Combustíveis alternativos
Os votos contra da maioria PSD/CDS-PP inviabilizaram recentemente um projecto de resolução do PCP que preconizava uma estratégia para a promoção de combustíveis alternativos na mobilidade rodoviária - gás de petróleo liquefeito (GPL» e gás natural (GN). Este era um importante contributo para contrariar o conhecido monopólio do mercados dos combustíveis líquidos, considerou na discussão do diploma o deputado comunista Agostinho Lopes, deixando então um desafio à Câmara: «quem diz que quer limitar os prejuízos da subida de preços de gasolina e do gasóleo, não pode senão aprovar o diploma do PCP».
Tinha em mente o PS, PSD e CDS-PP mas o repto viria mesmo a cair em saco roto, sem surpresa, conhecida que é a distância que separa nestes partidos as palavras dos actos.
Essa incoerência voltou de resto a ficar ainda patente nesse debate a propósito de um diploma do PS onde este recomendava ao Governo a adopção de medidas para baixar a factura da electricidade e do gás e aumentar a competitividade da economia.
O mesmo PS que enquanto foi governo levou a cabo uma política que conduziu ao «estado desastroso do acesso e preços da energia em Portugal», nomeadamente por via da privatização e liberalização das empresas estratégicas da energia, o mesmo PS que antes chumbou todas as propostas do PCP para baixar a factura da energia e do gás, é o mesmo PS que vem agora propor o que antes recusou. E não só. Quer, acusou Agostinho Lopes, que se faça no gás natural o que fez na electricidade, isto é, segmentar activos na cadeia de valores do gás natural. «Não contentes com o défice tarifário na electricidade, querem inventar ou melhor ampliar o défice tarifário no gás natural», denunciou o deputado do PCP.