Não à mercantilização do ambiente
A adopção pelos estados de medidas que contrariem a tendência de aumento da temperatura, provocada nomeadamente pela emissão de gases de estufa, voltou a ser defendida pelo PCP como uma necessidade imperativa.
É que as medidas até agora adoptadas, no entender da bancada comunista, têm ido na direcção errada, ou seja no sentido do «aprofundamento das linhas de mercantilização do ambiente, de que o comércio de licenças de carbono é um exemplo paradigmático».
Esta posição do Grupo Parlamentar do PCP foi recentemente veiculada pelo deputado comunista Paulo Sá, na sequência de uma declaração política da deputada de «Os Verdes», Heloísa Apolónia, que trouxe oportunamente à tribuna a questão das alterações climáticas e seu impacto no homem e na natureza.
O parlamentar do PCP lembrou que é hoje consensual que a actividade humana nos últimos séculos produziu gases com efeito de estufa em quantidade tal que deu origem a «um aumento significativo da temperatura na atmosfera, com todas as consequências que daí advêm».
O problema, entretanto, é que «muitos dos principais actores deste processo parecem estar mais interessados em aproveitar as alterações climáticas como uma lucrativa oportunidade de negócio, e também para conter potenciais ou reais rivais, do que para tentar resolver os problemas ambientais criados pelos gases de efeito de estufa», acusou Paulo Sá.
Sobre a conferência de Durban, na África do Sul, o deputado do PCP expressou o seu cepticismo quanto a «uma solução satisfatória para os problemas das alterações climáticas», uma vez que as respostas encontradas se enquadram todas elas «num sistema económico e social irracional» que foi ele próprio o gerador de todos os problemas. Ou seja, no quadro «do sistema capitalista em que a obtenção do lucro e a acumulação de capital ocupam um papel mais importante do que o bem estar das populações, a defesa e protecção da natureza».
O que coloca, na perspectiva de Paulo Sá, a necessidade de «uma ruptura com o actual paradigma» de crescimento e consequente «adopção de um quadro normativo específico que distribua os esforços de redução de gases com efeito de estufa de forma justa, por sectores e países, sem recurso à mercantilização do ambiente».