Governo criou o conflito e não o travou

Páscoa sem comboios

As greves na CP tiveram fortes níveis de adesão e impediram a circulação de cerca de 90 por cento dos comboios, porque a administração viola o Acordo de Empresa, a mando do Governo.

Foi imposta a violação do AE livremente negociado

Nos dias 2 e 6, a greve foi convocada pelo SFRCI (Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante), para exigir que a CP pague aos trabalhadores o que foi decidido pelos tribunais, relativamente aos complementos que não foram incluídos nos subsídios de férias e de Natal desde 1996.
A greve nos dias 3 e 5 – Sexta-feira Santa e Domingo de Páscoa – foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, da Fectrans/CGTP-IN, que há vários meses mantém esta forma de luta contra a redução do pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados. O SFRCI apelou a que os seus associados fizessem greve também nestes dois dias.
Na tarde de quinta-feira, dia 2, a federação remeteu para o Governo a responsabilidade pelas consequências da greve, acusando a administração da CP de, para disfarçar os efeitos da luta, ter optado por sacrificar o transporte nas áreas suburbanas, deslocando os poucos trabalhadores disponíveis para o serviço de longa distância.
O Governo e a sua administração na CP «têm-se mostrado incapazes de resolverem um conflito que criaram e optam por discutir e falar de serviços mínimos, quando, com vontade de resolver os problemas, poderiam ter nesta quadra festiva serviços máximos, sem conflito laboral». Este conflito, salientou a Fectrans, foi criado pelo Governo, «quando impôs redução dos pagamentos do custo do trabalho, nas suas diversas componentes, livremente acordadas entre as partes» e inscritas no Acordo de Empresa.
Seria necessário, por outro lado, encontrar soluções para a dívida aos trabalhadores, acumulada por diversas rubricas não terem sido pagas conforme estabelecido na lei. A federação refere que, nas contas da administração, o valor pode atingir 33 milhões de euros. No entanto, «o esforço dos responsáveis da empresa é no sentido de encontrar uma base de trabalho para colocar ao Governo, para este aprovar ou rejeitar, como se não houvesse já sentenças e acórdãos de tribunais».
O PCP, através do sector de Transportes da Organização Regional de Lisboa, saudou estas lutas dos ferroviários, destacando que a exigência comum é o cumprimento da lei pela CP, condenando o «lamentável comportamento» da administração e do Governo face à marcação das paralisações e assegurando que levará o caso à Assembleia da República.

Vai continuar

A luta no sector ferroviário vai continuar. Nesse sentido vão as decisões tomadas a 30 de Março, numa reunião de sindicatos e comissões de trabalhadores. Na síntese divulgada pela Fectrans foram referidas, entre outras:

uma campanha de esclarecimento dirigida aos trabalhadores ferroviários;
uma acção de protesto, a 14 de Abril, junto ao Instituto Superior Técnico, onde vai ter lugar a Conferência da União Internacional dos Caminhos de Ferro;
uma greve nacional do sector ferroviário, na próxima quinta-feira, 16 de Abril, dia do 40.º aniversário da nacionalização da CP.

As organizações representativas pretendem assim prosseguir o combate à liquidação e privatização da EMEF e da CP Carga; à destruição da Refer na fusão com a Estradas de Portugal; à entrega dos serviços lucrativos da CP a privados; ao roubo das concessões de transporte dos ferroviários no activo e reformados.




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