Resistência na Auchan Amadora teve solidariedade nas ruas

A Auchan exige trabalho que extravasa as funções de operador de supermercados, tenta contrariar as acções de resistência à sua ordem ilegal e suspendeu oito trabalhadores da loja na Amadora.

O Grupo Auchan, que comprou a rede DIA, invoca dificuldades económicas

Na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) realizou uma nova acção de denúncia deste comportamento patronal e de solidariedade com os trabalhadores daquele estabelecimento, em particular com os oito suspensos e ameaçados de despedimento.

Dirigentes e activistas sindicais, trabalhadores, vizinhos e clientes da loja My Auchan e outras pessoas reuniram-se nas proximidades do Centro Comercial Babilónia, cerca das 14 horas de dia 18, quarta-feira. Em manifestação, seguiram até junto da My Auchan, na Venda Nova, onde permaneceram, exibindo faixas e bandeiras e gritando palavras de ordem.

Durante a concentração, através da amplificação sonora, intervieram representantes da CGTP-IN, da União dos Sindicatos de Lisboa, dos sindicatos SinTAF, STAL e STEC e da FESAHT.

Esteve presente no desfile uma delegação da organização concelhia da Amadora do PCP, incluindo o vereador António Borges.

 

Ilegal e injusto

Nas lojas My Auchan, como recordou o CESP, no folheto de mobilização para esta acção, «os operadores de supermercado têm sido, desde Janeiro deste ano, forçados a acrescentar a limpeza geral da loja às suas já inúmeras tarefas diárias».

O sindicato considerou «absolutamente vergonhoso que a Auchan justifique as suas exigências ilegais com dificuldades económicas, quando há dois meses comprou a DIA (Minipreço) por 155 milhões de euros».

No entanto, «a Auchan não pode obrigar trabalhadores a cumprir funções para as quais não foram contratados», pelo que «os operadores de supermercado têm todo o direito (e dever) de manifestar a sua discórdia perante atitudes ilegais da empresa, recusando a limpeza geral da loja».

Assim sucedeu nesta loja. A resistência e a luta passaram pela realização de greve, três vezes, e diversos plenários. A mando dos patrões, houve substituição ilegal de trabalhadores em greve e foi depois anunciada a transferência de grevistas para outros locais de trabalho. Um dos plenários, em Julho, onde se discutia a resposta a estas ordens de transferência, foi interrompido por responsáveis patronais, que chegaram a chamar a Polícia, procurando acabar com a reunião e forçar os trabalhadores a regressarem ao trabalho. A empresa acabou por suspender oito trabalhadores, a quem levantou processos disciplinares com intenção de despedimento, sem justificação fundamentada.

O sindicato tem promovido acções de denúncia à porta da loja e, a 21 de Setembro, organizou uma jornada nacional de luta, junto de estabelecimentos em 12 localidades. Além de expressar solidariedade para com os trabalhadores da My Auchan na Amadora, exige-se que a empresa cumpra a lei e a contratação colectiva.

 



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