Concretizar um País que está por cumprir
RECUPERAR Do Alto ao Baixo Minho, João Ferreira dedicou o dia 14 aos trabalhadores, à população e às infra-estruturas tecnológicas e produtivas. O candidato somou à sua campanha o contributo das gentes desta região.
«Nesta campanha pretendemos que os apoiantes também sejam participantes»
O périplo do candidato pela região minhota começou logo pela manhã. A primeira paragem foi no concelho de Ponte de Lima, onde João Ferreira visitou a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Para além da visita ao antigo mosteiro de Refóios do Lima, que dá agora abrigo àquela Instituição de Ensino Superior, o candidato esteve ainda reunido com o corpo directivo da escola.
Da visita e da reunião sobressaiu um exemplo vivo da ligação do Ensino Superior e da ciência à produção nacional, à defesa do ambiente e ao combate às assimetrias regionais. Contrariar o rumo de subfinanciamento a que o Ensino Superior tem sido votado nas últimas décadas, valorizar o papel dos mais altos graus de ensino e formação como alavancas de desenvolvimento nacional e garantir o direito constitucional de acesso à educação foram outros pontos elencados.
Ainda antes da partida, uma trabalhadora dos serviços municipais encontrou-se com o candidato para lhe prestar o seu apoio.
Recuperar os Estaleiros de Viana
De Ponte de Lima João Ferreira rumou à cidade de Viana de Castelo onde, com os estaleiros e o porto como pano de fundo, se encontrou com vários antigos trabalhadores do Estaleiros Navais, nas instalações da Junta de Freguesia de Monserrate.
Esta não foi a primeira vez que o candidato a Presidente da República ali esteve. Pelo contrário, a presença constante de João Ferreira junto daqueles trabalhadores acompanhou os diferentes momentos do processo de privatização e desmantelamento da empresa que antes operava naqueles estaleiros, outrora «referência para construção e reparação naval em todo mundo», como afirmou o candidato.
Depois de respondidas algumas perguntas que os trabalhadores foram colocando ao longo da sessão, na qual também esteve presente Rui Viana, mandatário distrital da candidatura, João Ferreira realçou que a Constituição da República também valoriza os meios produtivos nacionais.
Para o candidato, o Presidente da República tem o dever de valorizar aquilo que o País melhor sabe fazer, defendendo os recursos nacionais, os equipamentos públicos e a propriedade pública dos principais meios de produção. Ora, no processo de privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, que remonta a 2014, fez-se exactamente o contrário. João Ferreira lembrou ainda as centenas de trabalhadores despedidos ou lesados pela privatização e as centenas que hoje laboram em situação precária para a West Sea, empresa do Grupo Martifer que detém os estaleiros.
«Não há democracia sem cultura»
Antes de rumar a Guimarães, no distrito de Braga, onde se realizaria a última iniciativa do dia João Ferreira parou ainda em Vila Nova de Famalicão, para contactar com os trabalhadores da Continental Mabor, onde esteve pela terceira vez no espaço de um ano. Em seguida, no Instituto de Design de Guimarães teve lugar a sessão «Um horizonte de esperança para a Cultura», onde estiveram com o candidato o mandatário distrital de Braga, Alexandre Leite, representantes de várias associações culturais e diversos criadores e trabalhadores do sector.
«No caminho que tem sido esta campanha já fizemos várias iniciativas sobre a cultura», começou por dizer João Ferreira, acrescentando: «E fizemo-lo porque não entendemos a cultura como um mero ornamento desta candidatura, tal como não a consideramos como um mero ornamento da democracia. Mas como uma componente fundamental dessa democracia e por isso, também, um elemento fundamental desta candidatura.»
O candidato lembrou que o «nosso regime, tal como está plasmado na Constituição da República Portuguesa, define a democracia em várias componentes, complementares entre si, sendo uma delas a cultural. Para João Ferreira, «há um País a cumprir» também no que toca ao direito constitucional de acesso à criação e fruição cultural.