Médio Oriente é um campo minado
• Anabela Fino
Durante o século XX, assistimos no Médio Oriente a uma sucessão de guerras, golpes de Estado, invasões, conduzidos pelas grandes potências com o objectivo de se apropriarem dos recursos e garantirem a sua hegemonia naquela região. O sofrimento humano resultante de tal política mede-se pelo preço de sangue pago pelos povos atingidos, como é o caso do Iraque.
Foi recordando esta realidade que Jorge Cadima, colaborador da Secção Internacional do PCP, abriu o debate subordinado ao tema «Médio Oriente – Resistência e luta contra o imperialismo», realizado no Palco Solidariedade ao início da tarde de sábado, em que participaram ainda o deputado Bruno Dias e representantes da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e do partido Tudeh do Irão.
A destruição do Iraque, lembrou Cadima, foi «justificada» por uma montanha de mentiras, num processo de intoxicação e manipulação da opinião pública em que Portugal também participou, através do governo de Durão Barroso, desde logo ao acolher a tristemente célebre «cimeira das Lajes», nos Açores.
A invasão do Afeganistão, a guerra no Líbano, as ameaças crescentes ao Irão e persistente ocupação e agressão da Palestina – que desde a criação do Estado de Israel, há 60 anos, é vítima da limpeza étnica e da opressão levada a cabo por Telavive – são outros tantos exemplos da sanha do imperialismo norte-americano e seus aliados contra os legítimos direitos dos povos à independência e auto-determinação, e permanentes focos de tensão que constituem uma ameaça à paz mundial.
No centro da actualidade, referiu ainda Jorge Cadima, está a iminência de um ataque ao Irão, que vem sendo preparado com a ajuda das centrais de propaganda do capitalismo, como testemunha o título do Sunday Times (Janeiro de 2007) afirmando que «Israel planeia ataque nuclear ao Irão».
O perigo de que isso venha a suceder, sublinhou, é tanto mais real quanto o imperialismo está mergulhado numa profunda crise, pelo que não deve haver ilusões quanto a hipotéticas alterações de política com a mudança de inquilino na Casa Branca.
Diálogo de espadas
Esta realidade é bem conhecida da Palestina, recordou o representante da OLP, citando a propósito o despudor com que em 1991 o primeiro-ministro israelita de então afirmava que as negociações com os palestinianos tinham como objectivo «não lhes dar nada». Foi o que sucedeu, afirmou Najib, sublinhando que Israel não quer negociar e não cumpriu nenhum dos acordos firmados com a OLP, e assim continuará enquanto contar com o apoio dos EUA e a conivência da União Europeia, que presta assistência económica à Palestina mas não confronta Israel nem condena a sua política. Uma opinião partilhada por Navid Shomali, do PC do Irão (Tudeh), clandestino, para quem a Casa Branca conduz no Médio Oriente um «diálogo de espadas».
Lembrando que os regimes da região são reaccionários, corruptos e anti-democráticos, Shomali alertou para a retórica anti-imperialista do regime iraniano, que não passa de uma «farsa» para iludir o facto de as forças no poder, tal como sucede na Casa Branca, defenderem o neoliberalismo, a economia de mercado, as políticas do Banco Mundial, etc.. Se é urgente prevenir outra tragédia no Médio Oriente, disse, não é menos imperioso a luta pela democracia no Irão, pelo que há que continuar a trabalhar para a criação de um amplo movimento de massas, ultrapassando divisões e conjugando esforços na luta pela paz, que é indissociável da luta pelo socialismo.
O imperialismo está a morrer
«O imperialismo está a morrer, e a melhor prova disso é a resistência dos povos na Palestina, no Líbano, no Iraque», disse por seu turno Mustapha Marshal, da FPLP, que colocou a tónica da sua intervenção no caracter desumano do imperialismo e no acentuar das discriminações no próprio seio do Estado de Israel.
«Quanto tempo se demora em Portugal para comprar um pão? Cinco, dez minutos? Na Palestina, uma criança que vai comprar pão pode nunca mais voltar. Israel é isso, o imperialismo é isso», disse, lembrando que Telavive pratica discriminação racial, está a construir um «muro da vergonha» para isolar os palestinianos, e advoga abertamente um «Estado judeu etnicamente limpo».
É para acabar com este «campo minado» em que se transformou o Médio Oriente, sublinhou, que é importante a solidariedade internacional.
A fechar o debate, Bruno Dias lembrou o papel incontornável do PCP na «denúncia das terríveis consequências da acção das principais potências imperialistas em busca de mercados, recursos e posições geo-estratégicas», e chamou a atenção para três questões que apontam para o agravamento das ameaças que pairam sobre o Médio Oriente: a natureza do capitalismo e a sua crise, que introduzem novos «factores de insegurança» e apontam para a «transferência para a classe explorada e para a periferia do sistema dos seus efeitos mais nefastos» e a intensificação de «domínio dos mercados, de rapina de recursos e de recolonização de países ou regiões do globo»; o carácter deficitário e parasitário da economia dos EUA», que está a conduzir a «maior potência imperialista mundial para uma situação de declínio relativo no plano económico», embora permaneça «a maior potência militar mundial»; e o papel da União Europeia, que cada vez mais se procura afirmar como «uma ambiciosa potência imperialista».
Para fazer face a esta realidade, disse, há que aprofundar o «esclarecimento, a mobilização e a luta solidária dos povos por todo o mundo», na certeza de que «é nos trabalhadores e nos povos que reside a força necessária para a libertação e para a transformação do mundo».
Durante o século XX, assistimos no Médio Oriente a uma sucessão de guerras, golpes de Estado, invasões, conduzidos pelas grandes potências com o objectivo de se apropriarem dos recursos e garantirem a sua hegemonia naquela região. O sofrimento humano resultante de tal política mede-se pelo preço de sangue pago pelos povos atingidos, como é o caso do Iraque.
Foi recordando esta realidade que Jorge Cadima, colaborador da Secção Internacional do PCP, abriu o debate subordinado ao tema «Médio Oriente – Resistência e luta contra o imperialismo», realizado no Palco Solidariedade ao início da tarde de sábado, em que participaram ainda o deputado Bruno Dias e representantes da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e do partido Tudeh do Irão.
A destruição do Iraque, lembrou Cadima, foi «justificada» por uma montanha de mentiras, num processo de intoxicação e manipulação da opinião pública em que Portugal também participou, através do governo de Durão Barroso, desde logo ao acolher a tristemente célebre «cimeira das Lajes», nos Açores.
A invasão do Afeganistão, a guerra no Líbano, as ameaças crescentes ao Irão e persistente ocupação e agressão da Palestina – que desde a criação do Estado de Israel, há 60 anos, é vítima da limpeza étnica e da opressão levada a cabo por Telavive – são outros tantos exemplos da sanha do imperialismo norte-americano e seus aliados contra os legítimos direitos dos povos à independência e auto-determinação, e permanentes focos de tensão que constituem uma ameaça à paz mundial.
No centro da actualidade, referiu ainda Jorge Cadima, está a iminência de um ataque ao Irão, que vem sendo preparado com a ajuda das centrais de propaganda do capitalismo, como testemunha o título do Sunday Times (Janeiro de 2007) afirmando que «Israel planeia ataque nuclear ao Irão».
O perigo de que isso venha a suceder, sublinhou, é tanto mais real quanto o imperialismo está mergulhado numa profunda crise, pelo que não deve haver ilusões quanto a hipotéticas alterações de política com a mudança de inquilino na Casa Branca.
Diálogo de espadas
Esta realidade é bem conhecida da Palestina, recordou o representante da OLP, citando a propósito o despudor com que em 1991 o primeiro-ministro israelita de então afirmava que as negociações com os palestinianos tinham como objectivo «não lhes dar nada». Foi o que sucedeu, afirmou Najib, sublinhando que Israel não quer negociar e não cumpriu nenhum dos acordos firmados com a OLP, e assim continuará enquanto contar com o apoio dos EUA e a conivência da União Europeia, que presta assistência económica à Palestina mas não confronta Israel nem condena a sua política. Uma opinião partilhada por Navid Shomali, do PC do Irão (Tudeh), clandestino, para quem a Casa Branca conduz no Médio Oriente um «diálogo de espadas».
Lembrando que os regimes da região são reaccionários, corruptos e anti-democráticos, Shomali alertou para a retórica anti-imperialista do regime iraniano, que não passa de uma «farsa» para iludir o facto de as forças no poder, tal como sucede na Casa Branca, defenderem o neoliberalismo, a economia de mercado, as políticas do Banco Mundial, etc.. Se é urgente prevenir outra tragédia no Médio Oriente, disse, não é menos imperioso a luta pela democracia no Irão, pelo que há que continuar a trabalhar para a criação de um amplo movimento de massas, ultrapassando divisões e conjugando esforços na luta pela paz, que é indissociável da luta pelo socialismo.
O imperialismo está a morrer
«O imperialismo está a morrer, e a melhor prova disso é a resistência dos povos na Palestina, no Líbano, no Iraque», disse por seu turno Mustapha Marshal, da FPLP, que colocou a tónica da sua intervenção no caracter desumano do imperialismo e no acentuar das discriminações no próprio seio do Estado de Israel.
«Quanto tempo se demora em Portugal para comprar um pão? Cinco, dez minutos? Na Palestina, uma criança que vai comprar pão pode nunca mais voltar. Israel é isso, o imperialismo é isso», disse, lembrando que Telavive pratica discriminação racial, está a construir um «muro da vergonha» para isolar os palestinianos, e advoga abertamente um «Estado judeu etnicamente limpo».
É para acabar com este «campo minado» em que se transformou o Médio Oriente, sublinhou, que é importante a solidariedade internacional.
A fechar o debate, Bruno Dias lembrou o papel incontornável do PCP na «denúncia das terríveis consequências da acção das principais potências imperialistas em busca de mercados, recursos e posições geo-estratégicas», e chamou a atenção para três questões que apontam para o agravamento das ameaças que pairam sobre o Médio Oriente: a natureza do capitalismo e a sua crise, que introduzem novos «factores de insegurança» e apontam para a «transferência para a classe explorada e para a periferia do sistema dos seus efeitos mais nefastos» e a intensificação de «domínio dos mercados, de rapina de recursos e de recolonização de países ou regiões do globo»; o carácter deficitário e parasitário da economia dos EUA», que está a conduzir a «maior potência imperialista mundial para uma situação de declínio relativo no plano económico», embora permaneça «a maior potência militar mundial»; e o papel da União Europeia, que cada vez mais se procura afirmar como «uma ambiciosa potência imperialista».
Para fazer face a esta realidade, disse, há que aprofundar o «esclarecimento, a mobilização e a luta solidária dos povos por todo o mundo», na certeza de que «é nos trabalhadores e nos povos que reside a força necessária para a libertação e para a transformação do mundo».