«Vamos trocar-lhes as voltas com a luta e o voto na CDU»
«Cada um de vós e os trabalhadores sabem que podem contar sempre com o PCP e a CDU que, estando todos os dias ao vosso lado, é a força decisiva para concretizar avanços, valorizar o trabalho e os trabalhadores», afirmou anteontem, em Matosinhos, Jerónimo de Sousa num encontro com representantes dos trabalhadores.
«Não é aceitável que se empobreça a trabalhar!»
A iniciativa, apresentada por Tiago Oliveira, candidato pelo círculo eleitoral do Porto, coordenador da União de Sindicatos do Porto e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, começou com a entrega ao Secretário-geral do PCP de 324 assinaturas de membros de ORT da região. Quiseram, desta forma, manifestar publicamente o seu inequívoco apoio à coligação.
Nas sete intervenções de delegados e dirigentes sindicais da Administração Central e Local, do comércio e serviços, da banca, do sector rodoviário e indústrias eléctricas, sobressaiu o reconhecimento do papel desempenhado por PCP e PEV na defesa dos direitos e rendimentos, alvos de uma ofensiva agravada por parte do grande patronato à boleia da situação epidémica.
Sobressaiu, igualmente, a luta que continuam a desenvolver contra a sobre-exploração do trabalho e quem foi a força decisiva para impedir maiores retrocessos, assegurar a reposição e conquista de direitos e rendimentos, quem sempre esteve e está ao lado de quem cria riqueza.
Na sessão, Diana Ferreira reafirmou aliás o compromisso de comunistas e ecologistas com o trabalho e os trabalhadores, com a sua valorização. A primeira candidata pelo círculo eleitoral do Porto aproveitou ainda para dar exemplos do que foi possível avançar nos últimos anos em resultado da iniciativa e insistência das forças da CDU e, lembrando o muito que ainda está por alcançar porque PS, PSD, CDS e seus sucedâneos no parlamento o impediram, reiterou que o voto na CDU no dia 30 de Janeiro garante que os trabalhadores continuam a ter no hemiciclo voz para as suas aspirações e anseios.
«A centralidade do trabalho na sociedade, a urgência da sua valorização e a vossa profunda ligação à vida dos trabalhadores, dos seus problemas, anseios e reais preocupações», foram, por isso, as questões centrais na iniciativa que encheu o auditório da Junta de Freguesia da Senhora da Hora, em Matosinhos. A síntese foi feita por Jerónimo de Sousa, que na intervenção de encerramento se dirigiu a todos os trabalhadores através dos seus representantes presentes e sublinhou que não vale a pena cair em lamentos – quanto à desregulação dos horários de trabalho e às suas consequências na vida da imensa maioria – valendo, sim, a pena «continuar a luta pela redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, sem perda de remuneração».
O mesmo realçou quanto à necessidade de insistir no respeito e reconhecimento que merecem os trabalhadores da Administração Central e Local, designadamente ao nível «das suas carreiras, salários e das suas condições de trabalho», urgência que estendeu aos que se sentem «joguetes nas mãos dos operadores privados» e «todos os dias transportam à sua responsabilidade milhares de utentes»; àqueles que estão em teletrabalho, particularmente no sector das telecomunicações; aos que resistem e lutam contra a «selva em que está transformado o sector bancário».
Construir futuro
Ora, para o Secretário-geral do PCP, a poucos dias das eleições, os trabalhadores sabem com o que contam. Sabem que «com o PS, PSD e seus sucedâneos, cada um dos problemas aqui hoje identificados e tratados terão apenas um de dois caminhos: ou manter ou agravar a inaceitável realidade existente. E sabem-no porque tem sido esta a prática destes partidos», acusou.
«Mas cada um de vós e os trabalhadores também sabem que podem contar sempre com o PCP e a CDU», prosseguiu Jerónimo de Sousa, que centrou depois baterias no futuro.
«Não é aceitável que se empobreça a trabalhar!» Por isso, defendeu «a elevação geral dos salários».
Prioridade deve ser, igualmente, «assegurar que a um posto de trabalho permanente corresponde um contrato de trabalho efectivo».
De resto, «a valorização dos salários e o combate à precariedade são inseparáveis da eliminação das normas gravosas da legislação laboral, nomeadamente da revogação da caducidade da contratação colectiva e da aplicação do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador», enfatizou também o dirigente comunista, que acusando o PS de ter forçado eleições para não dar resposta a todas estes problemas, apelou: «vamos trocar-lhes as voltas, com a luta e o voto na CDU».