Auditório 1.º de Maio

Palco de surpresas

Luís Gomes e Gustavo Carneiro
Os dois palcos principais da Festa do Avante! têm características muito diversas. Se o Palco 25 de Abril aposta em valores seguros da música e em bombásticas revelações do panorama musical nacional e internacional, no Auditório 1.º de Maio a aposta é na busca de sons – novos e velhos – menos conhecidos, populares ou eruditos. E também o público se dirige a este espaço com um espírito diferente. Não melhor nem pior, apenas diferente. Poucas vezes porque conhece os intérpretes e, na grande parte dos casos, com uma grande curiosidade e capacidade de entrega. E o resultado não podia ser melhor, como mais uma vez se comprovou na edição deste ano.

Primeiro dia deu o mote

Quando a Carvalhesa ecoou a assinalar a abertura dos espectáculos no Auditório 1.º de Maio, uma correria de jovens entrou pela tenda adentro e contagiou os que já aguardavam a actuação do cabo-verdiano Jon Luz, o primeiro a animar a noite de música com raízes africanas. A morna misturada com a salsa e com influências do resto do mundo foi envolvendo a assistência que rapidamente encheu a bancada ao fundo da tenda e se ia acomodando frente ao palco. Uns, começaram por dar uns tímidos pézinhos de dança. Outros, sentados na relva, conservavam as forças para mais tarde enquanto moviam a cabeça ao ritmo da musicalidade cabo-verdiana. A banda teve diante de si um público atento cujo entusiasmo foi crescendo à medida que a curiosidade ia fazendo chegar ao auditório cada vez mais convivas.
Coube depois à classificada como sucessora de Cesária Évora, Nancy Vieira, a tarefa de atrair público à tenda do auditório. «Benvindos aos sons da liberdade», exclamou. E era mesmo liberdade que se respirava no auditório. Cada vez mais convivas dançavam, enquanto outros iam preferindo ouvir atentamente a doce voz de Nancy ao ritmo dos funanás, das coladeras, do cola e do sam jon. «Somos um país pobre e a música é uma das nossas maiores riquezas», sublinhou a cantora que soube prová-lo da melhor forma, entregando-se totalmente ao público que já esgotava a tenda. E era bem diversificado, este público cuja mistura etária era uma evidência por todo o espaço.
Dispersos pelo espaço, alguns casais desfrutaram, bem coladinhos um no outro, romanticamente, de uns passos de dança que mereciam ser registados em imagem pela ternura que irradiavam. Um apaixonado casal quarentão, à semelhança de outros mais discretos, ficou na retina de muitos pela forma desinibida e indiferente aos restantes convivas como, apaixonadamente, foram dançando…
Mas um outro momento alto da noite no auditório ainda estava para vir através do reggae dos Kussondulola. O espectáculo teve duas particularidades que contribuíram para uma ainda maior enchente do auditório que já transbordava pelas costuras de tal forma que a parede lateral da tenda teve de ser especialmente aberta para que milhares de visitantes que não couberam pudessem assistir ao espectáculo, da parte de fora. Por um lado, era o espectáculo de sexta-feira mais aguardado por muitos dos visitantes. Por outro, o concerto teve início à meia-noite, após o encerramento dos espectáculos no Palco 25 de Abril, situação que fez convergir ainda mais espectadores.
«Sejam então benvindos à grande Festa da amizade, à grande Festa da consequência», começou o vocalista Janelo por desejar aos convivas. As mensagens de amor, justiça, paz e harmonia foram entoadas em coro por milhares ainda não habituados aos novos trabalhos do grupo mas com a memória bem viva quanto a temas que fizeram dos Kussondulola uma referência no panorama musical português, como foi o caso de «Perigosa» que fez do lago e do auditório um ponto de reencontro para todos os amantes do reggae, onde até os mais idosos não recusaram dançar e conviver entre rastas e jovens de todas as cores, gostos, costumes e tradições.
Marcante e entusiástica voltou a ser, no final, a Carvalhesa que encerrou o primeiro dia de Festa no auditório. Foi, de forma contundente, a constatação da alegria transbordante nos olhos de milhares de pessoas, num mesmo momento conjunto de felicidade, dança e vontade de viver.

Ritmo, paixão e revolução

No sábado à tarde, muitos descansavam à sombra do Auditório, bem como no seu interior. A noite anterior tinha sido de festa e a tarde estava muito quente. Aos primeiros acordes da «Carvalhesa», a anunciar o início dos espectáculos, inicia-se a segunda alvorada do dia e, entre saltos e danças, começa a consulta do programa da Festa. «Ficamos aqui? Sim, parece ser giro!», ouve-se, por estas ou outras palavras, em diversas conversas entre famílias e grupos de amigos.
Ao palco sobe o Realejo, agrupamento que se dedica à criação e interpretação de música de tradição europeia a partir da Idade Média. Tocando instrumentos pouco usuais, e com uma vocalista de voz límpida e também ela pouco usual, o grupo soube cativar a assistência curiosa e ávida de experimentar novas sonoridades. Ou sonoridades conhecidas mas interpretadas de forma inovadora, como foi o caso da célebre «Carvalhesa», que voltou a levantar a assistência, que não conseguia manter o pé no chão.
Em seguida, o Estardalhaço Brass Band continuou a alegria, concedendo-lhe novos moldes e novas sonoridades. Com oito músicos no palco, tocando outros tantos instrumentos – uma bateria e sete instrumentos de sopro –, o agrupamento era, ele mesmo, o espelho da alegria que se vivia no recinto. Com sorrisos estampados na face, músicos e público partilhavam uma mesma e imensa alegria. À alegria dos músicos em interpretar uma música alegre e de qualidade, com uns quantos efeitos psicadélicos, a assistência respondia com aplausos sinceros, danças espontâneas, alegria sincera. «Não há Festa como esta. Foi um prazer e voltem sempre», disse um dos músicos, enquanto interpretava um dos temas.
Os Telectu foram os senhores que se seguiram. Mantendo a tradição «experimentalista», o agrupamento e os seus dois convidados oriundos da ex-Alemanha Democrática, encantaram o público com as suas improvisações. O baterista e percussionista Günter Sommer experimentou de tudo para tocar a sua bateria, utilizando utensílios como luvas de cozinha e toalhas para arrancar som do instrumento. E conseguiu. E bem. Perante um público visivelmente boquiaberto com o virtuosismo apresentado, o trombonista Konrad Bauer improvisou durante largos minutos sozinho – os restantes músicos pararam de tocar e ali ficaram, a olhar e a ouvir – arrancando ao público um interminável aplauso.
Com a subida ao palco do Lusotango, o Auditório 1.º de Maio ganhou um carácter intenso, apaixonado e mesmo provocador. Interpretando de forma magistral o tango de Astor Piazolla, o conjunto conseguiu envolver o público numa atmosfera mágica repleta de sentimentos. Os sons sentidos e intensos do violino, do saxofone e do acordeão, com o piano e o contrabaixo a marcar o tom, não deixavam ninguém indiferente. Quando a vocalista e o par de bailarinos argentinos subiam ao palco o ambiente completava-se e a paixão destilada no palco contagiava o público, de forma particular os muitos casais – de todas as idades – que por ali andavam.
E a paixão virou Revolução, com a actuação do Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música. Interpretando canções do seu repertório popular e revolucionário, o coro levou às lágrimas muitos dos presentes, que, de punho cerrado, prolongavam o conjunto de vozes que, no palco, dava vida, de forma exemplar, às melodias e Lopes-Graça e aos poemas de grandes nomes da poesia portuguesa do século XX. Coro e público unidos «como os dedos da mão». A terminar, o coro, dirigido pelo maestro José Robert, interpretou «Acordai» e, juntamente com as centenas de pessoas presentes, «Grândola, Vila Morena».
No sábado à noite foi a vez da música balcânica tomar o seu lugar. Infelizmente, os Mostar Sevdah Reunion, a banda que é expoente máximo na Bósnia-Herzegovina, não pôde contar com a consagrada Ljljana Butler por motivo de doença, mas nem por isso o espectáculo perdeu qualidade. Com o lendário cantor cigano, Saban Bajramovich, um aceleradíssimo violino e uma frenética guitarra que o acompanhava, o público foi-se entusiasmando com o chamado Blues dos balcãs, que levou ao rubro o auditório, que foi fazendo gigantescas rodas e comboios humanos que se foram cruzando e contagiando a assistência.
Depois da forte correria a que obriga o entusiástico ritmo da banda da ex-Jugoslávia, o auditório reservou-se ao jazz do Quinteto Nelson Cascais. Há muito que os aficcionados reservam tempo para não perderem os momentos de jazz no auditório. O público transformou-se numa sóbria e silenciosa moldura humana atenta ao virtuosismo dos executores. Alguns trazem mesmo cadeiras de praia para desfrutarem, comodamente, dos sons do contrabaixo de Nelson e do seu quinteto.
Para quem buscasse um pouco de tranquilidade contrastante com os outros palcos, o auditório foi um mágico recanto. A noite de sábado culminou com uma homenagem à cantora Ella Fitzgerald, interpretada pela cantora Joana Rios. Numa voz calma e segura, foi embalando a plateia, que terminou rendido à sua actuação intimista.
No final, voltou a Carvalhesa e, com ela, centenas de jovens que, correndo da direcção do lago para o auditório fizeram, de novo o espaço transbordar de felicidade e alegria. O segundo dia de Festa não podia ter terminado melhor... e ainda faltava domingo!

Um espaço para todos!

A actuação, a abrir o dia de domingo, do grupo coral Moçoilas, da serra do Caldeirão, foi uma agradável surpresa. O facto de não estar anunciado na revista levou a que muita gente estivesse ali com objectivo de escutar outros sons, mas o que é certo é que não se ouviu nenhum protesto. Longe disso. Quem lá estava gostou e muito. Combinando sonoridades alentejanas e algarvias – ou não fossem dessa zona de charneira que é a serra do Caldeirão – as quatro mulheres revisitaram e actualizaram cancioneiros populares, com íntima ligação à vida, à cultura e à luta do povo daquela região.
Uma hora depois do anunciado, devido à actuação-surpresa do quarteto feminino, foi a vez dos Toques do Caramulo fazerem transbordar o auditório de alegria e ritmo, assim como de pessoas. Os ritmos portugueses, populares, encantaram todos. Com o recinto apinhado de gente jovem, era ver essa gente a saltar, a dançar alegremente, a seguir as coreografias propostas pelos elementos da banda que, no palco, não se mostravam menos alegres e felizes do que o público que haviam encantado.
Depois, a banda que muitos esperavam às 15.30 horas chegou uma hora depois, sem que ninguém se mostrasse de alguma forma irritado por esse facto. Quando os Dazkarieh subiram ao palco para iniciar a sua actuação, o recinto estava cheio de gente, já embalada pelos concertos anteriores. A música heterogénea e fora do comum da banda cativou os fãs e os curiosos, envolvendo todos num ambiente cativante, ao qual ninguém ficou indiferente.
À noite, passada a emoção e a intensidade do comício no palco 25 de Abril, foi a vez do fado tomar o seu lugar junto ao lago, no Auditório 1.º de Maio, primeiro com a actuação do jovem Ricardo Ribeiro e depois com o espectáculo O tempo e o Fado, que integrava os fadistas Maria Amélia Proença, Carla Pires, Marco Rodrigues, Helder Moutinho e António Zambujo. Foi com o sentimento do fado, mais ou menos tradicional, mais ou menos «inovador», que terminou a Festa deste ano no Auditório 1.º de Maio. Para o ano, esperam-se mais surpresas, a serem bebidas com entusiasmo pelos visitantes da Festa, tenham a idade, a origem ou a formação que tiverem.


Mais artigos de: Festa do Avante!

O poder da união dos jovens

Uma parte importante dos visitantes da Festa do Avante! são jovens que vêem reflectidos na Cidade da Juventude os seus problemas e aspirações. O lema do 8.º Congresso da JCP marcou o ritmo: «Transformar o Sonho em Vida».

Esclarecer para formar novos militantes

Rui Gonçalves e Catarina Matos fazem parte da brigada de contacto da JCP que na tarde de sábado percorre a zona das organizações de Santarém e da Madeira. À sombra, sentados no chão ou nas mesas, grupos de jovens conversam entre si. «Podemos falar um bocado com vocês? Costumam vir à Festa?» As apresentações são...

O festival da paz e da solidariedade

O 16.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, realizado em Agosto na Venezuela, foi um dos temas centrais da Cidade da Juventude. «O balanço da participação da JCP é bastante positivo, tanto na delegação como no festival», afirma Marta Matos em entrevista.«Consideramos que a JCP deu um grande contributo a nível...

Militância e camaradagem

Cristina Cardoso viveu na Quinta da Atalaia nas primeiras três semanas de Agosto para ajudar a construir a Cidade da Juventude e guarda grandes recordações dos momentos de trabalho e de camaradagem. «O convívio entre os camaradas que estavam na brigada foi muito bom. Procurávamos estar juntos em todos os momentos de...

O livro em festa na Festa do Livro

Como sempre, a Festa do Livro surgiu na Festa do Avante! corporizando uma monumental livraria que se alongava por dois imensos pavilhões, onde se alinhavam muitos milhares de títulos todos à mão de semear, que é como quem diz a jeito para a consulta.Havia de quase tudo, desde a mais diversa ficção literária, à poesia e...

Os lançamentos

Como também é tradicional na Festa do Livro, realizaram-se nos três dias do evento diversos lançamentos que constituíram estreias absolutas dos respectivos títulos no mercado nacional, geralmente com a presença dos autores ou apresentados por diferentes personalidades e tendo, algumas vezes, pequenas multidões a assistir...

Um grão de areia chamado Palestina

A situação no Médio Oriente, uma região do mundo que é desde há décadas palco da ingerência imperialista, foi tema de debate no espaço da Cidade Internacional, lugar por excelência para a manifestação da solidariedade entre os povos.Ali...

Reforçar a cooperação e a solidariedade

A convite do PCP, e antecedendo a abertura da Festa do Avante!, realizou-se no dia 2 de Setembro, em Almada, um Encontro internacional com o tema «60 anos depois da Vitória sobre o nazi-fascismo, realidades actuais e lutas dos comunistas e outras forças progressistas» em que participaram várias delegações de partidos...

Festival das modalidades

Ao longo dos três dias, dezenas de modalidades e eventos desportivos atraíram milhares de atletas e visitantes, para os quais o desporto representa um dos motivos centrais de interesse na diversificada programação da Festa do «Avante!».O espaço desporto abriu na sexta-feira com um animado encontro de futsal feminino...

Um bem cultural para todos os cidadãos

O PCP sempre considerou a prática desportiva como um bem cultural a que todos os cidadãos devem ter acesso, independentemente da idade, do sexo e da condição social. Neste sentido, durante os três dias, os visitantes da Festa puderam visitar, junto ao polidesportivo, a exposição «Desporto para Todos». Neste espaço,...

Desporto para todos

A situação do nosso País em matéria de política desportiva é a de um imenso buraco negro. É assim desde o I governo constitucional, já lá vão 29 anos, até ao exacto dia de hoje. Falar de «desporto para todos» é, pois, uma falácia. O que estes anos têm sido é de «falta de desporto para todos».A excepção, essa, ocorreu há...

Referência do desporto popular

Diz o povo que o que importa não é ganhar, mas participar. Na Atalaia, o espírito é, e sempre foi, esse. Mais de 1500 atletas, um recorde absoluto, desde amadores a desportista de renome, repartidos por centenas de equipas, vindas dos quatro cantos do País, participaram, domingo, na 18.ª Corrida da Festa. Esta prova, uma...

Classificações

Torneio de FutsalEscolinhas1.º Quinta da princesa2.º Soc. Rcreativa Unidos Botafogo3.º Stª Casa da Misericórdia do Seixal4.º Monte de Caparica Atlético ClubeO prémio de melhor marcador foi ganho por Milton e de melhor guarda-redes para Bernardo, ambos da Quinta da Princesa. A taça fairplay foi entregue Stª Casa da...

Delegações estrangeiras

A Festa do Avante! contou este ano com a presença de 47 delegações estrangeiras, a maior representação de partidos comunistas e organizações progressistas e de esquerda das últimas 15 edições da Festa.Alemanha - Partido Comunista AlemãoManfred Idler Neuss - Redactor do jornal "Unsere Zeit"Alemanha - Partido...

Lutar pelos direitos!

A frase de Álvaro Cunhal «Mulher! Toma nas próprias mãos a conquista dos teus direitos!», proferida numa Conferência do PCP sobre a emancipação da mulher em 5 de Novembro de 1985, encimava, com grande impacto visual, o Pavilhão da Mulher, que ser organizava em várias secções.Uma com «loja de vendas» onde se apresentava...

Pela paz, contra a guerra

Os «60 anos da Vitória sobre o Nazi-Fascismo» foram o tema do debate de sexta-feira à noite, moderado por Manuela Bernardino, do Secretariado do PCP, e onde os vários intervenientes se mostraram confiantes em que a paz é possível, desde que se lute.Para Albano Nunes, da Comissão Política, o PCP assinala o fim do...

A alternativa é possível

Francisco Lopes e Vasco Cardoso, membros da Comissão Política do PCP, Eugénio Rosa, economista da CGTP-IN, e João Torres, membro do Comité Central e coordenador da União dos Sindicatos do Porto, foram os oradores do debate «Portugal, Problemas, Luta e Alternativa», no sábado à tarde, moderado por Fátima Messias, do...

Esclarecer e lutar por outra Europa

O PCP teve «um papel fundamental» para que fosse aceite a ideia de realização de um referendo sobre a chamada Constituição europeia e «contra a trama do PS e da direita, para efectuar o referendo no dia das eleições autárquicas». Ao lembrar esse papel, no final do debate sobre o presente e o futuro da União Europeia,...

Com as populações para transformar

A poucas semanas das eleições autárquicas, mas em simultâneo com o estrondoso concerto dos Xutos e Pontapés, o projecto da CDU esteve em debate no Fórum do Pavilhão Central, no sábado à noite, com intervenções de Jorge Cordeiro, da Comissão Política do Partido, e dos membros do Comité Central, José Maria Pós-de-Mina,...

A discriminação subsiste

Trinta anos depois do 25 de Abril, a desigualdade de oportunidades e tratamento mantém-se em múltiplas situações, disse Graciete Cruz, da Comissão Executiva da CGTP-IN, no debate «Direitos das Mulheres em Portugal: Situação e Perspectivas», realizado no domingo e moderado por Júlio Vintém, do Comité Central.Graciete Cruz...

O trabalho prioritário

«Organizar, intervir e lutar nas empresas e locais de trabalho» foi tema para estar «À conversa com...» Alexandre Teixeira, José Timóteo e Vicente Merendas, membros do Comité Central, a meio da tarde de sábado, no espaço da imprensa do Partido.Do público, vieram preocupações sobre a forma de organizar os trabalhadores...

Pluralismo na informação?

A ideologia enquanto conjunto de ideias comunicáveis que transferimos uns para os outros, a coerência entre o discurso e a prática, a reprodução acrítica do que se ouve foram algumas das questões colocadas à discussão por Augusto Flor, da direcção da Festa, que, com Fernando Correia, professor universitário e jornalista,...

Em defesa dos serviços públicos

A transferência de serviços da alçada do Estado para privados é gravemente lesiva dos interesses das populações. A experiência já o demonstrou, nos últimos anos, e os portugueses sentiram-no na pele. Testemunhos concretos foram dados, sábado à noite, demonstrativos todos eles de acentuadas perdas de qualidade nos...

Resistir ao imperialismo

«A agressividade do imperialismo encontra resistência», apesar das dificuldades que se levantam ao movimento da paz, louvou Sandra Benfica, dirigente do Conselho Português para a Paz e Cooperação. Já Ângelo Alves, do Comité Central e da Secção Internacional do Partido, tinha enfatizado o relançamento das iniciativas de...

Fraternidade, solidariedade e alegria

As Organizações Regionais do PCP levaram à Festa do Avante! as realidades e vivências concretas de todas as zonas do País, erguendo no recinto da Atalaia uma amostra completa dos quotidianos, hábitos e culturas de que Portugal é feito. Um pouco por toda a Festa, uma vasta...

Duas faces da mesma moeda

Dois pavilhões – um dedicado à Emigração, outro à Imigração – assinalavam na Festa o fluxo de trabalhadores de Portugal no estrangeiro e de estrangeiros em Portugal. As duas faces de uma mesma moeda.Começando pela Emigração, o respectivo pavilhão apresentava coisas já usuais e também uma novidade. As coisas usuais...

Uma animação pegada!

Como sempre situado num aprazível recanto junto ao polidesportivo, o Espaço Criança mais uma vez se encheu não apenas de alegria e vivacidade típicas da infância, como consolidou um sucesso vindo de anteriores edições: as pinturas no rosto.Organizada pela JCP, esta iniciativa granjeou um tal sucesso entre os mais...

Debater e intervir

Sob o tema «A saída da crise. Como superar os défices?», realizou-se, no domingo, à tarde, no Café Concerto de Lisboa, um debate com a participação de Eugénio Rosa e Tiago Cunha. Da plateia, que encheu por completo o auditório, saíram opiniões, críticas às políticas governamentais, felicitações pelo trabalho realizado...

Um trabalho exemplar ao serviço da Festa

A Festa do Avante! é uma cidade imensa, onde confluem diariamente centenas de milhares de pessoas durante os três dias da sua duração. É obra, garantir a tão vasta e concentrada multidão os serviços normais de segurança, funcionamento e conforto de uma urbe moderna. Todavia, é o que acontece em cada edição e, como usa...

O difícil era escolher

Ladeado à direita pelo Alentejo e à esquerda pelos Açores e Viana do Castelo, o Pavilhão Central situava-se frente a Leiria e Castelo Branco/Guarda, alguns dos distritos este ano mais afectados pelo flagelo dos incêndios, assinalados, de resto, numa das exposições patentes...

Divulgar o saber para um País melhor

Entrando no Pavilhão Central pelo acesso virado ao Palco 25 de Abril, o visitante era atraído para a exposição «Portugal de Pedra e Cal». A Geologia ocupou este ano o habitual espaço de ciência e tecnologia, para a mostrar como ciência da Terra e na sua relação com a História, a Economia e a Sociedade. Como por toda a...

Rádio comunista

Paredes-meias com o espaço das TICs, o Comunic, rádio do PCP na Internet, montou o seu estúdio e realizou uma programação especial. Além de ir para o ar todas as quintas-feiras, das 15 às 18 horas, o Comunic emitiu duas horas por dia, durante a Festa, e transmitiu em directo o comício de domingo. Experimente esta tarde,...

A música foi à guerra! E venceu!

Com pancadas secas de tambor se iniciou, na sexta-feira, o espectáculo «Opus 1945», uma produção feita especialmente para a Festa do Avante! para comemorar os 60 anos da Vitória dos povos sobre o nazi-fascismo, em 1945. As pancadas, semelhantes a três pontos e um traço...

TICs para o desenvolvimento

No espaço das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), onde uma dezena de computadores esteve disponível para o livre uso pelos visitantes da Festa, foi dada especial atenção ao seu papel na sociedade. Quase metade do espaço disponível para painéis ficou ocupado com aquilo que os comunistas e seus aliados no...

Espaço de fruição e criação

«O acesso das massas à cultura não pode ser compreendido como o privilégio ou passatempo das elites, mas como a fruição e prática diária do povo inteiro». Estas palavras de Álvaro Cunhal, inscritas num extracto mais longo do discurso proferido na 1.ª Assembleia de Artes e Letras da ORL do PCP em 1978, foram lidas por...

Arte para o nosso tempo

Mais de uma centena de artistas plásticos responderam à proposta de reflexão feita para esta edição da grande festa da arte que é a Bienal, apresentando obras que ligaram ao poema «Mau Tempo para Lirismos», escrito por Bertolt Brecht numa altura em que o nazismo avançava impune.Percorrendo os currículos publicados no...

O render da guarda

Cada Festa é uma festa. E deixa na memória impressivas imagens e momentos que se não esquecem e que permitem a muita gente não as confundir, por mais anos que passem. Esta foi a 29.ª edição, três décadas passadas sobre a primeira vez que, na FIL, em Lisboa, soubemos, nós, os comunistas que as construímos e os visitantes...

Uma Festa construída a pulso

Permitam-me que a nossa primeira, mais calorosa e justa saudação seja dirigida aos cerca de 6500 construtores da Festa que aqui no terreno fizeram mais de 45 mil horas de trabalho militante sem esquecer tantos outros camaradas que deram o seu melhor e muitas horas de trabalho e criação nos aspectos de concepção e...

Uma Festa maior!

Um grande cortejo de bandeiras, tambores e cravos vermelhos, engrossava, escorrendo avenidas abaixo, ao aproximar-se a hora do comício de encerramento. E quando o som da Carvalhesa alastrou pela Festa, o cortejo converteu-se numa verdadeira torrente de multidão que se juntou aos muitos milhares que enchiam...

Transformar o sonho em vida

Durante décadas lutámos para ver um dia o sol nascer, lutámos com uma imensa confiança, certos de que transformar é possível, com uma profunda esperança de viver num país onde homens, mulheres e jovens, vivessem livremente.Destaque:Autor: (nenhum)Abílio FernandesAgostinho LopesAlbano NunesAlexandre AraújoÁlvaro CunhalAna...

Um processo criativo e inovador

Trago-vos as saudações fraternas do colectivo do Avante!, órgão central do nosso Partido. Saudações para os construtores da Festa: para os milhares de militantes e simpatizantes do Partido e da JCP que, com uma elevada consciência partidária, política e ideológica, ergueram esta bela cidade da Atalaia; para os que, nas...

Resistir é vencer!

Aqui estamos no limiar do ano 30 da Festa do Avante!. Num tempo fustigado por ventos hostis ao progresso social, à solidariedade, à acção colectiva, em que abundam os apelos ao conformismo e em que prevalecem os valores do individualismo, do egoísmo e do “salve-se quem...