Serviço Público de Cultura é uma reivindicação da CDU

Num encontro com artistas e trabalhadores da Cultura, que se realizou na segunda-feira, no Foyer do Fórum Lisboa, Jerónimo de Sousa reclamou um Serviço Público de Cultura para todo o País.

É preciso um outro rumo na política cultural do nosso País

«Com o adequado financiamento», o Serviço Público de Cultura «deve ser o garante do acesso à criação e fruição culturais em todo o País» e de «todos os sectores das artes e do património cultural material e imaterial, nacional ou regional, erudito ou popular, factores da identidade, da história e da soberania nacionais», afirmou o Secretário-geral do PCP.

Por outro lado, continuou o também primeiro candidato da CDU pelo círculo eleitoral de Lisboa, um Serviço Público de Cultura impediria a entrega a privados de castelos e outros monumentos e asseguraria a sua conservação e restauro; asseguraria o financiamento do cinema português, libertando-o das amarras que as multinacionais que operam no meio audiovisual lhe pretendem impor; apoiaria a criação artística nas várias disciplinas e a sua divulgação em todo o País; permitiria a renovação dos fundos bibliográficos das bibliotecas e a promoção e a difusão da leitura; promoveria o ensino artístico; valorizaria a língua portuguesa, dotaria a estrutura do Estado de uma organização adequada ao desenvolvimento cultural e com os recursos financeiros e humanos necessários não só para assegurar o futuro mas também as necessidades urgentes do presente.

Para a sua concretização, Jerónimo de Sousa reclamou «um aumento significativo do financiamento, a partir do Orçamento do Estado (OE), com a atribuição de 1 por cento à Cultura, caminhando para 1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)». Recorde-se que o último OE, entretanto chumbado, contemplava para a Cultura apenas 0,3 por cento. «Não há Serviço Público de Cultura sem financiamento, nem o financiamento será suficiente sem uma definição de política cultural do Estado, de democratização, como aquela que propomos: só a conjugação destes dois elementos permitirá também a existência de trabalho, e trabalho com direitos», assegurou.

O Secretário-geral do PCP acusou ainda os sucessivos governos de seguir uma política para a Cultura «idêntica à que conhecemos na Saúde, na Educação ou noutras Funções Sociais do Estado», que se caracteriza por «desinvestimento e subfinanciamento; fecho e concentração de serviços e estruturas; elevada redução do número de trabalhadores e consequente insuficiência crónica; elevados níveis de precariedade dos vínculos laborais degradação dos serviços públicos e da oferta existente».

Romper com a política de direita

Na mesa estiveram também Ana Mesquita, deputada do PCP na Assembleia da República, e Cristina Cruzeiro, candidata da CDU pelo círculo eleitoral de Lisboa. «Romper com a política de direita, avançar na democratização cultural é aquilo que defendemos, através da estruturação do Serviço Público de Cultura, em todo o território nacional e com garantia no acesso de todos à experiência da criação e da fruição cultural e artística, com especial enfoque no acesso às formas, meios e instrumentos de criação», sublinhou Cristina Cruzeiro.

Por seu lado, Ana Mesquita deu a conhecer algumas das propostas apresentadas nas duas últimas legislaturas pelas forças que compõem a CDU, «em defesa do direito à criação e à fruição cultural, em todas as suas vertentes, lutando contra a precariedade e o sub-financiamento das artes e da Cultura». «A CDU foi quem mais remeteu perguntas regimentais ao Ministério da Cultura, fiscalizando a actividade do Governo», assegurou, dando como exemplo a intervenção na revisão dos resultados do Programa de Apoio Sustentado Bienal (2020-2021), bem como a proposta de reforço geral das verbas dos apoios às artes, também apresentada em OE, «que foi aprovada e se revelou de grande importância para a realidade do sector das artes performativas». Informou ainda que o PCP e o PEV foram os «únicos» a votar contra a Proposta de Lei 44/XIV, «que não é benéfica para o cinema português e para a livre criação artística».

Seguiram-se testemunhos dos artistas e trabalhadores da Cultura, como Cármen Granja, produtora cultural; Teresa Carvalho, artista plástica; Tiago Santos, músico e activista do Manifesto em Defesa da Cultura; Pedro Duarte, produtor de cinema; Rui Galveias, músico e dirigente sindical.

A abertura da sessão ficou reservada ao visionamento de uma curta metragem do realizador Mário Macedo, intitulada «Terceiro Turno», e, mais tarde, à actuação de Sebastião Antunes, acompanhado pelo Coro de Adufes e Vozes de «A Voz do Operário». Para a ocasião, foi exposta uma ilustração de Pedro Vieira.

Estatuto do trabalhador da Cultura legaliza a precariedade no sector

Em Lisboa, Jerónimo de Sousa sublinhou que o Estatuto do Trabalhador da Cultura, que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2022, foi criado pelo Governo PS para «normalizar e legalizar a precariedade no sector, não resolvendo nenhum dos problemas de quem trabalha na Cultura», mantendo «os salários baixos e irregulares e a instabilidade na carreira contributiva».

«A dramática situação que vivemos com a epidemia deixou ainda mais clara a necessidade de combater e erradicar o trabalho precário na Cultura», acentuou, frisando que este «flagelo, agora ostensivamente visível, é a raiz do problema com que os trabalhadores se confrontam». «Não fosse a proposta, a insistência e a luta do PCP, entretanto aprovada, de atribuição de apoios de emergência, no plano social, e a situação teria sido ainda mais dramática», avisou o Secretário-geral do PCP, acrescentando: «A luta contra a precariedade na Cultura passa também pela ruptura com a política privatizadora, mercantilista e desresponsabilizadora do papel do Estado, constitucionalmente atribuído».




Mais artigos de: Eleições

«Que cada activista da CDU se assuma como candidato»

«Vamos ao contacto e ao esclarecimento para construir um grande resultado para a CDU», por isso, «que cada activista se assuma como candidato», apelaram Diana Ferreira e Jaime Toga anteontem em Vila Nova de Gaia.

Dignificar e valorizar as forças de segurança

Vários profissionais das forças de segurança participaram, no dia 7, numa audição em que esteve presente Jerónimo de Sousa, no Porto, onde puderam expor alguns dos problemas que os têm afligido.

«Vamos trocar-lhes as voltas com a luta e o voto na CDU»

«Cada um de vós e os trabalhadores sabem que podem contar sempre com o PCP e a CDU que, estando todos os dias ao vosso lado, é a força decisiva para concretizar avanços, valorizar o trabalho e os trabalhadores», afirmou anteontem, em Matosinhos, Jerónimo de Sousa num encontro com representantes dos trabalhadores.

Anseios da juventude respondidos pela CDU

Os problemas da juventude estiveram em destaque na sessão pública realizada, dia 6, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, na qual participaram Jerónimo de Sousa e muitos jovens – estudantes dos vários níveis de ensino, trabalhadores de diversos sectores, activistas de diferentes áreas.

CDU ao lado dos emigrantes contra a ideia dos portugueses de segunda

«As comunidades emigrantes sabem que podem contar com o PCP e a CDU, que não obstante não termos nenhum deputado eleito pelos círculos da Emigração não deixamos de dar voz às suas preocupações, propondo e apresentando soluções para os seus problemas», reafirmou Jerónimo de Sousa, numa sessão realizada no dia 5.

CDU apela ao voto dos trabalhadores

António Filipe, deputado do PCP na Assembleia da República (AR) e primeiro candidato da CDU pelo círculo eleitoral de Santarém, reuniu, segunda-feira, com a União de Sindicatos do Distrito de Santarém (USS/CGTP-IN).

Ao lado de escritores e editores

Jerónimo de Sousa também se encontrou com escritores e editores na UNICEPE, sexta-feira, 7, na cidade do Porto. Na iniciativa apresentada por Diana Ferreira, deputada do PCP na Assembleia da República (AR) e primeira candidata da CDU pelo distrito portuense às eleições, foram discutidas as...

«Cultura é trabalho e trabalho é com direitos»

A perspectiva do profissional da Cultura como «o artista» sujeito à instabilidade, à desprotecção e ao arbítrio de quem o contrata, que não trabalha todos os dias na criação porque esta surge de geração espontânea, num lampejo, serve para perpetuar a sua sobre-exploração e formatar o sector...

62 anos da Fuga de Peniche

A CDU deslocou-se ao Museu Nacional Resistência e Liberdade na Fortaleza de Peniche, no dia 5 de Janeiro, para evocar os 62 anos da Fuga de Peniche (3 de Janeiro de 1960) de 10 quadros dirigentes do PCP, entre os quais Álvaro Cunhal, importante acontecimento da resistência ao fascismo e da...

Construir soluções para Viseu

No dia 5 de Janeiro, em Lamego, foram apresentados os compromissos eleitorais da CDU para o distrito de Viseu, iniciativa que contou com a participação dos candidatos Alexandre Hoffmann e Maria João, bem como de Filipe Costa, do Comité Central do PCP. Construção de barragens de regadio; defender os interesses do...

Campanha intensifica-se em Coimbra

Manuel Pires da Rocha e Inês Carvalho, candidatos da CDU pelo círculo eleitoral de Coimbra, acompanhados por Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu, estiveram reunidos, no dia 7 de Janeiro, com o núcleo de Coimbra do Movimento Democrático de Mulheres. Na iniciativa foram debatidos os principais problemas...