Uma força imensa no Alentejo
Resposta contra a brutal ofensiva da política de direita
No Alentejo, os trabalhadores participaram, no dia 24, numa grandiosa jornada de luta contra a exploração e o empobrecimento, pelo emprego, salários, direitos e serviços públicos. Nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e no Litoral Alentejano houve importantes e significativas adesões à greve geral, nomeadamente na administração central e local, e em empresas e locais de trabalho do sector privado e cooperativo.
Em Évora registou-se uma forte adesão dos trabalhadores à greve geral em muitos sectores, superior à de 2010. Em todo o distrito apenas duas viaturas de recolha de lixo saíram à rua, e foram inúmeros os serviços que encerraram nas autarquias, com destaque para as câmaras de Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Mora e Arraiolos, que encerraram por completo.Foram ainda afectados outros sectores da Saúde e da Educação, com inúmeras escolas, cantinas e serviços educativos a fecharem as portas. Na universidade de Évora fechou a Cantina do Colégio Verney e as cozinhas do Cardeal e das Alcaçarias.
No sector privado, apesar dos graves constrangimentos e pressões, deu-se uma resposta de coragem às medidas que o Governo está e quer implementar, levando à adesão de 90 por cento dos trabalhadores da Metalo-Nicho, em Arraiolos, e de 100 por cento na Gestamp, em Vendas Novas. Registou-se ainda uma adesão total na RTS - Produções (sector cerâmico), em Montemor-o-Novo, 55 por cento na ETMA (sector dos mármores), em Vila Viçosa, e 50 por cento na KEMET (indústria eléctrica), em Évora. Houve ainda uma grande adesão no sector das grandes superfícies comerciais, tendo-se assistido à substituição de trabalhadores em greve.
Confiança na luta
No distrito de Beja, as câmaras municipais do Alvito, Castro Verde, Moura e Serpa estiveram fechadas e as taxas de adesão à greve geral nas restantes autarquias foram superiores a 85 por cento. Sem recolha de lixo e limpeza de ruas estiveram ainda os concelhos de Alvito, Beja, Moura, Castro Verde, Mértola, Serpa e Vidigueira.
Na área da educação, segundo o Sindicato dos Professores da Zona Sul, mais de 50 estabelecimentos de ensino estiveram fechados, sobretudo jardins de infância e escolas básicas nos concelhos de Aljustrel, Beja, Cuba, Mértola, Moura, Odemira, Serpa e Vidigueira.
A adesão dos enfermeiros à greve geral no Hospital de Beja, onde uma das salas do bloco operatório esteve fechada, foi de 60 por cento, e no Hospital de Serpa a participação foi de 100 por cento no turno da manhã, segundo o Sindicato dos Enfermeiros.
No sector privado, na MFS, uma fábrica de painéis solares de Moura em que o PCP tem vindo a reforçar a sua intervenção, destaque para a acção corajosa dos trabalhadores e dos delegados sindicais, eleitos recentemente, que participaram num piquete à porta da empresa. Na Metalomecânica Manuel Pires Guerreiro, em Beja, a adesão foi quase total.
Resposta firme
Também em Portalegre a resposta dos trabalhadores foi de luta contra os cortes nos salários e pensões, dos subsídios de férias e de Natal, na redução ou liquidação de apoios sociais, no aumento do impostos e preços dos bens e serviços de primeira necessidade, nas dificuldades crescentes no acesso aos serviços de Saúde, à Educação, aos transportes. Na sector da Educação, por exemplo, registou-se uma adesão de cerca de 40 por cento, e no sector dos serviços auxiliares da Educação de 66 por cento. Neste distrito encerraram as escolas de Arronches, Gavião e Portagem (Marvão), bem como o jardim de infância de Monforte.
No Hospital de Portalegre a adesão rondou os 65 por cento, enquanto no Hospital de Elvas, entre enfermeiros, auxiliares e técnicos de Saúde, se situou nos 80 por cento. O Centro de Saúde do Crato esteve totalmente encerrado.
A recolha do lixo foi um dos sectores que registou uma maior adesão, uma vez que os trabalhadores de nove dos 15 concelhos que compõem o distrito de Portalegre aderiram à jornada de luta convocada pela CGTP-IN. Não houve, por isso, recolha de lixo em Alter do Chão, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Gavião, Marvão, Monforte e Nisa. Os transportes urbanos em Portalegre estiveram totalmente paralisados.
Em Avis, a Câmara Municipal encerrou as suas portas, cumprindo uma tradição que vem desde as primeiras paralisações após o 25 de Abril de 1974.
Adesão elevada
Também no Litoral Alentejano a greve geral teve uma grande expressão, nomeadamente nas cinco câmaras municipais (Alcácer do Sal, Sines, Odemira, Santiago do Cacém e Grândola) e no Hospital do Litoral Alentejano, onde se registou uma forte adesão dos enfermeiros, que rondou os 85 por cento. Encerraram ainda centros e extensões de Saúde, dezenas de escolas e outros serviços públicos.
Os trabalhadores das empresas de prestação de serviços (empreiteiros e subempreiteiros) na Petrogal, com enormes dificuldades devido ao nível de precariedade que ali impera, também aderiram à jornada nacional de luta. Situação que também aconteceu na Rodoviária do Alentejo, na Metalsines/Compelmada e na Fudiarte.
Em Sines, a greve dos trabalhadores da PSA parou o movimento de contentores no Terminal XXI. Neste concelho, os eleitos autárquicos, vereadores e deputados municipais da CDU não participaram na sessão solene da Assembleia Municipal, no dia 24 de Novembro, feriado municipal, em solidariedade com os trabalhadores em greve, contra as políticas de empobrecimento do País.