Jerónimo de Sousa pede grande votação na candidatura de João Ferreira
CONFIANÇA Em Montemor-o-Novo e Viseu, o Secretário-geral do PCP afirmou que Portugal «pode e deve vencer» apoiando a candidatura de João Ferreira. A situação nos lares de idosos, o plano de vacinação e os problemas da interioridade estiveram no centro da agenda.
Candidatura única, singular, distinta de todas as outras
Sexta-feira, numa sessão no Teatro Curvo Semedo, em Montemor-o-Novo, Jerónimo de Sousa destacou a importância das eleições do próximo domingo e o que elas podem significar para a abertura de um horizonte de esperança em Portugal. Para isso, realçou, «precisamos de concretizar o nosso grande objectivo: garantir uma grande votação na candidatura de João Ferreira», que, acrescentou, é «única, singular, distinta de todas as outras».
O Secretário-geral do PCP falou da situação dos lares de terceira idade, tendo expressado «solidariedade» para com os seus trabalhadores, na sua grande maioria mulheres. Tendo em conta as «situações gravíssimas» que se vivem em muitos deles, que sendo anteriores ao actual contexto de epidemia «acenderam um perigoso rastilho», o dirigente comunista exigiu respostas urgentes, particularmente o reforço de trabalhadores e a realização de actividades que assegurem o estímulo motor e psicológico dos idosos.
Saudou, ainda, «o papel do movimento associativo dos reformados, pensionistas e idosos», particularmente o MURPI e as suas associações, que «tudo têm feito para levar e disseminar informação», contribuindo para a adopção de «posturas informadas e responsáveis no domínio da prevenção sanitária».
Acelerar a vacinação
Outra das reivindicações passa por «garantir e acelerar a vacinação da população, em particular de todos os idosos». «A vacina é um importante meio de combate ao vírus» e salvar vidas não pode depender da «política de racionamento que serve os interesses dos laboratórios das duas empresas multinacionais americanas que querem ter o monopólio da venda das vacinas na União Europeia. Nem, tão pouco, às suas objectivas limitações e dificuldades de produção e entrega em tempo útil», acusou o Secretário-geral do PCP, acrescentando que a «vida das populações não pode esperar», sendo necessário «agir para pressionar os grandes laboratórios e também encontrar soluções para diversificar a aquisição das vacinas».
Reformas e pensões
Jerónimo de Sousa destacou ainda a intervenção do Partido «para assegurar que em 2021 todos os reformados e pensionistas tivessem um aumento de 10 euros no valor das suas reformas e pensões».
Por concretizar – apesar das propostas dos comunistas – estão a criação de dois novos escalões mínimos para quem tem 36 e 40 anos de descontos, com a valorização dos seus montantes, a eliminação da consideração dos rendimentos dos filhos para atribuição do Complemento Solidário para Idosos e o seu pagamento a 14 meses, bem como o fim das penalizações nas pensões antecipadas para quem já acedeu à reforma. Muitas outras estão por efectivar, como a criação imediata de 20 mil novas vagas na Rede Pública de Lares.
Problemas da interioridade denunciados em Viseu
No dia 13, no Auditório Mirita Casimiro, em Viseu, o Secretário-geral do PCP abordou os problemas da interioridade, tendo criticado o «flagrante desequilíbrio territorial na atribuição dos apoios» do Estado, desde logo na Cultura. Como exemplo, lembrou que dos quatro patamares financeiros previstos nos apoios da Direcção-Geral das Artes, apenas oito dos 110 projectos apoiados não se situam nas grandes áreas metropolitanas.
Para os comunistas, reafirmou, «a cultura é um pilar da democracia» e «não é, não pode ser, um bem supérfluo, mas sim um elemento essencial à melhoria da vida de todos, à saúde e ao bem-estar, à elevação das condições de exercício de participação cidadã».
A candidatura de João Ferreira, garantiu, bate-se claramente para que a democratização da criação e fruição cultural seja uma realidade no País, «exactamente como proclama a nossa Constituição».
Inverter o despovoamento
Voltando ao tema inicial, o dirigente comunista reforçou a necessidade de se «criar as condições para as pessoas ocuparem o território e não o seu contrário», invertendo o despovoamento, que existe «porque as pessoas não encontraram as condições necessárias para se fixarem ou permanecerem nestes territórios».
«As causas da desertificação social e económica radicam na desindustrialização do País, na falta de apoio à agricultura familiar e de ordenamento do território, no encerramento de serviços como escolas, serviços de saúde, postos da GNR, estações dos CTT ou de Juntas de Freguesia, na redução ou fim de carreiras rodoviárias e a introdução de portagens nas ex-SCUT, como a A25 ou A24, contra as quais o PCP tem aqui lutado ou ainda a falta de investimento em muitos troços ferroviários», recordou Jerónimo de Sousa.
Como solução, o PCP defende, por exemplo, o reforço do papel da intervenção do Estado central, desde logo com a evidente necessidade da criação das Regiões Administrativas.