Mercadorias em greve
Pela negociação de cadernos reivindicativos próprios, que contêm exigências comuns relativas a aumentos de salários, cumprimento do contrato colectivo e da lei, entraram em greve, na segunda-feira, dia 6, trabalhadores de três grandes empresas de transporte rodoviário de mercadorias. As lutas foram convocadas para toda esta semana pelo STRUP, da Fectrans/CGTP-IN. A federação assinalou, no primeiro dia, a «enorme determinação dos trabalhadores» e reafirmou disponibilidade para negociar em cada empresa e com a associação patronal.
Na ZAS (zona norte), após a entrega do pré-aviso de greve, houve evolução das posições patronais e a Fectrans admitia que, prosseguindo reuniões na Autoridade para as Condições do Trabalho, fosse possível solucionar o conflito.
No Grupo Transportes Nogueira, a greve começou com uma concentração junto à sede, em Famalicão, onde compareceu uma delegação da DOR Braga do PCP, a prestar solidariedade e a informar sobre a acção desenvolvida pela deputada Carla Cruz na AR, a propósito da situação laboral que se vive na empresa. O sindicato revelou que o salário-base dos motoristas, que perde poder de compra há mais de 15 anos, é de 582,06 euros e fundamentou a exigência de pagamento de uma diária, em viagens no estrangeiro, em vez de «ajudas de custo» e pagamentos ao quilómetro, que significam zero, quando os motoristas são obrigados a ficar noutros países vários dias à espera de carga.
Este é um problema evidenciado também na Patinter, em Mangualde. A greve de cinco dias arrancou com um plenário em que participou o Secretário-geral da CGTP-IN. Arménio Carlos deu voz igualmente à necessidade de aumentos salariais, que não ocorrem há dez anos e devem corresponder à responsabilidade profissional dos motoristas. Estes, para chegarem ao ponto de fazerem greve pela primeira vez, «devem ter sido desrespeitados há anos», comentou, citado pela agência Lusa.