Cuidados de saúde transfronteiriços

Objecto do voto contra do PCP e do PEV na passada semana em matéria de saúde foi a proposta de lei que transpõe duas directivas europeias respeitantes, por um lado, aos cuidados de saúde transfronteiriços, e, por outro, ao reconhecimento de receitas médicas emitidas noutro Estado-membro.

O diploma, aprovado com os votos favoráveis do PSD, PS e CDS-PP, e a abstenção do BE, visa no essencial assegurar que os beneficiários do SNS sejam reembolsados das despesas directamente relacionadas com tratamentos prestados noutro Estado-membro, por impossibilidade de resposta clínica da estrutura de saúde pública nacional. O utente adianta o pagamento dos cuidados de saúde e só depois será reembolsado dos montantes gastos no prazo de 90 dias.

Para a bancada comunista é claro que esta legislação introduz profundas desigualdades no acesso aos cuidados de saúde. «Só os utentes com disponibilidade económica terão condições para receber cuidados de saúde noutro país na União Europeia», referiu a deputada Paula Santos.

Para esta situação de desigualdade no acesso aos cuidados de saúde chamou igualmente a atenção a Entidade Reguladora da Saúde no relatório que elaborou sobre o assunto. Isso mesmo foi salientado pela deputada comunista Carla Cruz, para quem esta iniciativa está em linha com a opção governativa de criar um «sistema de saúde a duas velocidades», uma pública com mínimos para pobres, outra baseada no negócio da saúde por privados para quem tem dinheiro.

O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Leal da Costa, reconheceu que, no âmbito da directiva, os tratamentos não estarão acessíveis a todos, embora assegurando que o SNS não fica limitado por esta legislação.

Nada esclareceu, apesar de instado por Paula Santos, foi quanto à questão de saber se o Governo fez uma avaliação – e a que conclusões chegou – sobre os impactes da aplicação dos cuidados de saúde transfronteiriços no SNS, quer enquanto prestador desses cuidados quer na perspectiva de garante financeiro pelos cuidados prestados noutros países.




Mais artigos de: Assembleia da República

A saúde não é um luxo

O Governo persiste no favorecimento dos grandes grupos económicos do sector da saúde em prejuízo dos doentes. Este é um dos eixos da política em curso orientada para o desmantelamento e desagregação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), acusa o PCP.

Desinvestir não salva vidas

A inoperacionalidade das viatura médicas de emergência e reanimação (VMER) no distrito de Évora (em dois acidentes graves com perda de seis vidas ocorridos nos últimos quatro meses este meio não foi accionado) espelha bem as «consequências extremamente...

Mercantilizar o serviço público

O PCP requereu na comissão parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local uma audição pública sobre o processo de privatização da Empresa Geral de Fomento.

PCP propõe alterações ao regime

Foram formalizadas e entregues pela bancada comunista na passada semana, baixando à comissão, propostas de alteração ao decreto-lei que estabelece o regime jurídico das convenções no Serviço Nacional de Saúde.

Muito por esclarecer

A Comissão parlamentar do Orçamento, Finanças e Administração Pública rejeitou dia 9 o requerimento do PCP para a audição da secretária de Estado do Tesouro sobre os contratos SWAP. A audição de Isabel Castelo Branco em sede de...

Resposta integrada e inclusiva

Foram aprovados na generalidade, baixando à comissão por 45 dias, os projectos de lei do PCP, PS, PSD e CDS-PP sobre a revisão da lei tutelar educativa. A passagem dos dois diplomas das oposições foi conseguida através da abstenção dos partidos da maioria...

Auditor de segurança rodoviária

A Assembleia da República aprovou na generalidade, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP, do PS e BE (PCP e PEV abstiveram-se), a proposta de lei que estabelece um novo regime de acesso e de exercício da profissão de auditor de segurança rodoviária. Para o PCP este...

Défice tarifário na energia

Foram chumbadas recentemente pelos partidos da maioria governamental e pelo PS as propostas do PCP destinadas a eliminar o défice tarifário no sector da energia eléctrica. O mesmo destino teve idêntico diploma do BE. Na origem do chamado «défice tarifário» está...