Intervenção de Jerónimo de Sousa

Esta grande Festa evidencia e projecta a diferença do PCP

Sau­da­ções ca­lo­rosas a todos vós, a todos os cons­tru­tores, par­ti­ci­pantes e vi­si­tantes da 42.ª edição da Festa do Avante!, que con­fir­maram mais uma vez a sua na­tu­reza e ca­rac­te­rís­ticas, na sua di­mensão so­li­dária, da paz e da fra­ter­ni­dade, mas também de Festa de Abril. Desse Abril cujos 45 anos da Re­vo­lução co­me­mo­ramos em 2019, com a dig­ni­dade que se impõe a este Par­tido que lutou por Abril e a esta Festa que é de Abril, e que sa­berão pro­jectar os seus va­lores e o seu pro­jecto trans­for­mador que o nosso pró­prio pro­grama de Par­tido ins­creve para a cons­trução de um Por­tugal com fu­turo.

Uma sau­dação es­pe­cial à ju­ven­tude e à JCP, ao seu im­pres­cin­dível con­tri­buto para a cons­trução deste nosso es­paço de li­ber­dade, cri­a­ti­vi­dade e re­a­li­zação pes­soal e co­lec­tiva, à sua mas­siva par­ti­ci­pação nesta Festa que hoje é sua e será sempre.

No ano em que as­si­na­lamos o II cen­te­nário do nas­ci­mento de Karl Marx, ele é pre­sença mar­cante no pro­grama da Festa re­a­fir­mando que o seu le­gado se ex­pressa na prá­tica e no pro­jecto do PCP, na luta pelo so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo como pro­jecto de fu­turo da hu­ma­ni­dade al­ter­na­tivo ao ca­pi­ta­lismo.

E é pe­rante de­zenas de de­le­ga­ções es­tran­geiras, sau­dando a sua pre­sença, que re­a­fir­mamos os nossos prin­cí­pios de Par­tido in­ter­na­ci­o­na­lista a quem ape­lamos para o for­ta­le­ci­mento da so­li­da­ri­e­dade dos par­tidos co­mu­nistas e das forças anti-im­pe­ri­a­listas num mundo que apre­senta traços in­qui­e­tantes e pe­ri­gosos.

Pe­rigos e po­ten­ci­a­li­dades

O Mundo está de facto mais pe­ri­goso, ins­tável e in­se­guro. A razão re­side num dos traços mais mar­cantes da ac­tu­a­li­dade – a crise es­tru­tural do ca­pi­ta­lismo: per­sis­tente e em apro­fun­da­mento. É o ca­pi­ta­lismo e a sua na­tu­reza ex­plo­ra­dora, opres­sora, pre­da­dora e agres­siva que está na origem dos gra­vís­simos pro­blemas que afectam a Hu­ma­ni­dade. É do ca­pi­ta­lismo e das pro­fundas con­tra­di­ções que lhe são ine­rentes que nascem as crises eco­nó­micas, os con­flitos, as guerras e as atro­ci­dades que alas­tram no Mundo.

É uma evi­dência que o ca­pi­ta­lismo não dá res­posta aos pro­blemas da Hu­ma­ni­dade. Com o ac­tual nível de de­sen­vol­vi­mento tec­no­ló­gico e ci­en­tí­fico, o Mundo po­deria viver em paz e todos po­de­riam ver as suas ne­ces­si­dades bá­sicas sa­tis­feitas. Mas aquilo que se passa é o con­trário, o sis­tema usa os avanços da ci­ência e da téc­nica para ex­plorar e oprimir, em­pur­rando o Mundo para uma su­cessão de crises e con­flitos que podem levar à ca­tás­trofe.

A crise eco­nó­mica do sis­tema ca­pi­ta­lista que eclodiu em 2007/​2008 saldou-se num vi­o­lento au­mento da ex­plo­ração do tra­balho, na des­truição de di­reitos so­ciais, em bru­tais ata­ques à so­be­rania dos povos e numa gi­gan­tesca e cres­cente con­cen­tração e po­la­ri­zação da ri­queza. Ou seja, regou-se com ga­so­lina o fogo das pro­fundas causas da crise. É assim que fun­ciona o ca­pi­ta­lismo!

O Mundo re­flecte o ca­rácter de­ca­dente de um ca­pi­ta­lismo em crise. O Mundo é hoje mar­cado por um com­plexo pro­cesso de re­ar­ru­mação de forças no plano in­ter­na­ci­onal com im­por­tantes re­per­cus­sões nas re­la­ções in­ter­na­ci­o­nais. O de­clínio re­la­tivo de al­gumas po­tên­cias im­pe­ri­a­listas – com des­taque para os EUA – acirra, a par com o de­sen­vol­vi­mento de­si­gual, as con­tra­di­ções inter-im­pe­ri­a­listas. Si­mul­ta­ne­a­mente, afirmam-se na cena in­ter­na­ci­onal países como a Re­pú­blica Po­pular da China, que é um dos prin­ci­pais alvos es­tra­té­gicos do im­pe­ri­a­lismo.

É neste quadro, que de­sa­con­selha sim­pli­fi­ca­ções e sim­plismos me­câ­nicos, que o im­pe­ri­a­lismo tenta a todo o custo manter o seu do­mínio he­ge­mó­nico. Para lá da ofen­siva anti-so­cial, está em curso um brutal ataque mul­ti­fa­ce­tado que não olha a meios para atingir os seus fins. Todo o ar­senal eco­nó­mico, po­lí­tico e mi­litar é di­rec­ci­o­nado numa ló­gica de con­fron­tação com todos aqueles que re­jeitem o do­mínio im­pe­ri­a­lista, o po­nham em causa ou se queiram dis­so­ciar da po­de­rosa má­quina de do­mínio eco­nó­mico, fi­nan­ceiro, co­mer­cial e ge­o­es­tra­té­gico im­pe­ri­a­lista.

Usando da sua su­pe­ri­o­ri­dade mi­litar, do con­trolo me­diá­tico e das suas redes de ser­viços se­cretos, as po­tên­cias im­pe­ri­a­listas, com des­taque para os EUA, bem como a União Eu­ro­peia e a NATO, estão lan­çados numa di­a­bó­lica ló­gica de guerra, de cor­rida aos ar­ma­mentos, de in­ge­rên­cias múl­ti­plas e de aberto des­res­peito pelo di­reito in­ter­na­ci­onal.

Muito se tem fa­lado de Trump. E muito se tem fa­lado da ex­trema-di­reita na Eu­ropa. São si­tu­a­ções di­fe­rentes em di­fe­rentes re­a­li­dades. Estes fe­nó­menos não são ex­te­ri­ores ao sis­tema ca­pi­ta­lista, são ex­pressão do apro­fun­da­mento do seu ca­rácter opressor, agres­sivo e re­ac­ci­o­nário e estão a fun­ci­onar como uma es­pécie de lebre, atrás dos quais, e por vezes em nome do com­bate a eles, se in­cor­poram, ba­na­lizam e de­sen­volvem ac­ções e po­lí­ticas aber­ta­mente re­ac­ci­o­ná­rias e fas­ci­zantes. Veja-se por exemplo as con­clu­sões do Con­selho Eu­ropeu sobre as mi­gra­ções, ou o con­senso entre re­pu­bli­canos e de­mo­cratas nos EUA em torno do maior or­ça­mento mi­litar da His­tória da­quele país.

O Mundo está de facto con­fron­tado com uma si­tu­ação muito com­plexa e pe­ri­gosa. Mas não pára. A luta dos tra­ba­lha­dores e dos povos é uma re­a­li­dade nos mais va­ri­ados cantos do Mundo.

É nessa luta que os par­tidos co­mu­nistas, as forças re­vo­lu­ci­o­ná­rias e pro­gres­sistas de todo o Mundo par­ti­cipam, muitas das quais aqui re­pre­sen­tadas. A todas elas en­vi­amos a nossa so­li­da­ri­e­dade e sau­da­ções e re­a­fir­mamos a nossa von­tade de con­ti­nuar a con­tri­buir para o re­forço do mo­vi­mento co­mu­nista e re­vo­lu­ci­o­nário in­ter­na­ci­onal, da sua co­o­pe­ração e do seu papel para o for­ta­le­ci­mento e alar­ga­mento de uma ampla frente anti-im­pe­ri­a­lista pela paz, pelos di­reitos dos povos, pelo pro­gresso, a co­o­pe­ração e a ami­zade entre os povos.

Mais do que nunca, a cé­lebre frase do ma­ni­festo co­mu­nista «Pro­le­tá­rios de todos os países, uni-vos!» faz todo o sen­tido. O Mundo pre­cisa da al­ter­na­tiva, da cons­trução da so­ci­e­dade nova, o so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo. Uma al­ter­na­tiva que se cons­trói li­gada à luta e à acção diária do nosso Par­tido e de todas as forças re­vo­lu­ci­o­ná­rias, pelos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e dos povos.

Al­ter­na­tiva é questão cen­tral e de­ci­siva

Em Por­tugal é a luta pela con­cre­ti­zação de uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda e de um go­verno que a re­a­lize que se as­sume como a questão cen­tral e de­ci­siva para dar res­posta aos graves e per­sis­tentes pro­blemas na­ci­o­nais e elevar as con­di­ções de vida e de tra­balho dos por­tu­gueses. É a luta para en­cetar um novo ca­minho dis­tinto do im­posto e pros­se­guido nas úl­timas dé­cadas de po­lí­tica de di­reita no nosso País que se mantém na ordem do dia como uma ne­ces­si­dade im­pe­riosa para as­se­gurar os in­te­resses na­ci­o­nais, dos tra­ba­lha­dores e do povo.

Um ca­minho ver­da­dei­ra­mente al­ter­na­tivo que hoje con­tinua adiado, porque na go­ver­nação do País e em do­mí­nios es­sen­ciais per­ma­necem as prin­ci­pais ori­en­ta­ções da po­lí­tica que o con­duziu ao de­clínio e à grave si­tu­ação de de­pen­dência em que se en­contra. Uma po­lí­tica que há muito re­velou a sua fa­lência para re­solver os prin­ci­pais pro­blemas na­ci­o­nais.

Sim, está na hora de abrir outra pers­pec­tiva para o de­sen­vol­vi­mento do País, ele­vando para outro pa­tamar as so­lu­ções, com outra po­lí­tica, com outra efi­cácia, com outra de­ter­mi­nação a res­posta aos pro­blemas es­tru­tu­rais que pe­ri­go­sa­mente se pro­telam no País e urge su­perar.

É esse o grande com­bate que temos pela frente e que exige uma efec­tiva rup­tura com a po­lí­tica de di­reita, de sub­missão ao ca­pital mo­no­po­lista na­ci­onal e trans­na­ci­onal, aos di­tames da União Eu­ro­peia e do seu di­rec­tório.

Com a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, e a de­ci­siva ini­ci­a­tiva do PCP, foi pos­sível travar a vi­o­lenta ofen­siva an­tis­so­cial e o acen­tuado em­po­bre­ci­mento que es­tava em curso, der­rotar o go­verno de turno da po­lí­tica de di­reita que a pro­ta­go­ni­zava e num quadro al­te­rado de re­la­ções de forças, re­cu­perar di­reitos e ren­di­mentos e me­lhorar as con­di­ções de vida do povo.

Per­guntam-nos, mas não foi im­por­tante tudo o que a luta con­se­guiu nestes três anos da nova fase da vida po­lí­tica na­ci­onal que se abriu com a der­rota do go­verno do PSD/​CDS? Foi, sem dú­vida, e não o su­bes­ti­mamos, porque seria su­bes­timar a luta, a jus­teza e im­por­tância do nosso con­tri­buto. Mas também não ne­gli­gen­ci­amos o ca­rácter li­mi­tado das me­didas adop­tadas para re­solver os pro­blemas de fundo do País e ga­rantir o seu fu­turo.

Um passo que sa­bíamos curto, mas ne­ces­sário para criar con­di­ções para com o de­sen­vol­vi­mento da luta abrir ou­tros ho­ri­zontes à so­lução dos pro­blemas do País. Um passo em frente, mas de li­mi­tado al­cance para ex­purgar a causa es­sen­cial dos nossos cró­nicos atrasos e da ma­nu­tenção dos nossos graves pro­blemas eco­nó­micos e so­ciais.

Não é pos­sível con­ti­nuar a iludir os pro­blemas que não en­con­tram res­posta na po­lí­tica de di­reita de anos e anos de go­vernos de PS, PSD e CDS que so­bre­viveu en­re­dada no ro­ta­ti­vismo da al­ter­nância sem al­ter­na­tiva, do vira o disco e toca o mesmo, com as con­sequên­cias que estão pre­sentes no País e que al­guns so­nham pro­longar e eter­nizar com as ope­ra­ções de bran­que­a­mento de PSD e CDS, com os acordos e en­ten­di­mentos de con­ver­gência entre PS e PSD, com a apo­logia pre­si­den­cial dos acordos de re­gime ou com as ma­no­bras de ma­qui­lhagem de todo o tipo, dando uma nova rou­pagem a ve­lhas po­lí­ticas e até a novos par­tidos.

Há quem não se con­forme por se terem aberto pers­pec­tivas que negam a tese da ine­vi­ta­bi­li­dade do ataque a di­reitos, do roubo nos sa­lá­rios e do em­po­bre­ci­mento.

Ani­mados pela falta de res­posta que o go­verno do PS tem dado a pro­blemas como os da saúde ou dos trans­portes aí temos os cen­tros do grande ca­pital, o PSD e CDS, lan­çados numa ope­ração de de­ses­ta­bi­li­zação que em úl­tima ins­tância visa não de­fender di­reitos da po­pu­lação mas sim des­cre­di­bi­lizar o ser­viço pú­blico e jus­ti­ficar a pri­va­ti­zação, en­gordar o ne­gócio de grupos mo­no­po­listas.

Está na hora de romper com o de­sas­troso ca­minho que tornou Por­tugal um País cres­cen­te­mente mais frágil, mais de­pen­dente, mais de­si­gual no plano so­cial e ter­ri­to­rial, com a sis­te­má­tica ali­e­nação dos seus sec­tores es­tra­té­gicos, dos seus re­cursos, da sua ca­pa­ci­dade pro­du­tiva, da sua so­be­rania.

Não! Não é mais adiável a res­posta aos pro­blemas es­tru­tu­rais pro­fundos que con­ti­nuam a marcar ne­ga­ti­va­mente a vida do País em múl­ti­plas di­men­sões. Não se pode adiar a res­posta ao grave dé­fice pro­du­tivo na­ci­onal que sub­siste pe­ri­go­sa­mente agra­vado. Dé­fice que é causa cen­tral do nosso en­di­vi­da­mento e de ou­tros dé­fices, e da nossa cres­cente de­pen­dência do ex­te­rior.

Romper com os dé­fices

Uma po­lí­tica al­ter­na­tiva para o de­sen­vol­vi­mento sus­ten­tado do País não pode su­bes­timar o sig­ni­fi­cado e con­sequên­cias do re­tro­cesso dos sec­tores pro­du­tivos na­ci­o­nais. Não pode su­bes­timar a brutal di­mensão da re­dução do peso da in­dús­tria, da agri­cul­tura e das pescas na eco­nomia do País, que hoje re­pre­sentam menos de um quarto da ri­queza ge­rada. Questão es­tra­té­gica de uma po­lí­tica que se quer ao ser­viço do País con­tinua ig­no­rada como uma pri­o­ri­dade pelo go­verno mi­no­ri­tário do PS.

Um País que não produz não tem fu­turo. A di­mensão do dé­fice da ba­lança co­mer­cial de bens ali­men­tares que atingiu, em 2017, perto de 4 mil mi­lhões de euros, um terço da nossa de­fi­ci­tária ba­lança de mer­ca­do­rias é bem o exemplo da gra­vi­dade da si­tu­ação que per­ma­nece.

Por­tugal tem dos mai­ores dé­fices ali­men­tares da Eu­ropa. Somos pra­ti­ca­mente de­fi­ci­tá­rios em tudo: carnes, ce­reais, frutas, hor­tí­colas, pro­dutos da pesca, até a pro­dução de leite, em que éramos auto-su­fi­ci­entes, cor­remos o risco de o deixar de ser. É este o re­sul­tado de uma po­lí­tica go­ver­na­mental de sub­missão à União Eu­ro­peia de li­qui­dação do nosso apa­relho pro­du­tivo, da as­fixia da rede de dis­tri­buição do pe­queno e médio co­mércio a favor das grandes su­per­fí­cies, das im­po­si­ções da Po­lí­tica Agrí­cola Comum e Comum de Pescas e das po­lí­ticas de li­be­ra­li­zação.

Uma po­lí­tica de res­tau­ração mo­no­po­lista, fonte de ex­plo­ração do tra­balho e de des­truição dos sec­tores pro­du­tivos, que atingiu com par­ti­cular gra­vi­dade as em­presas e sec­tores es­tra­té­gicos na­ci­o­nais que o pro­cesso de in­te­gração ca­pi­ta­lista da União Eu­ro­peia e do Euro am­pliou e que con­duziu ao cres­cente do­mínio do grande ca­pital na­ci­onal e so­bre­tudo es­tran­geiro sobre a eco­nomia do País, cujas ala­vancas estão hoje nas suas mãos e em pro­cesso de alar­ga­mento, agora com a União Ban­cária a favor da grande banca eu­ro­peia.

Uma re­a­li­dade que as nossas re­la­ções com o ex­te­rior dão conta de forma cada vez mais clara e mais pre­o­cu­pante, como o es­pelha o agra­va­mento da ba­lança de ren­di­mentos pri­má­rios, onde está pa­tente o au­mento dos di­vi­dendos pagos ao ex­te­rior entre Ja­neiro e Junho do cor­rente ano – só neste pe­queno pe­ríodo saíram do nosso País por esta via 7078 mi­lhões de euros! Ven­deram tudo o que pu­deram, vendem o pa­tri­mónio do País e os re­sul­tados estão à vista!

A pers­pec­tiva do pa­ga­mento só em juros da dí­vida pú­blica de 35 mil mi­lhões nos pró­ximos cinco anos, diz-nos da im­pe­riosa ne­ces­si­dade e ur­gência de pro­curar outro ca­minho! Uma avul­tada verba que se soma aos 72 mil mi­lhões pagos nos úl­timos dez anos, entre 2008 e 2017. 72 mil mi­lhões pagos por este País onde di­ziam não haver di­nheiro!

Nestes dez anos quanto so­fri­mento foi in­fli­gido ao nosso povo para ga­rantir os in­te­resses da fi­nança e da es­pe­cu­lação, no­me­a­da­mente aos jo­vens for­çados ao de­sem­prego e à emi­gração, às cen­tenas de mi­lhar de re­for­mados e pen­si­o­nistas com parcas re­formas e a viver vidas dra­má­ticas?! Quanta des­truição foi im­posta, in­cluindo de vidas!

O que não se po­deria ter feito com esta soma as­tro­nó­mica para de­sen­volver o País e a sua eco­nomia, criar ri­queza, em­pregos, li­bertar-nos de de­pen­dên­cias que nos em­po­brecem, elevar ren­di­mentos, me­lhorar a vida dos por­tu­gueses? E de­pois vem a União Eu­ro­peia com as suas im­po­si­ções, impor a ine­vi­ta­bi­li­dade deste rumo rui­noso.

Sim, é pre­ciso en­cetar outro ca­minho! Outro ca­minho que trave também a dre­nagem dos mi­lhões para as PPP, os gastos em swaps, ponha cobro à dre­nagem que pros­segue de di­nheiro pú­blico para a banca, onde a soma das par­celas já levou ao desvio de mais de 17 mil mi­lhões de euros. Par­celas e par­celas a somar onde se po­de­riam acres­centar os mi­lhões da fuga do grande ca­pital ao pa­ga­mento dos im­postos pelo re­curso aos pa­raísos fis­cais e pela en­ge­nharia fiscal.

Esse grave pro­blema que sub­siste e que um go­verno e uma po­lí­tica pa­trió­tica de es­querda não pode ig­norar. Não são apenas as inad­mis­sí­veis di­fe­renças nas taxas le­gais de im­postos exis­tentes entre os ren­di­mentos de tra­balho e os ren­di­mentos de ca­pital e pro­pri­e­dade. São as taxas reais que são es­can­da­lo­sa­mente in­fe­ri­ores às le­gais. São cen­tenas de mi­lhões de euros de lu­cros que não são su­jeitos a im­postos de­vido às imensas isen­ções e be­ne­fí­cios fis­cais e às ope­ra­ções ditas de pla­ne­a­mento fiscal que per­mitem aos grandes ac­ci­o­nistas dos grandes grupos como Je­ró­nimo Mar­tins, GALP/​Amorim Energia, REN ou NOS re­ceber di­vi­dendos através de em­presas cri­adas no es­tran­geiro, sem pagar im­postos. Es­quemas vá­rios de en­ge­nharia fiscal que lhes ga­rantem taxas reais de IRC que não ul­tra­passam me­tade do de­vido e que têm em­ble­má­tico exemplo no grupo EDP que, em 2017, con­segue a proeza de apenas pagar uma taxa efec­tiva de IRC que não chega a 1%, longe, muito longe dos 21% da taxa apli­cável a qual­quer micro, pe­queno ou médio em­pre­sário.

Sim, é pre­ciso uma po­lí­tica fiscal justa que alivie os im­postos sobre os tra­ba­lha­dores e o povo e tri­bute for­te­mente os lu­cros, di­vi­dendos e tran­sac­ções fi­nan­ceiras do grande ca­pital. Um saco que não tem fundo para o ca­pital mo­no­po­lista e para os grandes se­nhores do di­nheiro, e tão parco para dar res­posta aos pro­blemas do de­sen­vol­vi­mento do País!

Um sugar de re­cursos e meios que, aliado às im­po­si­ções do Euro e do seu Tra­tado Or­ça­mental, não está des­li­gado da re­dução drás­tica do in­ves­ti­mento pú­blico nos úl­timos anos e com par­ti­cular gra­vi­dade desde 2010 com as graves im­pli­ca­ções e o vi­sível agra­va­mento da res­posta nos ser­viços pú­blicos, nos equi­pa­mentos, nas infra-es­tru­turas, no sa­cri­fício da di­na­mi­zação do apa­relho pro­du­tivo na­ci­onal.

O Go­verno con­tinua a in­sistir na ideia de que é pos­sível dar so­lução aos pro­blemas do País e as­se­gurar o seu de­sen­vol­vi­mento sub­me­tido às im­po­si­ções da União Eu­ro­peia e do Euro e amar­rados a uma dí­vida in­sus­ten­tável. Nada mais falso. O que a vida mostra é que não se foi mais longe porque, entre as op­ções do PS, está a de querer manter o País sub­me­tido a essas po­lí­ticas.

Não se dá a res­posta ne­ces­sária e in­dis­pen­sável no plano do in­ves­ti­mento pú­blico que está ao nível de há 21 anos atrás, porque o Go­verno do PS põe à frente os seus com­pro­missos com a União Eu­ro­peia.

Não serão os ac­tuais ní­veis de cres­ci­mento na eco­nomia, po­si­tivos, mas mo­destos ainda e aquém do pos­sível, re­a­li­zados em sec­tores su­jeitos a grande vo­la­ti­li­dade e num con­texto ex­terno fa­vo­rável, que per­mi­tirão re­cu­perar os atrasos de muitos anos. E muito menos afirmar, to­mando a nuvem por Juno, que o País está no ca­minho da su­pe­ração dos seus pro­blemas e de um cres­ci­mento sus­ten­tado, como o faz o go­verno mi­no­ri­tário do PS, para jus­ti­ficar a sua opção po­lí­tica de manter amar­rado o País ao co­lete-de-forças da do­mi­nação mo­no­po­lista e de uma ina­cei­tável su­jeição ex­terna que con­di­ciona a nossa ca­pa­ci­dade de pro­duzir.

Es­tancou-se, é ver­dade, a tra­jec­tória de de­clínio, com a po­lí­tica de re­po­sição de ren­di­mentos e di­reitos, dando razão às teses do PCP e con­fir­mando a jus­teza da sua luta. Mas não é pos­sível iludir e ne­gli­gen­ciar a pro­lon­gada tra­jec­tória da es­tag­nação da nossa eco­nomia e do nosso PIB desde a en­trada do Euro. As pe­quenas va­ri­a­ções não iludem a na­tu­reza es­tru­tural desta evo­lução per­sis­ten­te­mente ne­ga­tiva.

É pos­sível ir mais longe

É pre­ciso e é pos­sível ir mais longe! Por­tugal pre­cisa de uma po­lí­tica e de um go­verno que de­ci­di­da­mente pro­mova o in­ves­ti­mento pro­du­tivo e a pro­dução na­ci­onal e a sua di­ver­si­fi­cação tendo como ob­jec­tivos cen­trais: o pleno em­prego, a subs­ti­tuição de im­por­ta­ções, o apoio às micro, pe­quenas e mé­dias em­presas.

Pre­cisa de dis­po­ni­bi­lizar meios para a rein­dus­tri­a­li­zação do País. Re­cons­ti­tuir a par­ti­ci­pação do Es­tado em sec­tores es­tra­té­gicos. Re­forçar a ino­vação, a in­ves­ti­gação e o de­sen­vol­vi­mento na pro­dução.

Pre­cisa de uma po­lí­tica que de­fenda o País do saque per­pe­trado pelos grandes grupos eco­nó­micos com a im­po­sição de preços de cartel nos seus pro­dutos, al­ta­mente pe­na­li­za­dores dos ren­di­mentos de quem tra­balha e das pe­quenas e mé­dias ac­ti­vi­dades eco­nó­micas, como é o caso dos preços da energia ou dos com­bus­tí­veis.

Pre­cisa de uma po­lí­tica e de um go­verno para su­perar os graves pro­blemas so­ciais acu­mu­lados num País mar­cado por pro­fundas in­jus­tiças e de­si­gual­dades, desde logo na dis­tri­buição do ren­di­mento na­ci­onal entre ca­pital e tra­balho.

Num País onde pre­do­minam os baixos sa­lá­rios e as baixas re­formas, o peso do tra­balho pre­cário atinge perto de um quarto do em­prego total e o de­sem­prego em sen­tido lato – o efec­ti­va­mente real – atinge ainda mais de 700 mil tra­ba­lha­dores. Onde per­siste a vi­o­lação dos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e se in­siste na de­fesa e con­so­li­dação de uma le­gis­lação la­boral fa­vo­rável à ex­plo­ração e ao em­prego sem di­reitos, em que o acordo subs­crito entre o Go­verno PS, as con­fe­de­ra­ções pa­tro­nais e a UGT e a con­ver­gência le­gis­la­tiva em sua de­fesa de PS, PSD e CDS as­sumem par­ti­cular gra­vi­dade com a ma­nu­tenção da ca­du­ci­dade da con­tra­tação co­lec­tiva, a re­cusa da apli­cação do prin­cípio do tra­ta­mento mais fa­vo­rável, a in­tro­dução de ele­mentos de le­gi­ti­mação da pre­ca­ri­e­dade e formas de des­re­gu­lação dos ho­rá­rios de tra­balho.

Por­tugal pre­cisa de uma po­lí­tica de va­lo­ri­zação do tra­balho e dos tra­ba­lha­dores. Eixo es­sen­cial de uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, ela é o ele­mento dis­tin­tivo de uma ver­da­deira po­lí­tica de es­querda e a sua con­cre­ti­zação exige a emer­gência da rup­tura com o rumo de ex­plo­ração e a de­fesa dos di­reitos dos tra­ba­lha­dores, a va­lo­ri­zação dos sa­lá­rios, o di­reito à es­ta­bi­li­dade e se­gu­rança do em­prego, o de­ci­dido com­bate à pre­ca­ri­e­dade, à des­re­gu­lação dos ho­rá­rios de tra­balho, à eli­mi­nação das normas gra­vosas da le­gis­lação la­boral.

Por­tugal pre­cisa de uma po­lí­tica que re­force os di­reitos so­ciais, no­me­a­da­mente das pes­soas com de­fi­ci­ência, dos idosos, das cri­anças e seus pais, as­se­gu­rando as con­di­ções para cres­cerem sau­dá­veis e fe­lizes.

Pre­cisa de uma po­lí­tica que dê res­posta aos pro­blemas das mu­lheres, ga­ran­tindo que os seus di­reitos es­pe­cí­ficos se cum­pram e que a igual­dade seja uma re­a­li­dade.

Por­tugal pre­cisa ur­gen­te­mente de ul­tra­passar os graves pro­blemas que en­frentam os ser­viços pú­blicos, re­sul­tantes de falta de in­ves­ti­mento e de sub­fi­nan­ci­a­mento di­tada pela ob­sessão do dé­fice, con­tra­pondo à po­lí­tica de fra­gi­li­zação, pri­va­ti­zação e en­cer­ra­mento de ser­viços de pú­blicos que do­minou nos úl­timos anos, uma po­lí­tica so­cial di­ri­gida para a igual­dade, dig­ni­dade e bem-estar dos por­tu­gueses, capaz de lhes as­se­gurar os seus di­reitos à saúde, à edu­cação, à pro­tecção so­cial, à ha­bi­tação, à cul­tura, ao trans­porte.

Ser­viços pú­blicos que con­ti­nuam com falta de tra­ba­lha­dores, de equi­pa­mentos, de in­ves­ti­mento, com con­sequên­cias na res­posta às po­pu­la­ções, bem pa­tente nos pro­blemas que o Ser­viço Na­ci­onal de Saúde en­frenta com a in­su­fi­ci­ência de meios hu­manos e de in­ves­ti­mento, numa di­nâ­mica de fa­vo­re­ci­mento dos grupos pri­vados na saúde. Di­fi­cul­dades pa­tentes na edu­cação onde faltam pro­fis­si­o­nais e in­ves­ti­mento, na cri­ação e re­po­sição de infra-es­tru­turas, onde pesam as ca­rên­cias e as de­fi­ci­entes con­di­ções de oferta nos trans­portes pú­blicos, na fer­rovia, no trans­porte flu­vial, no metro.

A va­lo­ri­zação do trans­porte pú­blico re­quer uma res­posta no plano da oferta e dos custos para os utentes. É por isso que o PCP se bate há muito pelo alar­ga­mento e em­ba­ra­te­ci­mento do Passe So­cial nas áreas me­tro­po­li­tanas de Lisboa e Porto, no quadro de uma so­lução que dê res­posta ao pro­blema do trans­porte pú­blico em todo o País.

Pro­blemas am­pli­ados pela tra­gédia dos in­cên­dios que nos tornou mais frá­geis e as po­pu­la­ções mais em­po­bre­cidas, num ter­ri­tório mar­cado pela po­lí­tica de aban­dono do in­te­rior e do mundo rural, os quais exigem mais que pa­la­vras. A de­ser­ti­fi­cação e o des­po­vo­a­mento do mundo rural, causa di­recta destas tra­gé­dias, com­bate-se pro­mo­vendo o em­prego, o in­ves­ti­mento pú­blico, re­a­brindo ser­viços pú­blicos e do Es­tado, e apoi­ando a agri­cul­tura fa­mi­liar.

E nós fa­zemos apenas uma per­gunta. De­pois de tantas pro­cla­ma­ções, quantos ser­viços pú­blicos foram re­a­bertos? Não se vê grande al­te­ração. O que se vê é en­cerrar mais es­colas, mais postos de cor­reio, mais agên­cias da Caixa!

Uma si­tu­ação onde os pro­blemas reais são ali­mento para as mais cí­nicas ma­no­bras de de­ma­gogia da­queles, como o PSD e o CDS, que à sombra de uma fa­la­ciosa re­forma do Es­tado e das suas tão pro­pa­ladas gor­duras para cortar de forma brutal e cega, onde era pre­ciso acres­centar in­ves­ti­mentos e meios, cri­ando as con­di­ções para tudo pri­va­tizar.

Fi­zeram o mal e agora fazem a ca­ra­munha pelo SNS, pela fer­rovia, pelo in­te­rior, ver­tendo lá­grimas de opor­tu­nismo e hi­po­crisia com o des­pudor que os por­tu­gueses não podem deixar de re­pu­diar e con­denar!

O País não está con­de­nado

Na ba­talha pela afir­mação e con­cre­ti­zação da al­ter­na­tiva, Por­tugal pre­cisa de se li­bertar das amarras que im­pedem o seu de­sen­vol­vi­mento. Por­tugal pre­cisa de vencer a ba­talha pela so­be­rania! Por­tugal pre­cisa de dotar-se dos meios e dos ins­tru­mentos para vencer o atraso! Por­tugal pre­cisa de um go­verno e de uma po­lí­tica que en­frente, sem he­si­ta­ções, os con­di­ci­o­na­mentos da União Eu­ro­peia e dos seus ins­tru­mentos de usur­pação da so­be­rania.

Pre­cisa de uma po­lí­tica que as­suma a re­cu­pe­ração da so­be­rania mo­ne­tária com a li­ber­tação do País da su­bor­di­nação ao Euro, que ins­creva como uma ne­ces­si­dade ina­diável a re­ne­go­ci­ação da dí­vida para li­bertar re­cursos e de­ci­di­da­mente en­frente o grave pro­blema da do­mi­nação mo­no­po­lista.

Sim, Por­tugal pre­cisa de uma po­lí­tica al­ter­na­tiva que dê sen­tido ao pro­jecto de so­ci­e­dade e or­ga­ni­zação da vida na­ci­onal que a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica con­sagra, que as­se­gure a de­fesa do re­gime de­mo­crá­tico com o apro­fun­da­mento dos di­reitos, li­ber­dades e ga­ran­tias, com­ba­tendo a cor­rupção e a con­cre­ti­zação de uma jus­tiça in­de­pen­dente e aces­sível a todos.

Nestes quase três anos da nova fase da vida po­lí­tica na­ci­onal e apesar das con­tra­di­ções que estão pre­sentes, provou-se que o País não está con­de­nado a ter como ca­minho a li­qui­dação de di­reitos ou o agra­va­mento das con­di­ções de vida. Foi pos­sível elevar sa­lá­rios e re­formas, me­lhorar ren­di­mentos, alargar apoios so­ciais, de­volver di­reitos e em con­sequência, au­mentar o em­prego e pro­mover, cres­ci­mento eco­nó­mico.

Tudo isso é re­sul­tado da acção do PCP e da luta sem a qual nada teria sido pos­sível. Essa luta que abriu uma fis­sura no cerco das ine­vi­ta­bi­li­dades. Essa luta que é im­pres­cin­dível para con­cre­tizar novos avanços e que se impõe di­na­mizar e am­pliar. Foi ela que nos trouxe até aqui, é com ela que se­gui­remos em frente!

Daqui sau­damos as muitas lutas tra­vadas e em curso pelos tra­ba­lha­dores, luta que é in­se­pa­rável das suas or­ga­ni­za­ções uni­tá­rias de classe, da CGTP-IN, a sua grande cen­tral sin­dical que igual­mente daqui sau­damos, tal como sau­damos as muitas lutas das po­pu­la­ções neste tempo de com­bate pela re­po­sição e con­quista de di­reitos e pela con­quista da al­ter­na­tiva!

Mas está também à vista que, para pôr o País a avançar a sério, para dar so­lução aos pro­blemas acu­mu­lados, se exige uma outra po­lí­tica e um outro go­verno. A res­posta es­tru­tural aos pro­blemas do País não se faz com o Go­verno do PS, nem com a sua ac­tual po­lí­tica, amar­rado às op­ções da po­lí­tica de di­reita. Dê-se a volta que se quiser dar: não há so­lução para os pro­blemas na­ci­o­nais nem res­posta ao de­sen­vol­vi­mento do País pela mão de go­vernos PSD/​CDS ou go­vernos do PS.

Do PSD e do CDS só há a es­perar re­tro­cesso so­cial e eco­nó­mico, li­qui­dação de di­reitos, saque de sa­lá­rios e ren­di­mentos e da parte do PS o que se sabe poder contar é com as mesmas op­ções que no fun­da­mental têm amar­rado o País às im­po­si­ções ex­ternas im­pe­dindo a res­posta plena aos pro­blemas na­ci­o­nais. Dar mais força ao PS é dar mais es­paço à po­lí­tica de di­reita, andar para trás na de­fesa e re­po­sição de di­reitos que só foram pos­sí­veis exac­ta­mente por o PS não ter a força que am­bi­ciona e por ter sido le­vado a as­sumir, mesmo contra a sua von­tade, como se prova não apenas pela re­sis­tência em os adoptar como pelo re­curso a pro­ce­di­mentos que visam adiar, li­mitar ou mesmo não os con­cre­tizar, seja por via de ca­ti­va­ções, de atrasos na re­gu­la­men­tação ou de ou­tros ex­pe­di­entes.

O Se­cre­tário-geral do PS afirmou há dias que não há go­verno de es­querda sem o PS. O que os por­tu­gueses sabem é que sempre que o PS foi go­verno o que houve foi po­lí­tica de di­reita. É essa a ex­pe­ri­ência que os por­tu­gueses podem co­lher dos seus su­ces­sivos go­vernos! Não vale a pena o PS en­feitar-se com al­guns dos avanços que foram al­can­çados nestes três anos. Muito do que se avançou co­meçou por ter a opo­sição ou a re­sis­tência do PS! O que se avançou ainda que li­mi­ta­da­mente, avançou-se porque o PS não tinha os votos para, so­zinho, impor a po­lí­tica que sempre, ao longo de quatro dé­cadas, fez so­zinho ou com o PSD e o CDS.

A opção pela de­fesa do in­te­resse na­ci­onal exige a rup­tura com a po­lí­tica de di­reita. Ob­jec­tivo que o PS se re­cusa a con­cre­tizar. Os re­centes acordos com o PSD e a sis­te­má­tica con­ver­gência com PSD e CDS nas ques­tões es­tru­tu­rantes con­firmam-no.

Res­pon­dendo aos que, men­ti­ro­sa­mente, de forma não ino­cente, con­ti­nuam a re­petir essa ideia de uma mai­oria par­la­mentar, o que estes três anos também têm mos­trado é que em ques­tões de­ci­sivas e es­tru­tu­rantes PSD e CDS nunca têm fal­tado à cha­mada do PS. Sempre que es­ti­veram em causa in­te­resses da banca e do ca­pital fi­nan­ceiro, sempre que se tratou de ga­rantir ao grande pa­tro­nato as armas para, pela le­gis­lação la­boral, atacar sa­lá­rios e li­quidar di­reitos, sempre que se tratou de li­be­ra­lizar sec­tores abrindo ca­minho à ac­ti­vi­dade de mul­ti­na­ci­o­nais como no sector do táxi, aí os vimos, PS, PSD e CDS «en­cos­tados» na po­lí­tica de di­reita. Sempre que foi para andar para trás e per­pe­tuar so­lu­ções que con­du­ziram o País às di­fi­cul­dades que en­frenta aí os vimos PS, PSD e CDS juntos e con­ver­gentes.

E ao con­trário, sempre que se tratou de as­se­gurar avanços, dar passos ainda que li­mi­tados em favor dos tra­ba­lha­dores e do povo, lá se en­con­trou o PCP com a sua ini­ci­a­tiva, a sua pro­posta, a sua de­ter­mi­nação e a sua luta.

Só o PCP ga­rante avanços

É no PCP que está a só­lida ga­rantia de cons­trução de um ca­minho al­ter­na­tivo, capaz de dar so­lução aos pro­blemas do País! O PCP tem um com­pro­misso com os tra­ba­lha­dores e o povo. É esse com­pro­misso no quadro do seu pró­prio pro­jecto que nor­teia a nossa in­ter­venção. Não des­per­di­çando ne­nhuma opor­tu­ni­dade de dar res­posta aos di­reitos, in­te­resses e as­pi­ra­ções do povo. Não des­me­re­cendo toda a ini­ci­a­tiva que con­tribua para elevar as con­di­ções de vida dos por­tu­gueses. Com­bi­nando a in­ter­venção por ob­jec­tivos ime­di­atos com a luta pela al­ter­na­tiva po­lí­tica.

É por isso que ins­cre­vemos como ob­jec­tivos da nossa acção mais ime­diata: a re­vo­gação das normas gra­vosas da le­gis­lação la­boral; o au­mento geral dos sa­lá­rios as­se­gu­rando o seu au­mento geral, in­cluindo na Ad­mi­nis­tração Pú­blica, e do Sa­lário Mí­nimo Na­ci­onal fi­xando-o em 650 euros a 1 de Ja­neiro de 2019; do au­mento do in­ves­ti­mento pú­blico e do fi­nan­ci­a­mento dos ser­viços pú­blicos e fun­ções so­ciais do Es­tado, com pri­o­ri­dade para a saúde, a edu­cação, os trans­portes pú­blicos e a cul­tura; a con­cre­ti­zação da pro­gressão na car­reira com a con­tagem in­te­gral do tempo de ser­viço para pro­fes­sores, mi­li­tares, forças e ser­viços de se­gu­rança e ou­tras car­reiras es­pe­cí­ficas da Ad­mi­nis­tração Pú­blica; do re­forço da pro­tecção e apoio so­ciais, o au­mento ex­tra­or­di­nário das pen­sões e re­formas as­se­gu­rando um au­mento mí­nimo de 10 euros em Ja­neiro pró­ximo; a uni­ver­sa­li­zação do abono de fa­mília; o di­reito à re­forma sem pe­na­li­za­ções para as longas car­reiras con­tri­bu­tivas; alar­ga­mento da pres­tação so­cial para a in­clusão, re­for­çando os di­reitos das pes­soas com de­fi­ci­ência; a re­vo­gação da lei dos des­pejos; o apoio aos micro, pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, de­sig­na­da­mente com o cum­pri­mento legal da eli­mi­nação a 1 de Ja­neiro do Pa­ga­mento Es­pe­cial por Conta; a re­versão das PPP; a po­lí­tica fiscal, tri­bu­tando o pa­tri­mónio mo­bi­liário, os lu­cros e di­vi­dendos, e de­sa­gra­vando os ren­di­mentos do tra­balho, au­men­tando a tri­bu­tação do pa­tri­mónio imo­bi­liário de ele­vado valor e a es­pe­cu­lação imo­bi­liária; a re­po­sição do IVA na elec­tri­ci­dade e no gás nos 6%; o apoio à agri­cul­tura fa­mi­liar, ao or­de­na­mento e de­fesa da flo­resta e ao mundo rural.

Cada avanço, cada con­quista vale por si. É obra da acção do PCP e da luta de massas. Mas não é da sim­ples soma de avanços que está a ver­da­deira res­posta que o País pre­cisa. É num pro­jecto al­ter­na­tivo, na po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda que se devem mo­bi­lizar ener­gias, fazer con­fluir von­tades e acção, fazer con­vergir todos aqueles que as­piram a um Por­tugal so­be­rano e de­sen­vol­vido.

Pro­jecto al­ter­na­tivo que exige o apro­fun­da­mento da con­ver­gência e acção comum de todos os de­mo­cratas e pa­tri­otas, em­pe­nhados no com­bate à po­lí­tica de di­reita e em torno da po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda. É vi­sando essa con­ver­gência e acção comum que daqui ape­lamos a todos, mas também a cada um de nós, num es­forço comum de mo­bi­li­zação na con­cre­ti­zação desse ob­jec­tivo, con­tri­buindo para en­con­trar, com a força do povo, um novo rumo e afirmar um pro­jecto al­ter­na­tivo na vida po­lí­tica na­ci­onal.

Pro­jecto al­ter­na­tivo que na sua con­cre­ti­zação é in­se­pa­rável do re­forço do PCP, da sua ca­pa­ci­dade de or­ga­ni­zação, da sua in­fluência so­cial e po­lí­tica. E também do re­forço da sua ex­pressão elei­toral e dos seus ali­ados na CDU que daqui sau­damos! As ba­ta­lhas de 2019 em torno das elei­ções do Par­la­mento Eu­ropeu e da As­sem­bleia da Re­pú­blica, e também das re­gi­o­nais na Ma­deira, as­sumem par­ti­cular im­por­tância.

Temos uma in­ter­venção que se dis­tingue e marca a di­fe­rença em todas as ins­ti­tui­ções em que es­tamos pre­sentes.

No Par­la­mento Eu­ropeu, na de­fesa dos in­te­resses na­ci­o­nais e da sua so­be­rania, com uma vasta ini­ci­a­tiva nos mais di­versos do­mí­nios e na co­o­pe­ração entre os povos, e na de­fesa da Paz e do de­sar­ma­mento.

Na As­sem­bleia da Re­pú­blica, com a cen­tra­li­dade dada pelo novo quadro po­lí­tico, as­se­gu­ramos uma acção sem pa­ra­lelo na de­fesa dos in­te­resses dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País.

Levar cada um a tomar cons­ci­ência da im­por­tância de dar mais força à CDU com o seu voto, de ver no apoio ao PCP a ga­rantia mais só­lida para uma po­lí­tica al­ter­na­tiva é a questão de­ci­siva quanto ao fu­turo ime­diato do País.

O que exige re­futar ve­lhas ope­ra­ções de la­vagem de res­pon­sa­bi­li­dade e bran­que­a­mento, de não ir atrás de en­can­ta­mentos me­diá­ticos que na­vegam no que está a dar e não no que é pre­ciso fazer, de dis­tin­guir entre o trigo e o joio mesmo quando a seara pa­rece única.

Um pro­jecto ímpar

Esta grande Festa, iden­ti­fi­cada com o nome do órgão cen­tral do Par­tido, com esta par­ti­ci­pação tão in­tensa e alar­gada, evi­dencia e pro­jecta a di­fe­rença do Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês. As forças po­lí­ticas, os par­tidos, apa­recem e de­sa­pa­recem, criam ilu­sões e de­si­ludem, são pro­mo­vidos e des­car­tados, o PCP con­tinua e con­tinua as­sente na sua iden­ti­dade, na sua acção mi­li­tante, com a sua in­de­pen­dência de classe, in­des­tru­tível, con­fi­ante. Assim foi, assim é, assim será.

To­mamos o ob­jec­tivo es­sen­cial mas não de­sis­timos da luta quo­ti­diana, nem fi­camos à es­pera dum anti-di­a­léc­tico mo­mento final. Fa­zemos a luta diária com avanços e re­cuos, com vi­tó­rias e der­rotas, tra­vamos a ba­talha em cada fase e etapa, mas não as iso­lamos do ob­jec­tivo su­premo da su­pe­ração re­vo­lu­ci­o­nária do ca­pi­ta­lismo, de uma nova so­ci­e­dade livre da ex­plo­ração do homem pelo homem, do ideal e pro­jecto co­mu­nista.

O grande ca­pital, os seus re­pre­sen­tantes e pro­pa­gan­distas de vá­rias ma­tizes, sabem o que somos e por isso se juntam para nos atacar, à vez, ou em con­junto, com uma ato­arda e a versão oposta, de todas as formas, men­tindo, ca­lu­ni­ando, de­tur­pando, si­len­ci­ando. Co­nhe­cemos isso e temos que estar pre­pa­rados para re­sistir.

Querem ser eles a de­finir a nossa es­tra­tégia, a nossa tác­tica, querem con­di­ci­onar-nos para to­marmos as de­ci­sões que lhes servem. De­sen­ganem-se. Assim foi em toda a his­tória do Par­tido, sou­bemos re­sistir e avançar. Pre­ci­samos de um Par­tido pre­pa­rado para con­ti­nuar a cum­prir o seu papel. Pre­ci­samos de um PCP mais forte.

Em li­gação com a acção po­lí­tica e a luta de massas, as­su­mimos a pri­o­ri­dade do re­forço do Par­tido, con­cre­ti­zando as con­clu­sões do XX Con­gresso, a Re­so­lução do Co­mité Cen­tral de Ja­neiro deste ano.

Vamos alargar a res­pon­sa­bi­li­zação de qua­dros e as­se­gurar que um nú­mero maior de ca­ma­radas se dis­po­ni­bi­lizem para as­sumir ta­refas re­gu­lares. Vamos pros­se­guir o re­forço da or­ga­ni­zação e in­ter­venção nas em­presas e lo­cais de tra­balho, o con­tacto com 5 mil tra­ba­lha­dores, dando a co­nhecer as ra­zões pelas quais devem aderir e re­forçar o PCP, com par­ti­cular im­por­tância aos mem­bros das ORT e aos que mais se des­tacam nas em­presas na de­fesa dos tra­ba­lha­dores.

Vamos fi­na­lizar a en­trega do novo cartão de membro do Par­tido, com tudo o que lhe está as­so­ciado de modo a as­se­gurar e re­forçar a li­gação e in­te­gração de cada um e elevar a sua mi­li­tância. Vamos for­ta­lecer as or­ga­ni­za­ções lo­cais, di­na­mizar a in­ter­venção junto de sec­tores e ca­madas so­ciais es­pe­cí­ficas, pro­mover a adesão de novos mi­li­tantes e a sua in­te­gração, alargar a di­fusão da nossa im­prensa, no­me­a­da­mente do Avante!, de­sen­volver o tra­balho de pro­pa­ganda, ga­rantir a in­de­pen­dência fi­nan­ceira do Par­tido, pro­mover a re­a­li­zação de as­sem­bleias das or­ga­ni­za­ções. Vamos re­a­firmar, va­lo­rizar e as­se­gurar na prá­tica, os prin­cí­pios de fun­ci­o­na­mento do Par­tido, com­po­nente da iden­ti­dade co­mu­nista e base es­sen­cial da sua força, ele­mento in­dis­pen­sável para um PCP mais forte e mais in­flu­ente.

Neste tempo in­certo, pe­ri­goso, com risco de re­tro­cessos, com pos­si­bi­li­dades de avanços, o PCP as­sume o seu com­bate de sempre, com os tra­ba­lha­dores e o povo, re­sis­tindo, lu­tando por cada di­reito, por cada avanço. In­se­rindo cada acção, cada ini­ci­a­tiva, cada luta, no pro­cesso mi­lenar de eman­ci­pação so­cial. As­su­mindo e pro­jec­tando no fu­turo a gesta de luta do povo por­tu­guês, da acção do mo­vi­mento ope­rário, da luta de todos os tra­ba­lha­dores, do pro­cesso ines­que­cível da Re­vo­lução de Abril e dos seus va­lores que ins­piram a de­mo­cracia avan­çada, po­lí­tica, eco­nó­mica, so­cial e cul­tural as­sente na in­de­pen­dência na­ci­onal que de­fen­demos e apontam o ca­minho de uma so­ci­e­dade nova, do so­ci­a­lismo e do co­mu­nismo.

Sim, a luta con­tinua!



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Os maganos dos Bonecos foram à Festa! E foi um sucesso. Jóia maravilhosa de tradição oral da cultura popular portuguesa, profundamente enraizados no imaginário alentejano, os Bonecos, títeres de varão de arame, à semelhança das marionetas do sul de Itália, feitos de palmo e meio de madeira,...

Serviços públicos em foco no Auditório

No Espaço Central da Festa houve um outro pólo de debates, propiciando uma maior proximidade para ouvir e interpelar dirigentes do PCP e outros militantes, com intervenção destacada nas mais diversas áreas. Com variações na quantidade de lugares preenchidos – assinalando-se que por mais de uma vez estiveram todas as...

O cinema devolvido ao povo

O CineAvante! avança, confiante. Conquistou um lugar de relevo na Festa e as condições melhoram de ano para ano. O programa de 2018 assinalou o segundo centenário do nascimento de Karl Marx com O Jovem Karl Marx (2017), apresentado por Rui Mota. O filme narra o início da colaboração entre Marx...

O que nos torna mais humanos

Este ano foi ano intercalar entre bienais. Um lapso temporal em que foi decidido que se continuaria a ocupar o mesmo espaço preenchendo-o de forma diversa, sabendo-se de ciência certa que as artes visuais são uma parcela dos saberes e do saber fazer que é o que define a cultura enquanto...

Transformar o presente, conquistar o futuro

O trabalho de milhares de militantes e amigos criou condições novas e, do Cabo à Atalaia, mostraram-se lutas, avançaram-se reivindicações, celebraram-se vitórias, conheceram-se tradições, transformaram-se os dias...

Festa da juventude e da luta

A Festa do Avante! é a festa que a juventude tomou como sua. Não apenas durante os três dias, mas também nos meses que a antecedem e que a sucedem, na sua construção e na sua desimplantação – que, aliás, se iniciou logo com o término da Festa e que irá prosseguir durante os próximos tempos....

Comício dá força à luta

O comício de domingo foi um momento sublime, politicamente marcante e diferenciador. Quase se poderia dizer que nele esteve a síntese do ambiente vivido nos três dias da Festa pelos muitos e muitos milhares que a visitaram e que de múltiplas maneiras aproveitaram a riquíssima programação que...

Exaltante expressão do ideal e do projecto comunista

«Esta festa do nosso glorioso Avante!, do nosso glorioso Partido, é a maior, a mais extraordinária, a mais entusiástica, a mais fraternal e humana, realizada no nosso país». Assim caracterizou Álvaro Cunhal em 1976 a primeira Festa do Avante!. Assim a podemos continuar a caracterizar, nesta...

A Festa que a juventude fez sua

Viva a Festa do Avante! A festa da vida, da arte e da cultura, da música e da literatura, do desporto e da alegria, da amizade e da solidariedade! Inseparável do nosso projecto de sociedade, esta é a festa que se constrói e vive como a festa da juventude, dos trabalhadores e do povo, a festa...

Unidos pela paz contra a guerra

O Espaço Internacional na Festa do Avante! foi este ano ainda maior. A estrutura que sempre ocupou o terreno situado paredes meias com a entrada da Quinta da Princesa, no topo Norte da Quinta da Atalaia, galgou para a Liberdade. Para um e outro lados da avenida que lá ao fundo desagua no Palco...

Testemunhos vivos das lutas dos povos

A unidade das forças progressistas é fundamental para fortalecer a luta dos povos face à ofensiva imperialista – foi reafirmado em seis debates no Espaço Internacional da Festa do Avante!. Das dezenas de delegações de partidos comunistas e outras organizações progressistas presentes na 42.ª...

Música de punho erguido no melhor palco do mundo

O palco 25 de Abril abriu no sábado com os TwistConnection, sucedendo-se quase ininterruptamente os temas de rock «puro e duro», com guitarra e baixo bem eléctricos e marcantes, como, por exemplo, no single lançado...

Sonhos de gente comum

«Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de Verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano,...

Tardámos e arrecadámos no Auditório 1.º de Maio

Duas tardes aqui relatadas, passadas no Auditório 1.º de Maio, nesta Festa do Avante! de 2018. Daí se dizer que tardámos, que foi a tarde que nos acolheu, com esse acrescento de arrecadar, para referir agora o ganho...

Sons que aquecem as noites

As três noites do Auditório 1.º de Maio foram passadas em alegria e festa. Na sexta-feira, se se perdeu na quantidade de concertos, ficou o público a ganhar na qualidade dos mesmos. Os primeiros a pisar o palco foram os artistas do Tributo às Independências. A brisa mais fria que se sentiu, pelo anoitecer, não foi o...

A história no pulsar da actualidade

A programação do Avanteatro destacou-se mais uma vez pela qualidade e diversidade dos espectáculos apresentados por grupos de todo o País. Houve marionetas que maravilharam os mais novos, criações de jovens artistas, assim como produções teatrais já com grande...

Escrever para o amigo que virá

A poesia, o romance, o ensaio, o testemunho histórico, estiveram em destaque em mais uma edição da Festa do Livro, diria que das mais concorridas de quantas se realizaram ao longo dos 42 anos da nossa Festa. Estiveram presentes no Auditório, para apresentar novos livros ou para falar da...

Alegria e eterna descoberta

Na Festa deste ano, o Espaço Criança foi mais uma vez um lugar de alegria e convívio da miudagem e das famílias. À sombra acolhedora dos pinheiros, desenrola-se um espaço melhorado de ano para ano com novos bebedouros, bancos, baloiços, um insuflável, um carrossel e outros materiais de...

Três dias de competição, fair play e convivência competitiva

A Comissão de Desporto da Festa do Avante! elaborou um programa vasto e diversificado, que o público aplaudiu com entusiasmo durante os três dias que durou a maior realização política, cultural e artística que acontece no nosso País. No polidesportivo ou nos outros locais e instalações...

Ver, ouvir e experimentar

«O Homem e a Natureza – cooperação e conflito!» foi o tema da exposição do Espaço Ciência! da 42ª edição da Festa do Avante! Tal como acontece ano após ano a exposição é dedicada a um tema sobre o qual podemos durante os três dias de Festa ler, ver, ouvir e experimentar. A atmosfera (ar, luz...

Justa homenagem aos Bombeiros

É precioso o serviço e a cooperação que os bombeiros desde sempre têm dado à Festa. A sua presença assume uma importância enorme e por isso nunca faltou reconhecimento ao seu trabalho. Na edição deste ano essa valorização assumiu contornos ainda maiores com uma exposição a eles dedicada integrando painéis e inúmeros...