INE mostra mais desemprego
Os números divulgados pelo INE no dia 6, relativos aos primeiros três meses de 2015, «mostram um aumento do desemprego e uma queda do emprego pelo segundo trimestre consecutivo, o que revela que, ao contrário do que o Governo vem apregoando, a economia continua a não gerar emprego e a crise se mantém».
Ao comentar os dados, no próprio dia, a CGTP-IN expressou «preocupação, pelo enorme volume de desempregados, pelo aumento do desemprego e diminuição do emprego, bem como pela precariedade e pela baixa cobertura dos desempregados por prestações do desemprego». A central reafirmou a urgência de serem adoptadas «medidas no sentido de que não exista nenhum desempregado sem protecção social».
Apurado o saldo entre os primeiros trimestres de 2011 e de 2015 – 300 mil postos de trabalho foram destruídos e 400 mil trabalhadores tiveram que emigrar –, a Inter conclui que, «desde que o Governo tomou posse e iniciou a sua política de empobrecimento do País, o emprego diminuiu e o desemprego aumentou».
Apontando o INE para a existência de cerca de 713 mil desempregados, o que representa uma taxa de desemprego média de 13,7 por cento, que é de 34,4 por cento entre os jovens», a CGTP-IN recorda que «o desemprego real é bastante superior». Ao número estatístico do desemprego é preciso somar 532 milhares de «subempregados, desencorajados e inactivos indisponíveis», bem como mais de 70 mil desempregados «ocupados» em contratos emprego-inserção ou em estágios, e que são contabilizados estatisticamente como empregados.
Assim, a taxa real de desemprego e subocupação é de 24,1 por cento, correspondendo a mais de um milhão e 315 mil pessoas.
É destacado também, nos números deste trimestre, o aumento do desemprego de longa duração, que atinge «mais de 64,5 por cento dos desempregados, muitos dos quais já esgotaram ou nunca tiveram acesso à protecção no desemprego». Além de só menos de um terço dos desempregados ter acesso a prestações de desemprego, a Inter sublinha que o valor das mesmas é cada vez mais baixo (cerca de 466 euros em 2014).
A precariedade do emprego mantém-se elevada, afectando 21 por cento dos trabalhadores assalariados, em especial os mais jovens, e está a aumentar face ao mesmo trimestre do ano passado, através de contratos a prazo, de falso trabalho independente ou de outras formas de contratação precárias. O INE contabiliza 773 mil trabalhadores com contrato não permanente, mais 42 mil que há um ano, mas a CGTP-IN considera que o número não abrange todos os que se encontram nessa situação.
IEFP esconde
Com a sua forma de contabilizar os desempregados, o Instituto do Emprego e Formação Profissional «está a mascarar a realidade do desemprego registado», voltou a acusar a União dos Sindicatos de Aveiro. A estrutura distrital da CGTP-IN, ao analisar no dia 8 os números do IEFP relativos a Março, chamou a atenção para o aumento de 6,91 por cento no número de desempregados «ocupados», só nos primeiros três meses deste ano. Em parte, fica assim explicado «o mistério do recuo do número de desempregados registados pelo IEFP».
De Janeiro a Março , inscreveram-se 10 629 pessoas nos centros de emprego do distrito. Em Março, os inscritos foram 3 472, mas o IEFP assume uma diminuição de 1 069, em relação ao mês anterior.
Se aos 36 073 desempregados inscritos em Fevereiro se somar os 3 472 de Março, obtém-se 39 545. O IEFP regista somente 35 004, sem explicar o que aconteceu em Março a 4 541 desempregados.
A USA/CGTP-IN notou ainda que, se aos 35 004 desempregados que o IEFP contabiliza agora, se acrescentar os 10 695 abrangidos pelas «medidas activas de emprego» e que não contam como desempregados, o desemprego registado seria de 45 699 pessoas. A União estima que o desemprego real no distrito continua a atingir 80 mil trabalhadores.