Evitar a destruição
Sobre as privatizações em concreto da ANA-Aeroportos e da TAP se pronunciou também na passada semana (dia 12) o deputado comunista Bruno Dias para concluir que o caminho que o Governo está a seguir é o da «desgraça, da destruição», e, por isso, «urge travar este processo».
Verberado em particular foi o que classifica de «campanha de charme» em torno da figura do empresário Eframovich, «que é boliviano, brasileiro, colombiano e mais recentemente polaco», dizendo tratar-se de uma campanha semelhante à realizada há alguns anos e que apresentava um «futuro radioso» para a TAP com a sua venda à Swissair, um «futuro radioso» em tudo idêntico ao que mais recentemente era vaticinado para «a British Airways na Ibéria».
E insistiu na ideia de que a concessão representa um grave prejuízo para o País, para as nossas comunidades no estrangeiro, para as regiões autónomas, para a economia nacional.
RTP sob fogo
Uma «espécie de estado de sítio», assim classificou Bruno Dias, por outro lado, a actual situação da RTP. A avaliação surgiu na sequência de uma declaração política do deputado do PS Jorge Lacão sobre a situação na televisão pública proferida na mesma sessão plenária. Pegando no tema o deputado comunista considerou que existe hoje um «problema grave» que se coloca à AR e que é o das «condições para o exercício das suas funções». Aludia ao caso do ex-director de informação da RTP Nuno Santos que, depois de ouvido em comissão parlamentar sobre o pedido de imagens pela Polícia dos incidentes em frente à AR a 14 de Novembro, foi alvo logo a seguir de um processo disciplinar devido às declarações que proferiu.
Um caso muito grave que levou Bruno Dias a considerar que a RTP está a ser utilizada pelo ministro Miguel Relvas e pelo Governo, que nela estão a deixar uma «marca indelével» com sucessivos factos, cada um mais escandaloso do que o outro.
A «marca indelével» de uma privatização que «está a ceifar a legalidade», na opinião de Bruno Dias, que citou a propósito essa «espécie de exame prévio obrigatório» para decisões da direcção de informação da RTP, agora transformadas em «pedidos de autorização à administração da empresa» sempre que se trate do envio de equipas de reportagem, de destacar enviados especiais ou da cobertura noticiosa a acontecimentos.
Sem a crítica acesa de Bruno Dias não passou também a convocação de profissionais que está a ser feita pela administração para lhes dar conhecimento de que serão extintas delegações em vários distritos do País.