PCP contra roubo dos baldios

O regresso dos «lobos uivantes»

Muito embora PSD e CDS tenham aprovado, no passado dia 2, alterações profundas à «Lei dos Baldios», o PCP apela aos povos serranos para que não deixem de lutar pelo que é seu.

PSD e CDS insistem em argumentos falsos e desonestos

«O que estes partidos pretendem é uma monstruosidade legislativa e constitucional, semelhante à que o Salazar fez na década de 40 do século passado, quando roubou os baldios aos povos e forçou a emigração massiva de grande parte dos agricultores e pastores da região.» A denúncia é da Direcção da Organização Regional de Vila Real do PCP (DORVIR), que emitiu um comunicado relativo a esta matéria na qual considera o teor dessa lei «uma afronta à Constituição da República e uma provocação aos povos serranos».
Para o PCP, o que o Governo e os partidos que o sustentam pretendem é apenas e só transformar a propriedade comunitária dos compartes «num simples património autónomo, entregando ulteriormente a gestão às comunidades intermunicipais». Desta forma, acrescenta-se no comunicado do Partido, visa-se a descaracterização dos baldios enquanto bens comunitários para posteriormente os «atacar, os alienar, os extinguir».
Outra matéria que a lei – actualmente em apreciação na especialidade – altera é o próprio conceito de comparte, alargando-o a todos os cidadãos de uma determinada freguesia, tornando-se dessa forma propriedade comunitária em propriedade pública da autarquia. «É mais uma inconstitucionalidade deste projecto, por atribuir direito aos baldios a quem os não tem ou pode não ter, segundo os usos e costumes, direitos a eles», garante a DORVIR.
Neste comunicado, o PCP insiste numa ideia que já tinha surgido noutras tomadas de posição públicas: a alteração à lei dos baldios enquadra-se numa «operação mais vasta de favorecimento das grandes empresas industriais da pasta de papel e celulose», de que a «lei da eucaliptalização» é o mais evidente testemunho. Muito embora esteja este decreto-lei em apreciação parlamentar (por iniciativa do PCP), o balanço dos primeiros meses da sua vigência não deixa margem para dúvidas: as novas plantações de eucalipto são mais de 90 por cento do total.

Velhos objectivos

O PCP lembra que, 21 anos após a última tentativa para alterar a lei dos baldios, «eis que de novo voltam à carga», precisamente pela mão dos mesmos dois partidos: «ontem como cordeiro assaz interessado em transferir a propriedade baldia para a propriedade privada das autarquias; hoje como lobos uivantes com uma arrogância incontida contra a propriedade comunitária e os direitos ancestrais das comunidades e seu legítimo património.» De resto, nada de novo: «a mesma coerência, a mesma postura, a mesma repulsa contra esta conquista que Abril trouxe aos povos dos baldios».
Acusando os dois partidos que sustentam o Governo de ofender a honorabilidade e o trabalho dos conselhos directivos de baldios e assembleias de compartes, o PCP recorda as insinuações de outros tempos e as acusações de hoje, «mantendo no fundamental os argumentos repetitivos, contraditório e falsos»: ontem como hoje, garante, procura-se culpabilizar os órgãos gestores pela inexistência de gestão dos baldios, insinua-se que o recrudescimento de conflitualidade na delimitação dos baldios e nas verbas cativas à ordem do Estado é culpa das comunidades locais e afirma-se que os baldios deixaram de ser um complemento da actividade agrícola, que estão mal aproveitados e mal geridos.
Tais afirmações, contidas na exposição de motivos do projecto-lei do PSD e CDS, não são apenas falsas como passam por cima da legislação em vigor, que atribui ao Estado a «execução dos programas anuais de trabalho relativo à instalação, condução e exploração dos povoamentos, à construção e conservação de infra-estruturas, ao melhoramento e exploração de outros recursos endógenos nas áreas baldias».




Mais artigos de: PCP

Elemento central da política alternativa

O PCP promoveu anteontem iniciativas de esclarecimento sobre o teor da sua proposta de renegociação da dívida pública, ontem debatida na Assembleia da República.

Prioridade às empresas

A resolução do Comité Central «Mais organização, mais intervenção, maior influência – Um PCP mais forte», aprovada em Dezembro, aponta as linhas para o reforço do Partido.

Ligação ao povo

A deputada do PCP Rita Rato esteve recentemente em Soure a acompanhar a luta que a população trava contra a tentativa de exploração de caulino numa zona do concelho. Acompanhada pelos dirigentes e eleitos regionais e locais do PCP e da CDU Francisco Guerreiro, Manuela Santos e Fátima...

Debate e decisão colectivos

A organização concelhia de Serpa, a maior do distrito de Beja, realizou recentemente a sua 7.ª assembleia, com a participação de 91 delegados. Em debate estiveram os caminhos para reforçar o Partido a todos os níveis, levando por diante as medidas apontadas na...

Defender a SATA

Por iniciativa do PCP, foi debatida na Assembleia Legislativa Regional dos Açores a situação dos transportes aéreos no arquipélago e o futuro da companhia aérea regional SATA. Lembrando um debate semelhante ocorrido em Maio do ano passado, o deputado...

Valorizar a sessão solene

O Gabinete de Imprensa do PCP emitiu, no dia 11, um comunicado relativo à sessão solene comemorativa do 40.º aniversário do 25 de Abril, a ter lugar no hemiciclo da Assembleia da República:«Compreendemos o sentimento crescente de indignação de milhões de...

Não à destruição

Uma delegação do PCP esteve, na segunda-feira, junto ao Hospital de Guimarães a contactar com trabalhadores e utentes para rejeitar o conteúdo da portaria 82/2014, que extingue parte importante dos serviços daquela unidade de saúde, incluindo neonatologia e a Unidade de...

Porto evoca Lorca

O Sector Intelectual do Porto do PCP lançou uma nova edição da «Alocução ao Povo da Aldeia de Fuentevaqueros», proferida em 1931 por Federico García Lorca quando ofereceu uma biblioteca ao povo da sua aldeia natal. Verdadeiro hino à cultura e ao livro, que...

Bruxelas evoca revolução

Cerca de meia centena de pessoas – militantes do PCP, amigos e outros democratas que partilham dos ideais de Abril – comemoraram os 40 anos da Revolução com um almoço-convívio que se estendeu pela tarde do passado domingo, dia 6, em Bruxelas. A comemoração contou...

Murais de Abril

Os 40 anos da Revolução de Abril estão a ser assinalados das mais diversas maneiras pelas organizações e militantes do PCP e da CDU. Uma delas é a pintura de murais, forma de expressão característica dos comunistas e seus aliados...