Opções do Governo alvo da crítica de Jerónimo de Sousa

Vendilhão de ilusões

Não faltam exemplos de como o discurso dos membros do Governo e da maioria PSD/CDS-PP entra frequentemente em rota de colisão com a realidade do País e a vida concreta das pessoas. Assim voltou a acontecer no último debate quinzenal, em mais do que um momento, ganhando contornos especialmente graves quando Jerónimo de Sousa confrontou Passos Coelho com as denúncias por si feitas há 15 dias, no anterior debate, quanto ao aumento do desemprego e da pobreza. E lembrou que na ocasião obtivera do primeiro-ministro uma resposta do género «lá está o PCP a exagerar».

«Veja lá o azar que, nesse mesmo dia, à tarde, o INE veio dizer que a pobreza em Portugal atinge números assustadores», observou o líder comunista, dirigindo-se ao chefe do Executivo, a quem desafiou que explicasse como é que essa brutal realidade da pobreza que atinge milhões de portugueses, particularmente crianças, encaixa na «imagem de sucesso» papagueada pelo Governo de que «estamos a sair do buraco», a «ver sinais positivos por todo o lado».

«Como é que pode dizer que está tudo bem quando vemos, por exemplo, em relação ao SNS, esta situação dramática que leva ao desespero milhares e milhares de portugueses», interrogou-se, antes de formular uma outra pergunta: «Que sucesso é este que empurrou para a emigração centenas de milhares de portugueses, muitos deles formados aqui, com custos para o País e suas famílias, e que foram a custo zero para o estrangeiro?»

Falar de «sucesso» só pode ser visto, pois, como uma descarada tentativa de iludir os portugueses quanto aos terríveis resultados da acção governativa, espelhados de resto numa dívida que «aumentou para níveis insustentáveis», assinalou Jerónimo de Sousa.

E a este propósito não escondeu a sua indignação por o primeiro-ministro, perante a posição do PCP de defesa da renegociação da dívida pública, colocar-se sempre e assumidamente na «posição de defesa dos credores».

«Os devedores também têm direitos», exclamou, defendendo que a renegociação da dívida é um «elemento fundamental», até para evitar que se chegue ao ponto em que «um dia não vamos poder pagar».

O Secretário-geral do PCP convidou por fim Passos Coelho a deixar-se «da conversa de que tudo vai bem» ou que «tudo está agora no bom caminho», pois, frisou, a «realidade desmente» esse discurso.

Na réplica, Passos Coelho procurou justificar a avaliação positiva que faz do Governo invocando a conclusão do «programa de assistência», «fechado sem necessidade de negociar um outro nem sequer um programa cautelar».

«O programa foi encerrado, produziu os resultados que eram esperados», afirmou, numa defesa férrea do programa da troika, para si «um sucesso» em Portugal e na Irlanda. Isto antes de apontar o dedo à Grécia, onde «ainda não aconteceu assim», dizendo «continuar a ser um caso singular».

Mas o mais grave estava guardado para o fim quando Passos Coelho, aludindo aos dados do INE que apontam para um dramático agravamento da pobreza – e depois de afiançar que não ignora as «dificuldades por que passámos», incluindo «por riscos de pobreza muito sérios» –, voltou a afirmar com toda a desfaçatez que «esses dados reportam-se a uma realidade que já está ultrapassada».




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