Não há público como este!
Dizendo, como dizemos repetidas vezes, que «não há Festa como esta», referimo-nos a um conjunto vasto de características que fazem da Festa do Avante! uma iniciativa única no nosso País (e quem sabe se em algum outro encontramos algo semelhante?). É a construção e o funcionamento assegurado pelos militantes e amigos do Partido, a presença constante da juventude, o ambiente fraterno que se vive, o sonho feito realidade, ainda que por três dias...
Mas é também pela música que ali é tocada – dos palcos maiores aos mais pequenos – e, sobretudo, a forma como o público da Festa a recebe, quer se trate de conceituados músicos ou de «ilustres desconhecidos». Os concertos do Palco 25 de Abril voltaram, este ano, a mostrar isso mesmo.
Ao jovem Krissy Mathews e à sua Blues Band coube a difícil tarefa de «abrir as hostilidades» na tarde de sábado, quando na memória de todos estava ainda a monumental Gala de Ópera da véspera (ver texto nestas páginas). O jovem prodígio da guitarra não se deixou intimidar e arrancou uma actuação vibrante, repleta de virtuosismo a fazer lembrar o grande Jimi Hendrix. Não é possível saber com precisão quantos tinham já ouvido a música do jovem guitarrista britânico, mas pela sua reacção entusiástica, o público da Festa gostou.
Em seguida, foram os Gazua a mostrar o seu valor. O que o seu antecessor tinha em virtuosismo, sobrava à banda lisboeta em rebeldia e irreverência. As letras fortes e bem direccionadas fizeram furor na assistência, onde pontificavam alguns jovens com camisolas da banda. Mas a imensa maioria entregou-se ao espectáculo rock dos Gazua com a mesma dedicação com que momentos antes vibrara com o blues de Mathews.
O espectáculo seguinte foi diferente, já que os Blind Zero têm uma corte de fieis admiradores que conhecem de cor muitas das canções. Mas para além destes, que eram em número considerável, lá estava o público da Festa – recebendo calorosamente todos os artistas e as bandas, como que dando as boas-vindas àquele mítico palco.
Em seguida, mudou o ritmo e do rock passou-se para a música africana, com a sua batida estonteante. Com os Tabanka Djaz ninguém conseguiu ficar parado. Nunca se saberá se os milhares de pessoas que assistiram a este espectáculo eram os mesmos que já ali estavam antes. Mas o que é certo é que foram sempre muitos, demonstrando a mesma entrega ao concerto, demonstrando ao grupo, fosse qual fosse, o mesmo carinho.
De África para a Irlanda, os The Men They Couldn’t Hang prosseguiram com os ritmos acelerados. No relvado, cada vez mais cheio, saltava-se e dançava-se com entusiasmo. Esta banda alcançou muita projecção na década de 80 do século passado, mas muitos dos que ali estavam talvez nem fossem nascidos nessa altura. Mas souberam retribuir com alegria o empenho que o grupo colocou na sua actuação.
A seguir, os Ciganos D’Ouro não deixaram ninguém desapontado. Os seus acordes incisivos e as suas vozes quentes cavaram fundo na assistência. Momento maior, ou não se estivesse na Festa do Avante!, foi a sua notável versão de Hasta Siempre, dedicada ao comandante Che Guevara, na qual foram acompanhados por milhares de vozes emocionadas.
Vitorino e os Cantadores do Redondo foram os senhores que se seguiram. A noite começava a cair e nem o facto de ser hora de jantar desmobilizou o público, visivelmente agradado com o espectáculo. Sobretudo quando o cantor alentejano usava todos os seus valiosos atributos vocais...
O norte-americano Willie Nile não é propriamente conhecido no nosso País e não é fácil encontrar à venda os seus discos. Mas ninguém diria, olhando para o recinto do palco 25 de Abril à hora da sua actuação, que se encontrava totalmente cheio. Apostado em não desiludir o público, o cantor norte-americano deu um notável concerto, pontuado aqui e ali por versões de bandas como os The Who ou os Ramones.
Os Clã encerraram a noite de espectáculos no Palco 25 de Abril com particular brilhantismo. Manuela Azevedo, talvez sensibilizada com tamanha adesão de público, a perder de vista, confessou ser um prazer tocar «numa festa como esta». E foi um prazer ouvi-los.
Domingo de sons fortes
A noite anterior foi longa, no Palco 25 de Abril, e, depois de este encerrar, um pouco por todo o recinto. Mas às 14.30 horas de domingo, à chamada da Carvalhesa, lá estava o público da Festa pronto a ouvir os Skalibans. E logo aos primeiros frenéticos acordes começaram, aos milhares, a saltar e a dançar. A batida ritmada, as guitarras aceleradas e os saxofones garantiram o melhor início de tarde possível.
Os Bandarra vieram em seguida e não ficaram atrás. Com um som mais melodioso, e fundindo sonoridades diversas em agradáveis composições, o grupo açoriano foi do agrado deste generoso mas exigente público.
Os Peste & Sida são daquelas bandas que nunca desiludem, pelo contrário, encontram sempre a força necessária para se superarem, como fizeram uma vez mais na Festa do Avante!. Recebendo a energia do público, arrancaram uma excelente actuação, onde não faltaram as «bocas» dirigidas certeiramente aos poderosos deste país. Carraspana, Gingão e Sol da Caparica fizeram as delícias da plateia.
A seguir ao grandioso comício de encerramento da Festa, coube aos Ska P manterem as hostes aquecidas. As bandeiras do PCP (que já ali estavam aquando dos Peste & Sida e por ali ficaram durante o comício) mantiveram-se bem agitadas durante o concerto da banda espanhola, ele mesmo uma espécie de comício musical.
David Fonseca, a quem coube a honrosa missão de encerrar o Palco 25 de Abril, esteve à altura da tarefa. As suas canções mais conhecidas foram bem recebidas pelo público, que as cantou de princípio ao fim. Mais uma vez, o público da Festa do Avante! não deixou os créditos por mãos alheias mostrando que numa iniciativa única é, também ele, único.
Acordes que movem multidões
Não haverá muitas músicas neste País, nem dos mais conceituados artistas ou bandas, que tenham a capacidade de mover multidões como A Carvalhesa, que anuncia a abertura e o fecho do Palco 25 de Abril. Quando nas suas potentes colunas soam os primeiros acordes, é ver acorrerem ao relvado milhares (e milhares e milhares...) de pessoas para pular e saltar, saltar e pular. Particularmente emotivas são a primeira vez que toca, na sexta-feira, e as duas últimas: a seguir ao comício, numa espécie de celebração da força de um ideal, e no final da noite de domingo, acompanhada pelo fogo de artifício. Momentos únicos só possíveis nesta Festa.
Mas é também pela música que ali é tocada – dos palcos maiores aos mais pequenos – e, sobretudo, a forma como o público da Festa a recebe, quer se trate de conceituados músicos ou de «ilustres desconhecidos». Os concertos do Palco 25 de Abril voltaram, este ano, a mostrar isso mesmo.
Ao jovem Krissy Mathews e à sua Blues Band coube a difícil tarefa de «abrir as hostilidades» na tarde de sábado, quando na memória de todos estava ainda a monumental Gala de Ópera da véspera (ver texto nestas páginas). O jovem prodígio da guitarra não se deixou intimidar e arrancou uma actuação vibrante, repleta de virtuosismo a fazer lembrar o grande Jimi Hendrix. Não é possível saber com precisão quantos tinham já ouvido a música do jovem guitarrista britânico, mas pela sua reacção entusiástica, o público da Festa gostou.
Em seguida, foram os Gazua a mostrar o seu valor. O que o seu antecessor tinha em virtuosismo, sobrava à banda lisboeta em rebeldia e irreverência. As letras fortes e bem direccionadas fizeram furor na assistência, onde pontificavam alguns jovens com camisolas da banda. Mas a imensa maioria entregou-se ao espectáculo rock dos Gazua com a mesma dedicação com que momentos antes vibrara com o blues de Mathews.
O espectáculo seguinte foi diferente, já que os Blind Zero têm uma corte de fieis admiradores que conhecem de cor muitas das canções. Mas para além destes, que eram em número considerável, lá estava o público da Festa – recebendo calorosamente todos os artistas e as bandas, como que dando as boas-vindas àquele mítico palco.
Em seguida, mudou o ritmo e do rock passou-se para a música africana, com a sua batida estonteante. Com os Tabanka Djaz ninguém conseguiu ficar parado. Nunca se saberá se os milhares de pessoas que assistiram a este espectáculo eram os mesmos que já ali estavam antes. Mas o que é certo é que foram sempre muitos, demonstrando a mesma entrega ao concerto, demonstrando ao grupo, fosse qual fosse, o mesmo carinho.
De África para a Irlanda, os The Men They Couldn’t Hang prosseguiram com os ritmos acelerados. No relvado, cada vez mais cheio, saltava-se e dançava-se com entusiasmo. Esta banda alcançou muita projecção na década de 80 do século passado, mas muitos dos que ali estavam talvez nem fossem nascidos nessa altura. Mas souberam retribuir com alegria o empenho que o grupo colocou na sua actuação.
A seguir, os Ciganos D’Ouro não deixaram ninguém desapontado. Os seus acordes incisivos e as suas vozes quentes cavaram fundo na assistência. Momento maior, ou não se estivesse na Festa do Avante!, foi a sua notável versão de Hasta Siempre, dedicada ao comandante Che Guevara, na qual foram acompanhados por milhares de vozes emocionadas.
Vitorino e os Cantadores do Redondo foram os senhores que se seguiram. A noite começava a cair e nem o facto de ser hora de jantar desmobilizou o público, visivelmente agradado com o espectáculo. Sobretudo quando o cantor alentejano usava todos os seus valiosos atributos vocais...
O norte-americano Willie Nile não é propriamente conhecido no nosso País e não é fácil encontrar à venda os seus discos. Mas ninguém diria, olhando para o recinto do palco 25 de Abril à hora da sua actuação, que se encontrava totalmente cheio. Apostado em não desiludir o público, o cantor norte-americano deu um notável concerto, pontuado aqui e ali por versões de bandas como os The Who ou os Ramones.
Os Clã encerraram a noite de espectáculos no Palco 25 de Abril com particular brilhantismo. Manuela Azevedo, talvez sensibilizada com tamanha adesão de público, a perder de vista, confessou ser um prazer tocar «numa festa como esta». E foi um prazer ouvi-los.
Domingo de sons fortes
A noite anterior foi longa, no Palco 25 de Abril, e, depois de este encerrar, um pouco por todo o recinto. Mas às 14.30 horas de domingo, à chamada da Carvalhesa, lá estava o público da Festa pronto a ouvir os Skalibans. E logo aos primeiros frenéticos acordes começaram, aos milhares, a saltar e a dançar. A batida ritmada, as guitarras aceleradas e os saxofones garantiram o melhor início de tarde possível.
Os Bandarra vieram em seguida e não ficaram atrás. Com um som mais melodioso, e fundindo sonoridades diversas em agradáveis composições, o grupo açoriano foi do agrado deste generoso mas exigente público.
Os Peste & Sida são daquelas bandas que nunca desiludem, pelo contrário, encontram sempre a força necessária para se superarem, como fizeram uma vez mais na Festa do Avante!. Recebendo a energia do público, arrancaram uma excelente actuação, onde não faltaram as «bocas» dirigidas certeiramente aos poderosos deste país. Carraspana, Gingão e Sol da Caparica fizeram as delícias da plateia.
A seguir ao grandioso comício de encerramento da Festa, coube aos Ska P manterem as hostes aquecidas. As bandeiras do PCP (que já ali estavam aquando dos Peste & Sida e por ali ficaram durante o comício) mantiveram-se bem agitadas durante o concerto da banda espanhola, ele mesmo uma espécie de comício musical.
David Fonseca, a quem coube a honrosa missão de encerrar o Palco 25 de Abril, esteve à altura da tarefa. As suas canções mais conhecidas foram bem recebidas pelo público, que as cantou de princípio ao fim. Mais uma vez, o público da Festa do Avante! não deixou os créditos por mãos alheias mostrando que numa iniciativa única é, também ele, único.
Acordes que movem multidões
Não haverá muitas músicas neste País, nem dos mais conceituados artistas ou bandas, que tenham a capacidade de mover multidões como A Carvalhesa, que anuncia a abertura e o fecho do Palco 25 de Abril. Quando nas suas potentes colunas soam os primeiros acordes, é ver acorrerem ao relvado milhares (e milhares e milhares...) de pessoas para pular e saltar, saltar e pular. Particularmente emotivas são a primeira vez que toca, na sexta-feira, e as duas últimas: a seguir ao comício, numa espécie de celebração da força de um ideal, e no final da noite de domingo, acompanhada pelo fogo de artifício. Momentos únicos só possíveis nesta Festa.