Está nas mãos do povo
Nos distritos de Évora e Beja, o Secretário-geral do PCP sublinhou que o voto no PCP-PEV vale a dobrar e apelou à concretização de uma campanha de contacto directo, capaz de traduzir nos resultados eleitorais o trabalho, honestidade e competência que o povo reconhece à CDU.
A obra ímpar e a luta contra a política das troikas são razões para confiar na CDU
O périplo pelo Alentejo começou sábado de manhã, em Mora, com um encontro com populares numa praça no centro da vila. Falar verdade, olhos nos olhos, é, aliás, uma forma de estar da CDU. Das oito iniciativas realizadas com Jerónimo de Sousa durante o fim-de-semana nos distritos de Évora e Beja, cinco decorreram na rua.
Esta matriz diferenciadora da CDU que tem continuidade reforçada em período eleitoral, foi sendo salientada pelo Secretário-geral do PCP, que assinalou a prioridade dada ao contacto directo e à disponibilidade para ouvir o nosso povo, incluindo os juízos críticos, e daí retirar ensinamentos.
«Falar com as pessoas, ouvir as suas preocupações e anseios», é parte de uma campanha de massas onde a CDU tem «o melhor dos argumentos: a obra feita», adiantou, por seu lado, o cabeça de lista à Câmara Municipal de Mora, Luís Simão.
O trabalho realizado, o combate à desertificação e a promoção do progresso económico e social do interior, a defesa da água pública e a luta desenvolvida contra a liquidação de freguesias e de serviços públicos, tais como postos dos correios e das forças de segurança, centros de saúde ou transportes, foram razões transversais para confiar na CDU apontadas pelo dirigente comunista.
Na hora de votar para as autarquias, as populações devem recordar quem esteve ao seu lado e quem não esteve, insistiu, já em Arraiolos, no final de uma arruada pelo centro da vila, na qual foi acompanhado por Sílvia Pinto, primeira candidata à Câmara Municipal, e por mais de uma centena de candidatos e apoiantes da CDU.
Nesse sentido, adiantou outra das linhas estruturantes da campanha da Coligação: a de que o voto no PCP-PEV vale a dobrar, já que garante uma gestão local pautada pelo trabalho, honestidade e competência, ao mesmo tempo que acrescenta força à luta que continua para lá de 29 de Setembro.
Levar a luta até ao voto
Depois de Arraiolos, a comitiva partiu para um almoço que juntou cerca de 300 pessoas em Montemor-o-Novo, concelho de forte implantação comunista. Na iniciativa, a cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal, Hortênsia Menino, realçou a necessidade do colectivo permanecer mobilizado e persistir nas acções de esclarecimento, dando o mote para Jerónimo de Sousa alertar que «o bom ambiente [em torno da CDU] não ganha eleições», que é preciso «não deixar que as pessoas baixem os braços» e «abdiquem de ter esperança numa vida melhor no concelho e no País».
A dimensão nacional destas eleições e a oportunidade de castigar os partidos do pacto de agressão foi outra das ideias-chave repetida pelo Secretário-geral do PCP ao longo de dois dias. Em Montemor-o-Novo, horas depois do Governo PSD/CDS ter enviado para o Parlamento uma proposta de mais cortes nas pensões, o dirigente comunista acusou o executivo Passos/Portas de manter escondida, até 29 de Setembro, a agenda da nova ofensiva que prepara após a avaliação da troika em curso, embora seja claro que «já definiu os alvos».
Ao contrário do que veio dizer o PS sobre a matéria, qualificando de incompetente esta política e remetendo o protesto para um recurso ao Tribunal Constitucional, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de fazer «uma clara opção de classe ao serviço dos poderosos» e assegurou que «não ficaremos de braços cruzados».
O povo é quem mais ordena
O apelo à luta contra a política de empobrecimento, aumento da exploração e regressão do País para níveis de há dez anos voltou a estar em destaque na intervenção do Secretário-geral do PCP, no domingo, em Serpa.
Num almoço que reuniu cerca de um milhar de pessoas – obrigando à colocação de mais mesas e cadeiras na nave de exposições do concelho, e a equipa de militantes do PCP que confeccionou o almoço a redobrar esforços –, Tomé Pires e Sara Romão, cabeças de lista à Câmara e Assembleia municipais, respectivamente, sublinharam a vitalidade do projecto da CDU, que se apresenta com listas renovadas mas alicerçado na continuidade da obra realizada no concelho.
«Quando vínhamos a entrar em Serpa, um cartaz de uma outra candidatura afirmava que “o povo é quem mais ordena”. Não podíamos estar mais de acordo. Em Serpa o povo vai ordenar que continue a CDU», afirmou, por seu lado, Jerónimo de Sousa, antes de denunciar que o desemprego atinge «níveis só comparáveis aos últimos anos do fascismo», e concluir que os dados oficiais divulgados pelo IEFP, confirmam a «razão que temos em exigir a demissão do Governo, a devolução da palavra ao Povo» e a colocação de «um ponto final nesta política».
O flagelo do desemprego já havia sido abordado pelo Secretário-geral do PCP, sábado à noite, num jantar em Évora. Perante 400 eborenses, Jerónimo de Sousa considerou que os números contrariam a propaganda governamental da viragem para um novo ciclo, «mentira» que «durou tanto como manteiga em nariz de cão».
PS não pode pode ser ilibado
Subscritor do chamado memorando de entendimento com a troika estrangeira, o PS procura desresponsabilizar-se da situação a que foram conduzidos o povo e o País. No sábado à tarde, num encontro com a população de Bencatel, Jerónimo de Sousa pegou no exemplo da água pública para lembrar que a sua privatização está contemplada no pacto de agressão a que o PS está vinculado, por isso, «ou rasga o que assinou, ou anda aqui pelos distritos [do Alentejo] a mentir às populações» quando se manifesta contra a medida.
A cumplicidade do PS pode ser – e foi – aplicada a muitas outras componentes da política das troikas. Caso da extinção das freguesias, denunciou, já ao início da noite de domingo, em Aljustrel, o Secretário-geral do Partido, para quem, também nesta matéria, o PS não pode ser ilibado, pois assinou um documento onde está «a redução e liquidação de autarquias».
Em Aljustrel – para onde se deslocou depois de um encontro com a população de Moura e uma visita à Feira local, realizados domingo à tarde na companhia de Santiago Macias, cabeça de lista à Câmara Municipal de Moura, e José Pós-de-Mina, cabeça de lista à Assembleia Municipal –, Jerónimo de Sousa acusou ainda o PS por optar pela estratégia do quanto pior melhor, esperando que o poder lhe caia no regaço em 2015.
E justificou, lembrando que «o PS fez o frete ao Presidente da República naquela coisa da salvação nacional», e «depois meteu a viola no saco e nunca mais falou de demissão do Governo».
Política desastrosa nas autarquias
O partido que está comprometido com as políticas antipopulares de desastre nacional é o mesmo que pede ao eleitores a renovação dos mandatos em Vila Viçosa, Évora e Aljustrel, concelhos onde a sua gestão foi desastrosa.
Em Vila Viçosa, sublinhou o cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal, nos últimos quatro anos o PS fez «regredir» e «empobrecer o nosso concelho».
«Prometeram tudo a toda a gente. Hoje, a desilusão é generalizada» em resultado «da destruição do caminho de progresso que a CDU vinha construído», acrescentou Manuel Condenado.
Crítica idêntica à gestão PS foi feita por Carlos Pinto de Sá no jantar de sábado em Évora. O primeiro candidato à Câmara Municipal apresentou as propostas da CDU para, em todas as áreas, inverter o ciclo desastroso que mergulhou o município na falência técnica, salientando, por fim, o objectivo de «reconstruir a Câmara» na «defesa do interesse público».
Apreciação semelhante quanto à gestão camarária do PS fizeram, igualmente, os primeiros candidatos da CDU aos órgãos municipais de Aljustrel. Num comício que encheu a Praça da Resistência, Manuel Camacho, cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal, caracterizou os mandatos PS de «gestão sem estratégia», marcada «pelo compadrio», por «medidas avulsas», pela perda de oportunidades e empobrecimento do concelho.
A desilusão em Aljustrel para com as promessas não cumpridas pelo PS é generalizada. Por isso, como frisou José Godinho, cabeça de lista à Assembleia Municipal, a CDU «está disponível e determinada» em alcançar um objectivo «que está ao nosso alcance»: reconquistar a Câmara Municipal.