PCP interpela Governo sobre distribuição da riqueza

Um País desigual e injusto

Foi com desdém que a ministra das Finanças se referiu ao período a seguir à Revolução do 25 de Abril e às conquistas alcançadas pelo povo, apontando a «nacionalização da banca» como uma «parte do problema».

«Uma das muitas diferenças entre esse período e os dias de hoje é que os bancos foram na altura nacionalizados e postos ao serviço do País, enquanto que em 2014 os banqueiros a quem os governos da política de direita entregaram esses bancos são hoje responsáveis pelo colapso da banca e são arguidos em processos-crime», reagiu o líder parlamentar do PCP.

Sem resposta não ficou também a afirmação de Maria Luís Albuquerque de que «todos querem uma mais justa distribuição da riqueza», com João Oliveira a observar que a política e as opções do PSD e do CDS-PP são o melhor desmentido a essas palavras, como comprova o rasto de ruína que deixam sobre a vida dos portugueses.

«É a isso que tem de responder neste debate», exigiu o deputado comunista da ministra, a quem desafiou a pronunciar-se também sobre o corte dos salários que os portugueses vão sofrer em 2015, o que acontece de par com a concessão de mais benefícios fiscais aos grandes grupos económicos.

«Têm de responder aos dois milhões e quatrocentos mil portugueses empurrados para a pobreza, a quem o Governo cortou nas prestações sociais, ao mesmo tempo que reduz os impostos às grandes empresas, porque são estas que pagam IRC e não as micro e pequenas empresas, que, por estarem esmagadas por esta política, nem lucros conseguem ter», insistiu o líder parlamentar do PCP, entendendo que o Executivo deve ainda uma explicação aos desempregados, a quem «cortou o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego para garantir a transferência de dinheiro por via da Segurança Social para os lucros das empresas».

João Oliveira, que interpelava a titular da pasta das Finanças, considerou ainda que o Governo tem de responder aos portugueses que «defendem os serviços públicos e as empresas públicas contra a sanha privatizadora» de quem continua a entregar património que é de todos os portugueses para «satisfação dos interesses de meia dúzia de grupos económicos e financeiros que acumulam milhões e milhões de euros de lucros, que deviam reverter para o País e estar ao serviço do seu desenvolvimento».

Por isso acusou o Governo de «não ter preocupações de justiça na distribuição da riqueza» e de estar a «criar um País cada vez mais desigual e injusto», razão pela qual, afirmou, os portugueses têm motivos para lhe impor uma pesada derrota.



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