Jerónimo de Sousa apela ao reforço da votação na CDU
«Temos fortes razões para partir com confiança para o combate eleitoral que aí está, afirmando o valor do projecto da CDU», afirmou, na segunda-feira, 30, Jerónimo de Sousa, na sessão pública «Região de Setúbal – força de Abril a construir o futuro».
A alternativa para os concelhos da Península de Setúbal é mais CDU
Junto ao Convento de Jesus – património nacional deixado ao abandono pelos sucessivos governos, que só foi recuperado pela intervenção da CDU no município de Setúbal – estiveram muitas centenas de pessoas, entre as quais eleitos às autarquias da Península de Setúbal. A sessão iniciou-se com Celina da Piedade (acordeão e voz) e Almofariz (nome artístico de Ana Santos, violinista e compositora), que proporcionaram uma «viajem» pelas músicas de raiz do Alentejo. «Tenho no quintal um limoeiro», «Terra de Catarina», «Pêra Verde», «Cobrinhas de Água» e «Ceifeira» foram temas cantados por todos. No final da actuação o público devolveu uma entusiástica e prolongada salva de palmas, acompanhadas, simultaneamente, pela palavra de ordem «CDU».
Segui-se o momento político, apresentado por Maria Santos, da Juventude CDU, que chamou para o palco Rui Garcia, da Organização Regional de Setúbal do PCP e presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal, Hélder Bexiga, da Associação Intervenção Democrática (ID), André Martins, da Direcção Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes» e candidato a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, e Jerónimo de Sousa.
Miguel Canudo, mandatário regional, deu conta da existência de 1712 candidatos da CDU aos órgãos autárquicos da Península de Setúbal, representados em 55 listas (18 aos órgãos municipais e 37 às assembleias de freguesia). Destes, 608, ou seja, mais de um terço, são candidatos sem filiação partidária; 45 por cento são mulheres; mais de 280 candidatos têm idade inferior a 35 anos e 500 entre os 35 e os 50 anos.
Como salientouRui Garcia, o «notável papel» do Poder Local no desenvolvimento da Península de Setúbal, especialmente nas autarquias de maioria CDU, contrasta «violentamente com o rastro das consequências da política de direita dos governos», marcado pela erosão do sector produtivo; degradação dos serviços públicos; ausência de políticas estratégicas de promoção do desenvolvimento regional e de combate aos problemas sociais; insuficiência de investimento público.
Hélder Bexigaconsiderou um «imperativo» a criação das regiões administrativas. «Para a ID, a regionalização é um pilar fundamental para a consolidação do nosso edifício democrático. Concebemo-la não só como elemento administrativo fundamental, mas como lugar, mais um, de debate, de discussão democrática», realçou.
André Martins criticou, por seu lado,a retirada, em 2013, pelo então governo PSD/CDS, da Península de Setúbal da Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) 3, que ainda não foi reposta pelo actual Governo do PS, «apesar de sucessivos secretários de Estado e ministros já terem reconhecido o erro, que é responsável pela enorme penalização que esta região está a sofrer no acesso a fundos comunitários».
Projecto que se distingue
Na intervenção que encerrou aquela acção, o Secretário-geral do PCP começou por afirmar que a CDU tem um «projecto que se distingue de qualquer outro, inseparável do que o Poder Local Democrático representa enquanto conquista de Abril, e que ao longo de sucessivos mandatos neste amplo território e nos mais diversos espaços concelhios e de freguesia fez prova do seu valor».
«Uma intervenção e uma obra que leva muitos eleitores, que tendo outras opções políticas e partidárias, a reconhecer o seu valor, visível na realidade concreta das suas vidas e no progresso das suas terras em muitos domínios importantes», reforçou, dando como exemplo a requalificação do Convento de Jesus, a candidatura da Arrábida a Património Mundial e a obra de valorização do Santuário do Cabo Espichel, esta da responsabilidade da Câmara de Sesimbra. No plano social destacou a criação do Passe Social da Área Metropolitana de Lisboa, que na região de Setúbal «teve um impacto extraordinário na economia familiar».
«Intervenção que tem sido realizada em estreita ligação com os grupos parlamentares do PCP na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, que mais projectos e propostas apresentaram para o desenvolvimento desta região», acrescentou Jerónimo de Sousa, frisando que «só não se foi mais longe» porque PS, PSD e CDS, instalados no governo do País, «não só não assumiram as suas responsabilidades em áreas da sua competência, como continuam agarrados ao défice e a arrasar ou adiar a concretização de investimentos estruturantes», como «a terceira travessia do Tejo, os atrasos na construção do novo aeroporto internacional, a não concretização de medidas de melhoria das ligações marítimas entre as duas margens do Tejo, ou então quando deixam mais de 178 mil utentes sem médico de família».
A par destes objectivos, é também imprescindível desenvolver os sectores produtivos da economia regional; defender a gestão pública da água; reverter a privatização da EGF; repor as freguesias extintas; contribuir para uma educação integral dos indivíduos, no quadro das competências das autarquias; desenvolver políticas transversais especialmente dirigidas à juventude; a generalização e democratização da prática da cultura física e do desporto, apoiando o movimento associativo desportivo e desenvolvendo a rede de equipamentos desportivos municipais; aumentar significativamente a oferta em todos os modos de transporte, reforçando o seu financiamento com verbas provenientes do Orçamento do Estado, valorizando o passe social intermodal.
Apelou, por isso, ao reforço da votação na CDU em todos os órgãos autárquicos, com mais votos e mais mandatos, enquanto garante da qualidade de vida das populações, da defesa dos direitos dos trabalhadores e do desenvolvimento e progresso da região de Setúbal. «Mais força e mais mandatos para dar força à luta que em conjunto travamos pela solução dos grandes problemas desta região, que são também do País», sublinhou o Secretário-geral do PCP.