Fraternidade, solidariedade e alegria
As Organizações Regionais do PCP levaram à Festa do Avante! as realidades e vivências concretas de todas as zonas do País, erguendo no recinto da Atalaia uma amostra completa dos quotidianos, hábitos e culturas de que Portugal é feito.
Um pouco por toda a Festa, uma vasta quadrícula de pavilhões ofereceu aos visitantes os produtos do trabalho e do talento dos portugueses onde quer que vivam, seja através duma impressionante panóplia de artesanatos, manufacturas e criações artísticas, seja pela apresentação das mais variadas iguarias e invenções gastronómicas, tudo confluindo numa completa exposição do carácter multifacetado e criador de um povo. As exposições políticas de cada uma das representações completou o bilhete de identidade de cada região, mostrando os seus problemas concretos, anseios, exigências e lutas.
As Eleições Autárquicas de 2005, e o projecto autárquico da CDU, uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, uma presença que deu corpo a causas e aspirações locais e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva para garantir uma gestão transparente, eficaz em todas as autarquias onde, mesmo em minoria, se encontre presente, foi também tema principal neste espaço, com a apresentação dos seus candidatos, nos vários concelhos. Neste espaço, as Organizações Regionais do PCP lembraram, com frases que ficarão para a história do nosso Partido, a figura de Álvaro Cunhal, que este ano nos deixou fisicamente.
Tradições e costumes
São nove da manhã e o sol brilha na Quinta da Atalaia. Lá fora, milhares de pessoas esperam pelo abrir dos portões. Lá dentro, outros tantos, camaradas na sua maioria, labutam arduamente para que este seja mais um dia de Festa, um espaço imenso de fraternidade, solidariedade e alegria. Prossegue-se a limpeza do recinto, lavam-se as mesas, acendem-se os fogareiros, vão-se buscar os diferentes géneros alimentares, fuma-se o último cigarro e bebe-se mais um café antes do início do turno.
Passados 3600 segundos, ao som da Carvalhesa, uma voz bem colocada dá as boas vindas aos visitantes da Festa do Avante! e informa-os das iniciativas mais importantes que irão preencher o seu dia.
Existem duas entradas para o recinto: a Medideira, junto ao campo de futebol do Amora, e a Quinta da Princesa. Façamos então o percurso por quem entra pela segunda opção. Passando pelo lado esquerdo do Espaço Internacional e do Avanteatro, deparamo-nos com o Pavilhão de Braga. Terra com tradições acentuadas na gastronomia, nos doces, no artesanato e no vinho, Braga é também sinónimo de luta. Nos têxteis, na indústria eléctrica, contra as deslocalizações, os trabalhadores de Braga não têm por costume baixar os braços. Foram estas lutas que estiveram presentes na exposição política. «Mais de 50 mil desempregados, 10 mil licenciados e quadros-técnicos no desemprego, mais de seis mil trabalhadores com salários em atraso, mais de 600 empresas falidas entre 2002 e 2005, 80 mil utentes não têm médico de família», denunciam os comunistas, sublinhando que, face à grave situação política, social e económica em que Braga se encontra, «o PCP é o único factor credível de esperança e confiança para os trabalhadores e para o povo. Estivemos e estaremos intransigentes na defesa de quem trabalha, nas empresas, na rua, e nas instituições, não vergando aos interesses instalados».
No espaço, o visitante, para além do restaurante «Tentações da Carne» e do «Tasco do Camilo», pôde ainda conhecer as propostas e os candidatos da CDU para o distrito. «Só o reforço da CDU em votos e mandatos possibilitará a resolução dos problemas que afectam as populações, que, 30 anos de gestão PS e PSD, não resolveram. Encaramos esta batalha confiantes no nosso projecto e exemplo de trabalho, honestidade e competência», lia-se num cartaz, fixado junto à entrada do stand.
Ali, para além dos petiscos, entradas e refeições ligeiras, tudo sempre bem acompanhado por um bom vinho verde da região, havia ainda a possibilidade de comprar os brinquedos de madeira de Vila Verde e Famalicão, os cestos de Braga e os chapéus de Fafe.
Caminhando em direcção à Praça da Paz, o ponto de encontro da Festa do Avante!, encontramos Setúbal. São agora 11 horas e a Festa está já repleta de pessoas. Numa região onde o PCP e a CDU têm uma forte intervenção autárquica, o Poder Local democrático, as suas conquistas e realizações, o balanço no trabalho no mandato 2001/2005, as propostas para a Península de Setúbal e as Eleições Autárquicas de Outubro, foram os temas centrais da exposição política.
Para comer, e beber, naturalmente, os diversos concelhos brindam o visitante com o que de melhor esta terra pode oferecer: Arroz de tamboril, choco frito e camarão do rio, em Setúbal, caldeirada de enguias, no Seixal, massada de cherne, em Almada, camarão, lagosta, sapateira, caldo de camarão e outros mariscos, em Sesimbra, e frango no churrasco e febras na brasa, na Moita.
Sabores e tradições
Quando o dia ia já a meio, tempo era de procurar um lugar para almoçar. Nas cozinhas ultimam-se os últimos pormenores. «Apressem-se a cortar as batatas, passem-me os tomates para fazer a salada», dizia uma camarada, em ritmo bastante acelerado. Estávamos agora no Alentejo, local de convívio, de reencontro todos os anos de muitos que não vivendo já nas suas terras de origem, aqui, podem cruzar-se de novo com amigos, com recordações, com sabores e tradições, aos quais continuam ainda ligados.
Os petiscos, de Beja, Évora, Litoral e Portalegre, não faltaram. O ensopado de borrego, como não podia deixar de ser, foi o rei das ementas, bem acompanhado pelos cozidos de grão, pelo arroz à pescador, caldeirada à moda de Sines e pela carne de porco à alentejana. O vinho, os queijos e o pão da região foram acompanhamento de qualidade.
Em termos políticos, o Alentejo apresentou uma exposição, com belas fotografias, para fazer reviver memórias, mostrar o presente, dar força na luta que teremos brevemente. «Nas próximas Eleições Autárquicas, porque se trata de escolher quem dirige o Poder Local, é muito importante pensarmos sobre quem queremos que nos ajude, quem queremos que se preocupe, quem vai, efectivamente, trabalhar para resolver os inúmeros problemas que cada concelho tem, que cada um de nós tem. O PCP e a CDU não têm uma receita milagrosa. Têm apenas a certeza que os homens e as mulheres que concorrem nas nossas listas, quando eleitos, dão o melhor de si próprios, com trabalho, honestidade e competência, empenhados para ajudar a população», lia-se.
Todo o espaço envolvente tinha ainda uma característica especial, em todas as suas paredes, estavam transcritas frases proferidas por Álvaro Cunhal. «O PCP é filho da classe operária. Se secassem as suas raízes de classe, estaria condenado a envelhecer, a definhar e a morrer. A classe operária é para o Partido a fonte de vida e do permanente rejuvenescimento», escreveu, um dia, Álvaro Cunhal.
Passava pouco das 16 horas quando, ao som de uma banda de animação de rua, junto à Praça da Paz, entrámos em Coimbra. A gastronomia regional, o artesanato, a informação sobre a actividade política e as lutas na região, foram motivos fortes para a procura de milhares de pessoas que percorreram aquele espaço. Além disso, foi ponto de encontro para rever amizades e saudável forma de matar as saudades dos encantos de Coimbra. No restaurante regional, o porco assado e a chanfana, acompanhados por bons vinhos da região (Dão e Bairrada), tiveram lugar de destaque. Na tasquinha, os visitantes puderam encontrar os mais diversos tipos de petiscos, tanto para refeições mais ligeiras, como pretexto ou complemento de uma cavaqueira ou momento de alegre convívio. Famosos produtos regionais, tais como o queijo do Rabaçal, os enchidos de Soure, os pastéis de Tertugal ou as nevadas de Penacova, satisfizeram os paladares mais exigentes dos apreciadores de coisas boas da vida.
A actividade do Partido, as iniciativas políticas e as lutas dos trabalhadores e das populações da região, estiveram presentes na exposição regional. Nela, os visitantes puderam tomar conta da acção do PCP em relação a problemas tão diversos como os fogos florestais, dos pescadores, do desemprego, dos transportes e acessibilidades, das lutas dos trabalhadores, das populações em defesa do meio ambiente ou da resolução do problema do IP3.
Com a garganta já seca, fruto das altas temperaturas que se faziam sentir, altura era de ir até Leiria. Com vários motivos de interesse para o visitante, a Organização Regional de Leiria do PCP mostrou, durante os três dias da Festa, a vida, a luta e os costumes da região. A participação política esteve marcada por uma exposição que pretendeu mostrar o trabalho, o desenvolvimento e a luta dos trabalhadores do distrito, assim como a actividade e organização do Partido. Neste espaço, foram ainda apresentados os candidatos da CDU para o distrito.
Para além da gastronomia, onde se distingue o pão quente com chouriço e a sardinha assada, o visitante pôde ainda encontrar o «Stand do Vidro», onde o cristal e o vidro da Marinha Grande estiveram em destaque. Havia ainda um «Sai-Sempre», com prémios de excelente qualidade.
Defender as populações
Caminhando, em direcção ao Palco 25 de Abril, encontramos agora Castelo Branco e Guarda, que estiveram aqui representados conjuntamente. A exposição política destes dois distritos esteve dividida em dois temas: «Eleições Autárquicas, Candidatos e Propostas» e «Actividade do Partido nos Distritos».
«A CDU nos distritos de Castelo Branco e Guarda parte para estas eleições com a confiança de quem provou ser capaz de assumir, mesmo em minoria, como uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, que deu corpo a causas e aspirações locais e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva para garantir a defesa dos interesses da população. Os eleitos da CDU bater-se-ão pelo desenvolvimento sustentável do interior, pelo progresso das suas aldeias, vilas e cidades, pela constituição de um território mais coeso e solidário, onde os direitos ao emprego de qualidade e com direitos, a saúde, a educação, o desporto, sejam uma realidade efectiva», leu-se, na exposição.
Quando dia teimava em findar, chegámos a Lisboa. Eram agora 19h30 e as mesas dos restaurantes e bares estavam a abarrotar. No entanto, há sempre lugar para mais um camarada. No alto lia-se: «Sonhamos com um mundo melhor onde os homens não vivam da dor de outros homens» e «Por muitas voltas que o mundo dê, não será o capitalismo, mas o comunismo, o futuro da humanidade», referência a Álvaro Cunhal.
Também aqui, a Organização Regional de Lisboa teve como tema central o trabalho realizado pelos eleitos locais do PCP e da CDU nas autarquias do distrito. Através de uma exposição, composta por 72 painéis enquadrados por uma linha gráfica comum, foram apresentadas as principais propostas da CDU para os diversos concelhos.
«O objectivo principal da CDU é a melhoria das condições de vida das populações, nomeadamente as mais carenciadas. Nas actividades económicas, apoiar o comércio tradicional; Incentivar a instalação de indústrias respeitadoras da qualidade de vida das populações; apoiar o desenvolvimento rural através da implantação da Feira Rural e declarar o concelho da Lourinhã como livre da plantação de sementes transgénicas», dizia um dos cabeças de lista da CDU à Câmara Municipal.
«Dotar o Centro de Saúde com consultas da especialidade, construir as piscinas municipais, ligar a escola à vida, promovendo a igualdade de oportunidades, criar um centro municipal da juventude, desburocratizar os serviços da Câmara», são outras das propostas avançadas. Num espaço próprio, os visitantes da Festa puderam ainda contactar com grande parte dos candidatos da CDU para os 16 concelhos do distrito de Lisboa.
Um dos temas centrais da Festa deste ano – O 60.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, teve também um tratamento especial, uma vez que a decoração de todo o espaço de Lisboa era composto por painéis com fotos e textos alusivos ao tema. A frontear o espaço pôde ainda ser apreciado um painel de grandes dimensões dedicado ao reforço do Partido, ao 17.º Congresso do PCP e às lutas dos trabalhadores.
A terminar, com passagem sempre obrigatória, encontramos a Feira da Ladra. Casacos, cobertores, vestidos de noiva, livros, brinquedos, candeeiros, relógios de parede, tudo se podia achar neste espaço, ao mais baixo preço, como não podia deixar de ser.
Esta gente é de classe!
Punha-se o sol na Atalaia. Em direcção à entrada da Medideira encontramos Aveiro. «Vai uma caixa de ovos moles», disse a camarada do balcão, convite que prontamente aceitamos. Havia ainda pão-de-ló de Arouca e de Ovar, pastéis de Águeda, morcelas e castanhas doces de Arouca.
«Na Festa do Avante fazemos uma singela homenagem aos que num quadro de imensas pressões políticas, sociais familiares, ideológicas, na sua maioria mulheres, estiveram na primeira linha destes episódios, da interminável luta de classes. Porque esta gente é de classe!», observa-se, percorrendo a exposição política deste espaço, que dava a conhecer as lutas dos trabalhadores da Yazaki, Philips e da Formulária.
Mantendo uma tradição de anos, mas sempre renovada, a gastronomia do distrito, teve como prato forte o leitão assado, da Bairrada. No bar, o visitante podia ainda optar pelas sandes, feijoada de leitão, pratinhos de rojões, de pipis, petiscos sempre acompanhados pelos bons vinhos maduros, tinto e branco, dos espumantes, meio seco e bruto, do castiço, exclusivos da região da Bairrada.
Passando pelo bar vegetariano, da responsabilidade da JCP, dirigimo-nos agora para Viseu. A decoração deste espaço mostra aos visitantes as casas das aldeias serranas. Através de alguns murais são transmitidas mensagens políticas mostrando o trabalho dos comunistas no distrito, a luta dos trabalhadores para uma nova política, para os agricultores e compartes em defesa da agricultura familiar e dos baldios por um mundo rural vivo. Na parte gastronómica, os nacos de vitela arouquesa assados na brasa, a vitela de Lafões e os rojões à moda da Beira, são uma tentação.
Aproveitando o balanço, dirigimo-nos ao Algarve. Pela fila formada, o que não era diferente nas outras organizações, e pelas cascas de marisco no cimo das mesas, tudo levava a crer que também aqui a «paparoca» era boa. O trabalho e o Partido nas regiões, o 60.º aniversário da derrota do nazi-fascismo, o 17.º Congresso do PCP, a campanha de contactos, a seca extrema no Algarve, os fogos florestais foram os temas fortes deste ano.
Com os segundos, os minutos, as horas, a correrem vertiginosamente, a Festa do Avante! estava a abarrotar de pessoas bonitas e simpáticas. A alegria transparecia e transbordava nos olhares e nos gestos de cada um.
Eram agora 20h30 e a posta mirandesa estava pronta a servir. Estava-mos, como não podia deixar de ser, em Bragança. Podia-se ainda saborear outros pratos, nomeadamente feijoada à transmontana, pernil de porco fumado, alheiras e azeitonas. Este ano, Bragança seleccionou como elemento de decoração do seu pavilhão o «Ciclo do Pão». Todas as fases deste ciclo - a terra lavrada, as searas e a cozedura, fizeram parte de uma exposição que o visitante podia observar. Havia ainda uma outra, esta de cariz político, que reflectia a intensa actividade e as propostas do PCP para o Nordeste, onde as Eleições Autárquicas terão um papel de relevo.
30 anos de Poder Local
Dirigimo-nos agora para baixo, rumo ao Palco 25 de Abril. São 21 horas e a sopa da pedra de Santarém continua a sair. Na parte dos doces, segundo o camarada que estava ao balcão, «o que mais se tem vendido é o pão-de-ló de Rio Maior, as tijeladas de Abrantes e as broas de Alpiarça».
Em termos políticos, a Organização Regional de Santarém abordou os 30 anos de Poder Local democrático, a gestão da CDU, a diferença no distrito, o trabalho feito, o papel dos comunistas nas autarquias. «O projecto autárquico do PCP é obra colectiva de milhares de comunistas, homens e mulheres, eleitos e não eleitos, que interviriam e intervém na luta pela melhoria das condições de vida do povo e pela transformação social. A diferença da acção dos eleitos do PCP e da CDU está no contacto e na participação das populações, elementos essenciais na nossa gestão», afirmam os comunistas ribatejanos.
A paredes quase meias, fica a Madeira. Tempo era de beber uma poncha, até porque o jantar ia já longe. Para além das espetadas de carne de vaca em pau de louro, os visitantes podiam ainda apreciar uma exposição subordinada ao tema «30 anos de luta das mulheres», por melhores condições de vida.
«Os capítulos da história poucas referências reservam ao papel da mulher em importantes modificações históricas, económicas e sociais. Na Região Autónoma da Madeira não é diferente. Donas de casa, unhas enegrecidas e braços picados pelo apanhar da erva, elas remeteram-se a um papel secundário, lideradas por homens. Quando eles faltavam, escondidos no álcool, emigrados ou doentes, o rótulo da fragilidade depressa se esbatia, entre as lides de casa, o cuidar dos filhos e das terras, num “timing” em que a agricultura era, literalmente, o “o pão nosso de cada dia”», lia-se por entre painéis.
Junto à Festa da música, onde tocavam os Xutos & Pontapés, encontrava-se o Porto. O espaço, este ano, estava enquadrado por grandes painéis que mostravam a Ribeira do Porto e a Ponte D. Luís. A luta dos comunistas e a sua actividade, a luta dos movimentos sociais e cívicos do distrito, estiveram presentes na exposição política. A Organização Regional do Porto fez ainda referência a grandes vultos da região, como o poeta Eugénio de Andrade e o professor Ruy Luís Gomes.
Porque a terra e o mar são elementos constantes na gastronomia da região do Porto e cruzam-se de forma única em resultados luminosos de sabor, este ano, os visitantes da Festa puderam recuperar o essencial da boa cozinha do distrito, saboreando, entre outros pratos, as tripas à moda do Porto, a orelheira com feijão, de Gondomar, o bacalhau e a sardinha assada, de Matosinhos, o bacalhau frito, da Maia, os rojões e o arroz de cabidela de frango, de Santo Tirso e Trofa.
Passos à frente, tentando fugir da multidão que invadia o recinto, junto ao Espaço da JCP, ficava Viana do Castelo. A actividade partidária, a intervenção local, a luta dos trabalhadores, os autarcas da CDU e a reconstrução do Centro de Trabalho, foram os temas em destaque.
«A DORVIC e as organizações concelhias do Partido, em estreita ligação com os eleitos do PCP e da CDU para os órgãos institucionais, intervieram sobre os problemas das populações, como as questões de equipamentos locais e de prestação de cuidados de saúde, as vias de comunicação e os graves problemas ambientais, de segurança das populações e dos pescadores, e também dos trabalhadores», asseguram os comunistas.
Por fim, após quilómetros de boa disposição e algum cansaço, entramos, por terra, nos Açores. Este ano o os comunistas açoreanos homenagearam Maria dos Santos Machado (Rubina), com uma exposição e uma peça teatro, escrita e encenada por Leandro Vale.
«Para muitos será uma ilustre desconhecida da qual nunca tinham ouvido falar. Porém, Rubina, Maria Machado, é das mais ricas figuras da história portuguesa. Infelizmente a memória é coisa que falta ao povo português E essa falta de memória ainda se acentua quando falamos de uma mulher, açoreana, nascida na ilha de S. Jorge, mais propriamente na Ribeira Seca. Esta é a pequena homenagem que lhe prestamos, como cidadã exemplar, vítima das injustiças dos homens, por crer que a palavra liberdade é o maior bem que pode existir para o ser humano», sublinha-se.
Um pouco por toda a Festa, uma vasta quadrícula de pavilhões ofereceu aos visitantes os produtos do trabalho e do talento dos portugueses onde quer que vivam, seja através duma impressionante panóplia de artesanatos, manufacturas e criações artísticas, seja pela apresentação das mais variadas iguarias e invenções gastronómicas, tudo confluindo numa completa exposição do carácter multifacetado e criador de um povo. As exposições políticas de cada uma das representações completou o bilhete de identidade de cada região, mostrando os seus problemas concretos, anseios, exigências e lutas.
As Eleições Autárquicas de 2005, e o projecto autárquico da CDU, uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, uma presença que deu corpo a causas e aspirações locais e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva para garantir uma gestão transparente, eficaz em todas as autarquias onde, mesmo em minoria, se encontre presente, foi também tema principal neste espaço, com a apresentação dos seus candidatos, nos vários concelhos. Neste espaço, as Organizações Regionais do PCP lembraram, com frases que ficarão para a história do nosso Partido, a figura de Álvaro Cunhal, que este ano nos deixou fisicamente.
Tradições e costumes
São nove da manhã e o sol brilha na Quinta da Atalaia. Lá fora, milhares de pessoas esperam pelo abrir dos portões. Lá dentro, outros tantos, camaradas na sua maioria, labutam arduamente para que este seja mais um dia de Festa, um espaço imenso de fraternidade, solidariedade e alegria. Prossegue-se a limpeza do recinto, lavam-se as mesas, acendem-se os fogareiros, vão-se buscar os diferentes géneros alimentares, fuma-se o último cigarro e bebe-se mais um café antes do início do turno.
Passados 3600 segundos, ao som da Carvalhesa, uma voz bem colocada dá as boas vindas aos visitantes da Festa do Avante! e informa-os das iniciativas mais importantes que irão preencher o seu dia.
Existem duas entradas para o recinto: a Medideira, junto ao campo de futebol do Amora, e a Quinta da Princesa. Façamos então o percurso por quem entra pela segunda opção. Passando pelo lado esquerdo do Espaço Internacional e do Avanteatro, deparamo-nos com o Pavilhão de Braga. Terra com tradições acentuadas na gastronomia, nos doces, no artesanato e no vinho, Braga é também sinónimo de luta. Nos têxteis, na indústria eléctrica, contra as deslocalizações, os trabalhadores de Braga não têm por costume baixar os braços. Foram estas lutas que estiveram presentes na exposição política. «Mais de 50 mil desempregados, 10 mil licenciados e quadros-técnicos no desemprego, mais de seis mil trabalhadores com salários em atraso, mais de 600 empresas falidas entre 2002 e 2005, 80 mil utentes não têm médico de família», denunciam os comunistas, sublinhando que, face à grave situação política, social e económica em que Braga se encontra, «o PCP é o único factor credível de esperança e confiança para os trabalhadores e para o povo. Estivemos e estaremos intransigentes na defesa de quem trabalha, nas empresas, na rua, e nas instituições, não vergando aos interesses instalados».
No espaço, o visitante, para além do restaurante «Tentações da Carne» e do «Tasco do Camilo», pôde ainda conhecer as propostas e os candidatos da CDU para o distrito. «Só o reforço da CDU em votos e mandatos possibilitará a resolução dos problemas que afectam as populações, que, 30 anos de gestão PS e PSD, não resolveram. Encaramos esta batalha confiantes no nosso projecto e exemplo de trabalho, honestidade e competência», lia-se num cartaz, fixado junto à entrada do stand.
Ali, para além dos petiscos, entradas e refeições ligeiras, tudo sempre bem acompanhado por um bom vinho verde da região, havia ainda a possibilidade de comprar os brinquedos de madeira de Vila Verde e Famalicão, os cestos de Braga e os chapéus de Fafe.
Caminhando em direcção à Praça da Paz, o ponto de encontro da Festa do Avante!, encontramos Setúbal. São agora 11 horas e a Festa está já repleta de pessoas. Numa região onde o PCP e a CDU têm uma forte intervenção autárquica, o Poder Local democrático, as suas conquistas e realizações, o balanço no trabalho no mandato 2001/2005, as propostas para a Península de Setúbal e as Eleições Autárquicas de Outubro, foram os temas centrais da exposição política.
Para comer, e beber, naturalmente, os diversos concelhos brindam o visitante com o que de melhor esta terra pode oferecer: Arroz de tamboril, choco frito e camarão do rio, em Setúbal, caldeirada de enguias, no Seixal, massada de cherne, em Almada, camarão, lagosta, sapateira, caldo de camarão e outros mariscos, em Sesimbra, e frango no churrasco e febras na brasa, na Moita.
Sabores e tradições
Quando o dia ia já a meio, tempo era de procurar um lugar para almoçar. Nas cozinhas ultimam-se os últimos pormenores. «Apressem-se a cortar as batatas, passem-me os tomates para fazer a salada», dizia uma camarada, em ritmo bastante acelerado. Estávamos agora no Alentejo, local de convívio, de reencontro todos os anos de muitos que não vivendo já nas suas terras de origem, aqui, podem cruzar-se de novo com amigos, com recordações, com sabores e tradições, aos quais continuam ainda ligados.
Os petiscos, de Beja, Évora, Litoral e Portalegre, não faltaram. O ensopado de borrego, como não podia deixar de ser, foi o rei das ementas, bem acompanhado pelos cozidos de grão, pelo arroz à pescador, caldeirada à moda de Sines e pela carne de porco à alentejana. O vinho, os queijos e o pão da região foram acompanhamento de qualidade.
Em termos políticos, o Alentejo apresentou uma exposição, com belas fotografias, para fazer reviver memórias, mostrar o presente, dar força na luta que teremos brevemente. «Nas próximas Eleições Autárquicas, porque se trata de escolher quem dirige o Poder Local, é muito importante pensarmos sobre quem queremos que nos ajude, quem queremos que se preocupe, quem vai, efectivamente, trabalhar para resolver os inúmeros problemas que cada concelho tem, que cada um de nós tem. O PCP e a CDU não têm uma receita milagrosa. Têm apenas a certeza que os homens e as mulheres que concorrem nas nossas listas, quando eleitos, dão o melhor de si próprios, com trabalho, honestidade e competência, empenhados para ajudar a população», lia-se.
Todo o espaço envolvente tinha ainda uma característica especial, em todas as suas paredes, estavam transcritas frases proferidas por Álvaro Cunhal. «O PCP é filho da classe operária. Se secassem as suas raízes de classe, estaria condenado a envelhecer, a definhar e a morrer. A classe operária é para o Partido a fonte de vida e do permanente rejuvenescimento», escreveu, um dia, Álvaro Cunhal.
Passava pouco das 16 horas quando, ao som de uma banda de animação de rua, junto à Praça da Paz, entrámos em Coimbra. A gastronomia regional, o artesanato, a informação sobre a actividade política e as lutas na região, foram motivos fortes para a procura de milhares de pessoas que percorreram aquele espaço. Além disso, foi ponto de encontro para rever amizades e saudável forma de matar as saudades dos encantos de Coimbra. No restaurante regional, o porco assado e a chanfana, acompanhados por bons vinhos da região (Dão e Bairrada), tiveram lugar de destaque. Na tasquinha, os visitantes puderam encontrar os mais diversos tipos de petiscos, tanto para refeições mais ligeiras, como pretexto ou complemento de uma cavaqueira ou momento de alegre convívio. Famosos produtos regionais, tais como o queijo do Rabaçal, os enchidos de Soure, os pastéis de Tertugal ou as nevadas de Penacova, satisfizeram os paladares mais exigentes dos apreciadores de coisas boas da vida.
A actividade do Partido, as iniciativas políticas e as lutas dos trabalhadores e das populações da região, estiveram presentes na exposição regional. Nela, os visitantes puderam tomar conta da acção do PCP em relação a problemas tão diversos como os fogos florestais, dos pescadores, do desemprego, dos transportes e acessibilidades, das lutas dos trabalhadores, das populações em defesa do meio ambiente ou da resolução do problema do IP3.
Com a garganta já seca, fruto das altas temperaturas que se faziam sentir, altura era de ir até Leiria. Com vários motivos de interesse para o visitante, a Organização Regional de Leiria do PCP mostrou, durante os três dias da Festa, a vida, a luta e os costumes da região. A participação política esteve marcada por uma exposição que pretendeu mostrar o trabalho, o desenvolvimento e a luta dos trabalhadores do distrito, assim como a actividade e organização do Partido. Neste espaço, foram ainda apresentados os candidatos da CDU para o distrito.
Para além da gastronomia, onde se distingue o pão quente com chouriço e a sardinha assada, o visitante pôde ainda encontrar o «Stand do Vidro», onde o cristal e o vidro da Marinha Grande estiveram em destaque. Havia ainda um «Sai-Sempre», com prémios de excelente qualidade.
Defender as populações
Caminhando, em direcção ao Palco 25 de Abril, encontramos agora Castelo Branco e Guarda, que estiveram aqui representados conjuntamente. A exposição política destes dois distritos esteve dividida em dois temas: «Eleições Autárquicas, Candidatos e Propostas» e «Actividade do Partido nos Distritos».
«A CDU nos distritos de Castelo Branco e Guarda parte para estas eleições com a confiança de quem provou ser capaz de assumir, mesmo em minoria, como uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, que deu corpo a causas e aspirações locais e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva para garantir a defesa dos interesses da população. Os eleitos da CDU bater-se-ão pelo desenvolvimento sustentável do interior, pelo progresso das suas aldeias, vilas e cidades, pela constituição de um território mais coeso e solidário, onde os direitos ao emprego de qualidade e com direitos, a saúde, a educação, o desporto, sejam uma realidade efectiva», leu-se, na exposição.
Quando dia teimava em findar, chegámos a Lisboa. Eram agora 19h30 e as mesas dos restaurantes e bares estavam a abarrotar. No entanto, há sempre lugar para mais um camarada. No alto lia-se: «Sonhamos com um mundo melhor onde os homens não vivam da dor de outros homens» e «Por muitas voltas que o mundo dê, não será o capitalismo, mas o comunismo, o futuro da humanidade», referência a Álvaro Cunhal.
Também aqui, a Organização Regional de Lisboa teve como tema central o trabalho realizado pelos eleitos locais do PCP e da CDU nas autarquias do distrito. Através de uma exposição, composta por 72 painéis enquadrados por uma linha gráfica comum, foram apresentadas as principais propostas da CDU para os diversos concelhos.
«O objectivo principal da CDU é a melhoria das condições de vida das populações, nomeadamente as mais carenciadas. Nas actividades económicas, apoiar o comércio tradicional; Incentivar a instalação de indústrias respeitadoras da qualidade de vida das populações; apoiar o desenvolvimento rural através da implantação da Feira Rural e declarar o concelho da Lourinhã como livre da plantação de sementes transgénicas», dizia um dos cabeças de lista da CDU à Câmara Municipal.
«Dotar o Centro de Saúde com consultas da especialidade, construir as piscinas municipais, ligar a escola à vida, promovendo a igualdade de oportunidades, criar um centro municipal da juventude, desburocratizar os serviços da Câmara», são outras das propostas avançadas. Num espaço próprio, os visitantes da Festa puderam ainda contactar com grande parte dos candidatos da CDU para os 16 concelhos do distrito de Lisboa.
Um dos temas centrais da Festa deste ano – O 60.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, teve também um tratamento especial, uma vez que a decoração de todo o espaço de Lisboa era composto por painéis com fotos e textos alusivos ao tema. A frontear o espaço pôde ainda ser apreciado um painel de grandes dimensões dedicado ao reforço do Partido, ao 17.º Congresso do PCP e às lutas dos trabalhadores.
A terminar, com passagem sempre obrigatória, encontramos a Feira da Ladra. Casacos, cobertores, vestidos de noiva, livros, brinquedos, candeeiros, relógios de parede, tudo se podia achar neste espaço, ao mais baixo preço, como não podia deixar de ser.
Esta gente é de classe!
Punha-se o sol na Atalaia. Em direcção à entrada da Medideira encontramos Aveiro. «Vai uma caixa de ovos moles», disse a camarada do balcão, convite que prontamente aceitamos. Havia ainda pão-de-ló de Arouca e de Ovar, pastéis de Águeda, morcelas e castanhas doces de Arouca.
«Na Festa do Avante fazemos uma singela homenagem aos que num quadro de imensas pressões políticas, sociais familiares, ideológicas, na sua maioria mulheres, estiveram na primeira linha destes episódios, da interminável luta de classes. Porque esta gente é de classe!», observa-se, percorrendo a exposição política deste espaço, que dava a conhecer as lutas dos trabalhadores da Yazaki, Philips e da Formulária.
Mantendo uma tradição de anos, mas sempre renovada, a gastronomia do distrito, teve como prato forte o leitão assado, da Bairrada. No bar, o visitante podia ainda optar pelas sandes, feijoada de leitão, pratinhos de rojões, de pipis, petiscos sempre acompanhados pelos bons vinhos maduros, tinto e branco, dos espumantes, meio seco e bruto, do castiço, exclusivos da região da Bairrada.
Passando pelo bar vegetariano, da responsabilidade da JCP, dirigimo-nos agora para Viseu. A decoração deste espaço mostra aos visitantes as casas das aldeias serranas. Através de alguns murais são transmitidas mensagens políticas mostrando o trabalho dos comunistas no distrito, a luta dos trabalhadores para uma nova política, para os agricultores e compartes em defesa da agricultura familiar e dos baldios por um mundo rural vivo. Na parte gastronómica, os nacos de vitela arouquesa assados na brasa, a vitela de Lafões e os rojões à moda da Beira, são uma tentação.
Aproveitando o balanço, dirigimo-nos ao Algarve. Pela fila formada, o que não era diferente nas outras organizações, e pelas cascas de marisco no cimo das mesas, tudo levava a crer que também aqui a «paparoca» era boa. O trabalho e o Partido nas regiões, o 60.º aniversário da derrota do nazi-fascismo, o 17.º Congresso do PCP, a campanha de contactos, a seca extrema no Algarve, os fogos florestais foram os temas fortes deste ano.
Com os segundos, os minutos, as horas, a correrem vertiginosamente, a Festa do Avante! estava a abarrotar de pessoas bonitas e simpáticas. A alegria transparecia e transbordava nos olhares e nos gestos de cada um.
Eram agora 20h30 e a posta mirandesa estava pronta a servir. Estava-mos, como não podia deixar de ser, em Bragança. Podia-se ainda saborear outros pratos, nomeadamente feijoada à transmontana, pernil de porco fumado, alheiras e azeitonas. Este ano, Bragança seleccionou como elemento de decoração do seu pavilhão o «Ciclo do Pão». Todas as fases deste ciclo - a terra lavrada, as searas e a cozedura, fizeram parte de uma exposição que o visitante podia observar. Havia ainda uma outra, esta de cariz político, que reflectia a intensa actividade e as propostas do PCP para o Nordeste, onde as Eleições Autárquicas terão um papel de relevo.
30 anos de Poder Local
Dirigimo-nos agora para baixo, rumo ao Palco 25 de Abril. São 21 horas e a sopa da pedra de Santarém continua a sair. Na parte dos doces, segundo o camarada que estava ao balcão, «o que mais se tem vendido é o pão-de-ló de Rio Maior, as tijeladas de Abrantes e as broas de Alpiarça».
Em termos políticos, a Organização Regional de Santarém abordou os 30 anos de Poder Local democrático, a gestão da CDU, a diferença no distrito, o trabalho feito, o papel dos comunistas nas autarquias. «O projecto autárquico do PCP é obra colectiva de milhares de comunistas, homens e mulheres, eleitos e não eleitos, que interviriam e intervém na luta pela melhoria das condições de vida do povo e pela transformação social. A diferença da acção dos eleitos do PCP e da CDU está no contacto e na participação das populações, elementos essenciais na nossa gestão», afirmam os comunistas ribatejanos.
A paredes quase meias, fica a Madeira. Tempo era de beber uma poncha, até porque o jantar ia já longe. Para além das espetadas de carne de vaca em pau de louro, os visitantes podiam ainda apreciar uma exposição subordinada ao tema «30 anos de luta das mulheres», por melhores condições de vida.
«Os capítulos da história poucas referências reservam ao papel da mulher em importantes modificações históricas, económicas e sociais. Na Região Autónoma da Madeira não é diferente. Donas de casa, unhas enegrecidas e braços picados pelo apanhar da erva, elas remeteram-se a um papel secundário, lideradas por homens. Quando eles faltavam, escondidos no álcool, emigrados ou doentes, o rótulo da fragilidade depressa se esbatia, entre as lides de casa, o cuidar dos filhos e das terras, num “timing” em que a agricultura era, literalmente, o “o pão nosso de cada dia”», lia-se por entre painéis.
Junto à Festa da música, onde tocavam os Xutos & Pontapés, encontrava-se o Porto. O espaço, este ano, estava enquadrado por grandes painéis que mostravam a Ribeira do Porto e a Ponte D. Luís. A luta dos comunistas e a sua actividade, a luta dos movimentos sociais e cívicos do distrito, estiveram presentes na exposição política. A Organização Regional do Porto fez ainda referência a grandes vultos da região, como o poeta Eugénio de Andrade e o professor Ruy Luís Gomes.
Porque a terra e o mar são elementos constantes na gastronomia da região do Porto e cruzam-se de forma única em resultados luminosos de sabor, este ano, os visitantes da Festa puderam recuperar o essencial da boa cozinha do distrito, saboreando, entre outros pratos, as tripas à moda do Porto, a orelheira com feijão, de Gondomar, o bacalhau e a sardinha assada, de Matosinhos, o bacalhau frito, da Maia, os rojões e o arroz de cabidela de frango, de Santo Tirso e Trofa.
Passos à frente, tentando fugir da multidão que invadia o recinto, junto ao Espaço da JCP, ficava Viana do Castelo. A actividade partidária, a intervenção local, a luta dos trabalhadores, os autarcas da CDU e a reconstrução do Centro de Trabalho, foram os temas em destaque.
«A DORVIC e as organizações concelhias do Partido, em estreita ligação com os eleitos do PCP e da CDU para os órgãos institucionais, intervieram sobre os problemas das populações, como as questões de equipamentos locais e de prestação de cuidados de saúde, as vias de comunicação e os graves problemas ambientais, de segurança das populações e dos pescadores, e também dos trabalhadores», asseguram os comunistas.
Por fim, após quilómetros de boa disposição e algum cansaço, entramos, por terra, nos Açores. Este ano o os comunistas açoreanos homenagearam Maria dos Santos Machado (Rubina), com uma exposição e uma peça teatro, escrita e encenada por Leandro Vale.
«Para muitos será uma ilustre desconhecida da qual nunca tinham ouvido falar. Porém, Rubina, Maria Machado, é das mais ricas figuras da história portuguesa. Infelizmente a memória é coisa que falta ao povo português E essa falta de memória ainda se acentua quando falamos de uma mulher, açoreana, nascida na ilha de S. Jorge, mais propriamente na Ribeira Seca. Esta é a pequena homenagem que lhe prestamos, como cidadã exemplar, vítima das injustiças dos homens, por crer que a palavra liberdade é o maior bem que pode existir para o ser humano», sublinha-se.