Hotel Meliã, acusando a empresa de proibir reuniões de trabalhadores e actividade sindical à porta. Os activistas foram, mais uma vez, recebidos com ameaças de recurso à força policial, mas mantiveram-se no local.
Insatisfação no comércio
Os trabalhadores do comércio e serviços «revelam grande insatisfação e descontentamento contra as medidas do Governo e as pretensões patronais» e «manifestam compreensão em relação aos objectivos da greve geral» assinala o CESP/CGTP-IN, na saudação que divulgou dia 24. O sindicato explica que tais sentimentos «não se traduziram numa massiva adesão, particularmente devido às condicionantes financeiras, precariedades, pressões e receio de represálias e hesitação em relação ao futuro». No entanto, «em alguns sectores de serviços a pessoas e empresas e nalguns locais de trabalho do comércio houve bons níveis de adesão e uma boa acção dos piquetes», propondo-se o sindicato, agora, «avaliar a situação, discutir, reforçar a unidade e impulsionar a acção conjunta e a continuação da luta nos próximos meses».