Festejados 10 anos de Nobel
Sábado à tarde, na praça do Espaço Central, teve lugar um acto simbólico, mas nitidamente sentido, com emoção marcada nos rostos de muitos dos que nele participaram. O PCP realizou ali a primeira de três iniciativas, a celebrar os dez anos da atribuição a José Saramago do Prémio Nobel da Literatura.
Ao referir-se a este «acontecimento memorável», José Casanova explicou que «a escolha da Festa para esta homenagem pareceu-nos a mais apropriada, por um lado, porque a Festa do Avante! é a maior, a mais relevante, a mais bela realização do Partido de que José Saramago é militante há quase quarenta anos; e, por outro lado, porque José Saramago tem sido, ao longo dos anos, uma presença constante na Festa – numa fase inicial, participando nas jornadas de trabalho; posteriormente, participando nas sessões em que vem falar com os seus leitores e autografar os seus livros – esses livros que são produto de outras jornadas de trabalho, talvez não tão diferentes, como à primeira vista pode parecer, das jornadas dos que constroem e realizam a Festa».
Antes da intervenção do director do Avante! e membro da Comissão Política do PCP, foi lida uma mensagem de Álvaro Siza Vieira, endereçando um abraço a José Saramago e propiciando ali, como foi assinalado, o encontro entre duas personalidades com alto reconhecimento internacional: o Nobel da Literatura de 1998 e o Pritzker da Arquitectura de 1992.
No écran-gigante passaram imagens e sons da cerimónia solene de 1998, da mensagem de Álvaro Cunhal, da sessão que teve lugar no centro de trabalho Vitória, após Saramago regressar de Estocolmo, onde o escritor assinalou que «não tive que deixar de ser comunista» para alcançar o prémio da Academia sueca. À mensagem de Saramago, que aqui transcrevemos, seguiu-se no écran uma breve saudação de Jerónimo de Sousa.
Saudação de José Saramago
aos construtores da Festa
«Meus caros amigos, contra as minhas expectativas não posso, não poderei estar na Festa do Avante! este ano. Talvez pudesse, mas não devo. E a questão está exactamente entre aquilo que se pode e aquilo que se deve fazer ou não se deve fazer.
O meu restabelecimento melhora cada dia, mas estar na Festa, com o calor e, também, às vezes, como tem acontecido, com o mau tempo, não me faria bem nenhum. De maneira que eu vou perder a Festa deste ano. Mas espero que no ano que vem, e até com um novo livro, eu possa estar. Quer dizer, estou convencido que estarei.
Isto fez-me lembrar que, nos dois ou três primeiros anos da Festa, eu tive uma certa actividade na montagem de alguns pavilhões, sobretudo da área cultural. Não foi grande coisa, mas leva-me a pensar naqueles militantes dedicadíssimos que, ano após ano, sem pedir nada em troca senão a sua própria satisfação de estar presente na montagem, na organização da Festa, e deixar-lhes aqui uma pequena homenagem, que tem que ver com a militância, mas que talvez tenha que ver também com mais alguma coisa que a militância.
Uma militância pode cumprir-se com mais ou menos satisfação, mas aí há alguma coisa mais, quer dizer, a Festa passou a fazer parte da existência, da vida de milhares e milhares de camaradas e amigos nossos, que todos os anos aparecem ali, que se apresentam como voluntários, sem retribuição, para trabalhar. Simplesmente isto: para trabalhar. Trabalhar para a Festa? Com certeza, claro. Mas, no fundo, ao trabalhar para a Festa, trabalham para o País, trabalham para o futuro e trabalham para um sentimento de comunidade e de solidariedade, de que o Partido é, talvez, o exemplo mais flagrante de toda a sociedade portuguesa.
Não me despeço senão com um até para o ano e já nos iremos encontrando por aí, enfim, quando haja uma oportunidade. E recordaremos aquilo que temos podido fazer em benefício do Partido e aquilo que nos propusemos fazer no futuro. Estamos todos bastante bem e, sobretudo, com este sentimento de que cumprimos gostosamente um dever, dever esse que se transforma em qualquer coisa que se tornou indispensável.
Vocês, meus caros, para quem a Festa é indispensável, são também indispensáveis à Festa. Aí está. Muito obrigado.»
Ao referir-se a este «acontecimento memorável», José Casanova explicou que «a escolha da Festa para esta homenagem pareceu-nos a mais apropriada, por um lado, porque a Festa do Avante! é a maior, a mais relevante, a mais bela realização do Partido de que José Saramago é militante há quase quarenta anos; e, por outro lado, porque José Saramago tem sido, ao longo dos anos, uma presença constante na Festa – numa fase inicial, participando nas jornadas de trabalho; posteriormente, participando nas sessões em que vem falar com os seus leitores e autografar os seus livros – esses livros que são produto de outras jornadas de trabalho, talvez não tão diferentes, como à primeira vista pode parecer, das jornadas dos que constroem e realizam a Festa».
Antes da intervenção do director do Avante! e membro da Comissão Política do PCP, foi lida uma mensagem de Álvaro Siza Vieira, endereçando um abraço a José Saramago e propiciando ali, como foi assinalado, o encontro entre duas personalidades com alto reconhecimento internacional: o Nobel da Literatura de 1998 e o Pritzker da Arquitectura de 1992.
No écran-gigante passaram imagens e sons da cerimónia solene de 1998, da mensagem de Álvaro Cunhal, da sessão que teve lugar no centro de trabalho Vitória, após Saramago regressar de Estocolmo, onde o escritor assinalou que «não tive que deixar de ser comunista» para alcançar o prémio da Academia sueca. À mensagem de Saramago, que aqui transcrevemos, seguiu-se no écran uma breve saudação de Jerónimo de Sousa.
Saudação de José Saramago
aos construtores da Festa
«Meus caros amigos, contra as minhas expectativas não posso, não poderei estar na Festa do Avante! este ano. Talvez pudesse, mas não devo. E a questão está exactamente entre aquilo que se pode e aquilo que se deve fazer ou não se deve fazer.
O meu restabelecimento melhora cada dia, mas estar na Festa, com o calor e, também, às vezes, como tem acontecido, com o mau tempo, não me faria bem nenhum. De maneira que eu vou perder a Festa deste ano. Mas espero que no ano que vem, e até com um novo livro, eu possa estar. Quer dizer, estou convencido que estarei.
Isto fez-me lembrar que, nos dois ou três primeiros anos da Festa, eu tive uma certa actividade na montagem de alguns pavilhões, sobretudo da área cultural. Não foi grande coisa, mas leva-me a pensar naqueles militantes dedicadíssimos que, ano após ano, sem pedir nada em troca senão a sua própria satisfação de estar presente na montagem, na organização da Festa, e deixar-lhes aqui uma pequena homenagem, que tem que ver com a militância, mas que talvez tenha que ver também com mais alguma coisa que a militância.
Uma militância pode cumprir-se com mais ou menos satisfação, mas aí há alguma coisa mais, quer dizer, a Festa passou a fazer parte da existência, da vida de milhares e milhares de camaradas e amigos nossos, que todos os anos aparecem ali, que se apresentam como voluntários, sem retribuição, para trabalhar. Simplesmente isto: para trabalhar. Trabalhar para a Festa? Com certeza, claro. Mas, no fundo, ao trabalhar para a Festa, trabalham para o País, trabalham para o futuro e trabalham para um sentimento de comunidade e de solidariedade, de que o Partido é, talvez, o exemplo mais flagrante de toda a sociedade portuguesa.
Não me despeço senão com um até para o ano e já nos iremos encontrando por aí, enfim, quando haja uma oportunidade. E recordaremos aquilo que temos podido fazer em benefício do Partido e aquilo que nos propusemos fazer no futuro. Estamos todos bastante bem e, sobretudo, com este sentimento de que cumprimos gostosamente um dever, dever esse que se transforma em qualquer coisa que se tornou indispensável.
Vocês, meus caros, para quem a Festa é indispensável, são também indispensáveis à Festa. Aí está. Muito obrigado.»
Transcrição da mensagem,
gravada em vídeo a 15 de Agosto,
em Lanzarote,
e exibida na Festa, sábado e domingo