Onde as lutas se encontram na construção do mundo novo
• Hugo Janeiro e Anabela Fino
À entrada da Cidade Internacional, uma frase de Bertolt Brecht pintada num imenso mural voltado para o Palco 25 de Abril dava as boas vindas aos visitantes: «Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade». A Festa do Avante! é uma iniciativa que sonhada e construída colectivamente se torna numa realidade.
A ela se juntam comunistas e organizações progressistas de muitos países tronando-a mais cheia de vitalidade, confirmando o ideal comunista – cujo Manifesto redigido há 160 anos por Karl Marx e Friedrich Engels foi lembrado com uma imensa estrela vermelha bem no centro do Espaço Internacional, frente ao Palco Solidariedade, e com dois imensos murais que afirmavam que «a história das sociedades até aos nossos dias é a história da luta de classes» e que «podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm o mundo a ganhar».
Muitas lutas
Percorramos então esta Cidade que transborda internacionalismo proletário, solidariedade entre os povos e, manhã cedo, salta à vista a militância generosa de centenas de camaradas que iniciam a preparação do espaço, realizando as mais diversas tarefas para que tudo esteja conforme desejado.
No PC da Colômbia, o cheiro a café acabado de fazer propaga-se na atmosfera e chama-nos. Mais de perto, vemos jovens camaradas da Juventude Comunista repondo os comunicados do seu Partido sobre a situação naquele país. «Solidariedade antifascista», apela-se, e uma camarada sorridente revela-nos que a Festa é exactamente como lhe contaram «cheia de força, muito bem organizada».
Em frente, no stand do Partido Comunista Alemão– o Partido de Karl Marx e Friedrich Engels, dizem –, prende-nos o olhar o pano que decora o espaço, o programa do DKP e o jornal do Partido que este ano assinala quatro décadas de existência, O Nosso Tempo.
Data festiva assinalaram igualmente na Festa os camaradas da Grécia. São 90 anos de um partido de novo tipo, marxista-leninista, que sempre esteve nos momento mais agudos da luta de classes, sempre na primeira linha como organizador da luta popular demonstrando a sua fidelidade intransigente aos princípios revolucionários, na luta pelo socialismo e pelo comunismo, razão de existência do KKE, podia ler-se na exposição especialmente preparada para a Festa; e o Partido Comunista do Chile, que para além dos 85 anos vividos «em luta por um outro Chile», trouxe a Portugal a comemoração dos 100 anos de Allende, presidente socialista derrubado pelo fascismo, faz dia 11 de Setembro 35 anos.
Os parabéns também se cantaram para Cuba. Para além da exposição central patente na Cidade Internacional, da ilha socialista e dos 50 anos da sua revolução trouxeram os camaradas do PC de Cuba, mas também da Associação de Amizade Portugal-Cuba, a convicção de que vale a pena ousar e resistir, mesmo quando o imperialismo norte-americano impõe um criminoso bloqueio e acorrenta patriotas, Los Cinco, pelos os quais «expressamos profunda solidariedade comunista, e, reivindicando a sua imediata libertação, nos vamos concentrar, dia 12 de Setembro, sexta-feira, junto à Embaixada dos EUA em Lisboa», divulgava-se em cartazes que mobilizam para a luta.
Em luta contra o império está também o povo do Irão, cujo Partido, o Tudeh, leva a cabo uma campanha pela paz, pela democracia e a justiça social, explica um camarada iraniano a três visitantes. Não queremos interromper. Decidimos falar com os camaradas da FRETILIN. Por lá matamos a fome com uma irrecusável iguaria temperada com a simpatia e a fraternidade, e, mais confortados, passámos os olhos pela exposição central que, mesmo em frente ao espaço do partido do povo maubere, recordava cinco anos e meio de invasão e ocupação imperialistas do Iraque.
Todos ao comício
O calor aperta. Está na hora de refrescar a garganta. Dentro de pouco mais de uma hora inicia-se no Espaço Internacional a concentração para o comício do PCP.
Passamos pelo stand do Bloco Nacionalista Galego e tomamos nota da sua exigência – uma Galiza livre!. Paramos junto ao Partido dos Trabalhadores onde uma fila já formada se prepara para provar as famosas caipirinhas. Não há tempo para esperar, vamos junto de outros camaradas brasileiros, estes do Partido Comunista do Brasil que com um sorriso e diligência nos preparam um caipifrutas.
Revigorados com a mistura certa de gelo, cachaça e muita fruta, retomamos a nossa caminhada com destino ao outro extremo da Cidade. Nas voltas entre a mole humana, o stand do CPPC recorda-nos a caravana de solidariedade que se prepara para partir, no próximo ano, para o Saara Ocidental. É para lá que vamos, para o bocadinho de Saara Ocidental que a POLISARIO trouxe à Festa. Numa tenda berbere, serve-se chá, acomodam-se os visitantes entre tapetes e pede-se uma assinatura pela autodeterminação do povo saaráui. Subscrevemos, convictos, e quando nos voltamos uma cara sorridente chama-nos para o stand do Partido Comunista Britânico.
Entre dois dedos de conversa, ficamos a saber da actividade política e editorial dos comunistas, da sua infatigável batalha pelo esclarecimento dos trabalhadores e do povo, quer abordando os problemas da juventude ou a crise financeira e o caso do falido banco Northern Rock, quer pela divulgação em brochuras dos textos de Marx, Engels e Lénine, quer ainda pelo trabalho de reconstrução da organização e reforço das fileiras do Partido, tarefa que, afinal, garante a luta pela construção de um mundo novo.
À entrada da Cidade Internacional, uma frase de Bertolt Brecht pintada num imenso mural voltado para o Palco 25 de Abril dava as boas vindas aos visitantes: «Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade». A Festa do Avante! é uma iniciativa que sonhada e construída colectivamente se torna numa realidade.
A ela se juntam comunistas e organizações progressistas de muitos países tronando-a mais cheia de vitalidade, confirmando o ideal comunista – cujo Manifesto redigido há 160 anos por Karl Marx e Friedrich Engels foi lembrado com uma imensa estrela vermelha bem no centro do Espaço Internacional, frente ao Palco Solidariedade, e com dois imensos murais que afirmavam que «a história das sociedades até aos nossos dias é a história da luta de classes» e que «podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm o mundo a ganhar».
Muitas lutas
Percorramos então esta Cidade que transborda internacionalismo proletário, solidariedade entre os povos e, manhã cedo, salta à vista a militância generosa de centenas de camaradas que iniciam a preparação do espaço, realizando as mais diversas tarefas para que tudo esteja conforme desejado.
No PC da Colômbia, o cheiro a café acabado de fazer propaga-se na atmosfera e chama-nos. Mais de perto, vemos jovens camaradas da Juventude Comunista repondo os comunicados do seu Partido sobre a situação naquele país. «Solidariedade antifascista», apela-se, e uma camarada sorridente revela-nos que a Festa é exactamente como lhe contaram «cheia de força, muito bem organizada».
Em frente, no stand do Partido Comunista Alemão– o Partido de Karl Marx e Friedrich Engels, dizem –, prende-nos o olhar o pano que decora o espaço, o programa do DKP e o jornal do Partido que este ano assinala quatro décadas de existência, O Nosso Tempo.
Data festiva assinalaram igualmente na Festa os camaradas da Grécia. São 90 anos de um partido de novo tipo, marxista-leninista, que sempre esteve nos momento mais agudos da luta de classes, sempre na primeira linha como organizador da luta popular demonstrando a sua fidelidade intransigente aos princípios revolucionários, na luta pelo socialismo e pelo comunismo, razão de existência do KKE, podia ler-se na exposição especialmente preparada para a Festa; e o Partido Comunista do Chile, que para além dos 85 anos vividos «em luta por um outro Chile», trouxe a Portugal a comemoração dos 100 anos de Allende, presidente socialista derrubado pelo fascismo, faz dia 11 de Setembro 35 anos.
Os parabéns também se cantaram para Cuba. Para além da exposição central patente na Cidade Internacional, da ilha socialista e dos 50 anos da sua revolução trouxeram os camaradas do PC de Cuba, mas também da Associação de Amizade Portugal-Cuba, a convicção de que vale a pena ousar e resistir, mesmo quando o imperialismo norte-americano impõe um criminoso bloqueio e acorrenta patriotas, Los Cinco, pelos os quais «expressamos profunda solidariedade comunista, e, reivindicando a sua imediata libertação, nos vamos concentrar, dia 12 de Setembro, sexta-feira, junto à Embaixada dos EUA em Lisboa», divulgava-se em cartazes que mobilizam para a luta.
Em luta contra o império está também o povo do Irão, cujo Partido, o Tudeh, leva a cabo uma campanha pela paz, pela democracia e a justiça social, explica um camarada iraniano a três visitantes. Não queremos interromper. Decidimos falar com os camaradas da FRETILIN. Por lá matamos a fome com uma irrecusável iguaria temperada com a simpatia e a fraternidade, e, mais confortados, passámos os olhos pela exposição central que, mesmo em frente ao espaço do partido do povo maubere, recordava cinco anos e meio de invasão e ocupação imperialistas do Iraque.
Todos ao comício
O calor aperta. Está na hora de refrescar a garganta. Dentro de pouco mais de uma hora inicia-se no Espaço Internacional a concentração para o comício do PCP.
Passamos pelo stand do Bloco Nacionalista Galego e tomamos nota da sua exigência – uma Galiza livre!. Paramos junto ao Partido dos Trabalhadores onde uma fila já formada se prepara para provar as famosas caipirinhas. Não há tempo para esperar, vamos junto de outros camaradas brasileiros, estes do Partido Comunista do Brasil que com um sorriso e diligência nos preparam um caipifrutas.
Revigorados com a mistura certa de gelo, cachaça e muita fruta, retomamos a nossa caminhada com destino ao outro extremo da Cidade. Nas voltas entre a mole humana, o stand do CPPC recorda-nos a caravana de solidariedade que se prepara para partir, no próximo ano, para o Saara Ocidental. É para lá que vamos, para o bocadinho de Saara Ocidental que a POLISARIO trouxe à Festa. Numa tenda berbere, serve-se chá, acomodam-se os visitantes entre tapetes e pede-se uma assinatura pela autodeterminação do povo saaráui. Subscrevemos, convictos, e quando nos voltamos uma cara sorridente chama-nos para o stand do Partido Comunista Britânico.
Entre dois dedos de conversa, ficamos a saber da actividade política e editorial dos comunistas, da sua infatigável batalha pelo esclarecimento dos trabalhadores e do povo, quer abordando os problemas da juventude ou a crise financeira e o caso do falido banco Northern Rock, quer pela divulgação em brochuras dos textos de Marx, Engels e Lénine, quer ainda pelo trabalho de reconstrução da organização e reforço das fileiras do Partido, tarefa que, afinal, garante a luta pela construção de um mundo novo.