Desenvolver o distrito
Na sua VIII Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco, realizada no sábado no Fundão, o PCP apresentou um conjunto de propostas para o desenvolvimento daquela região.
No distrito de Castelo Branco, o desemprego não para de aumentar
Na Assembleia, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa, participaram cerca de 200 militantes e simpatizantes do Partido, revelando uma grande dinâmica e confiança daquela organização do Partido. Em várias intervenções, foram realçados os graves problemas que atingem os trabalhadores e as populações do distrito.
Nos três anos que passaram desde a última assembleia verificou-se um acentuar das dificuldades dos trabalhadores e das populações do distrito, resultantes da política de direita do Governo PS. Testemunhos vivos dessa realidade são os cerca de 22 por cento de desempregados – entre Outubro de 2008 e Fevereiro deste ano, ficaram sem emprego perto de 900 trabalhadores, 25 por cento dos quais com vínculos precários. Testemunham-no ainda os que se vêem obrigados a sair da região e os muitos que enfrentam situações de lay-off, de salários em atraso ou desregulação de horários.
Tal como na maioria dos distritos do interior, Castelo Branco tem assistido, nos últimos anos, a políticas de desinvestimento, abandono, encerramento de serviços e destruição do aparelho produtivo, com graves consequências: em dois anos desapareceram no distrito 541 empresas, representando milhares de postos de trabalho. Os sectores mais afectados, realçam os comunistas, foram o de aglomerados de madeira, cerâmica, construção civil, metalurgia e automóvel.
Também os agricultores e os pequenos e médios empresários vivem grandes dificuldades, constatou a assembleia. Só no último ano fecharam mais de 200 estabelecimentos do chamado pequeno comércio e muitas pequenas explorações agrícolas foram liquidadas.
Acção e proposta
O debate travado na Assembleia dos comunistas do distrito de Castelo Branco e os documentos em discussão não se limitaram a analisar a situação do distrito, embora o tenham feito com profundidade. Deles ressaltava, sim, a ideia central de que o distrito «não está condenado à desertificação, ao abandono, à falta de investimentos, ao desemprego e à destruição do aparelho produtivo».
Pelo contrário, afirmam os comunistas, se a situação actual é resultado de determinadas políticas, a sua alteração resultará da aplicação de políticas diferentes. Assim, há propostas capazes de colocar o distrito de Castelo Branco «no caminho do progresso, do desenvolvimento e da justiça social». Propostas essas que foram compiladas num Manifesto aprovado na Assembleia.
Uma das principais medidas que o PCP defende é a aplicação de um Plano de Emergência para a Beira Interior, que aponta o caminho da valorização dos direitos dos trabalhadores e outras camadas da população, da revitalização do aparelho produtivo e da defesa dos serviços públicos.
Em debate esteve também o reforço da organização e intervenção do Partido: A criação e dinamização de células de empresa, de sectores ou de organismos de freguesia; o recrutamento e integração dos novos militantes; a responsabilização de quadros; o rejuvenescimento; a regularidade de discussão e intervenção dos organismos; o aumento da capacidade financeira do Partido; a formação política e ideológica; o aumento da venda e difusão do Avante! e de O Militante, foram questões que marcaram a discussão na Assembleia. Foi ainda eleita uma nova direcção, composta por 33 elementos.
Jerónimo de Sousa no Fundão
Mudar de política
Intervindo no encerramento da Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de ter acentuado, com a sua política, todos os principais problemas da região, apesar de ter prometido dar particular atenção à situação dos distritos do interior.
Para o dirigente comunista estes quatro anos de Governo PS ficaram também marcados pelo prosseguimento da «desastrosa política de abandono dos sectores produtivos», que conduziram «ao agravamento do desemprego e do trabalho precário e ao aprofundamento da crise nos importantes sectores regionais». Estes problemas ampliaram-se com a agudização da crise do capitalismo que, garantiu, «encontrou um País cada vez mais fragilizado e vulnerabilizado por uma política ao serviço dos grandes interesses económicos e financeiros».
Referindo-se à situação dos mais de 200 trabalhadores da Confecções Vesticon, em Tortosendo, «confrontados com o espectro do desemprego» após o pedido de insolvência da empresa, o Secretário-geral do PCP considerou que «esta é uma situação em relação à qual o Governo não pode ficar de braços cruzados e deixar de intervir». O grupo parlamentar do Partido «que há dias esteve em contacto com os trabalhadores, questionou já o Governo em relação ao tomar de medidas para salvaguardar os postos de trabalho e o pagamento dos salários em atraso».
Como alertou Jerónimo de Sousa, «à medida que se aproximam as eleições, o Governo tem vindo a aparecer com mais frequência a encenar uma grande preocupação em relação ao desemprego e aos desempregados». Mas o que é facto é que «não resolve o grave problema que atinge mais de metade dos desempregados que não têm direito ao subsídio de desemprego». Da parte dos comunistas, garantiu, «não abdicaremos de continuar o combate pela aprovação da proposta do PCP de alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego».
Também as grandes empresas têm vindo a falar do seu papel social, lembrou o dirigente comunista. Mas «não abdicam de práticas abusivas que conduzem à obtenção de lucros astronómicos e até indevidos». São os casos da Galp, com o preço dos combustíveis, e da EDP, graças a aumentos de preços acima da média europeia e do valor da inflação.
«Não é por falta de propostas que os problemas não se resolvem», destacou o dirigente comunista. É por falta de vontade política. Só assim se explica a recente rejeição pelo PS, na Assembleia da República, de um Projecto de Resolução do PCP com 23 medidas urgentes de combate à crise económica e social.
Nos três anos que passaram desde a última assembleia verificou-se um acentuar das dificuldades dos trabalhadores e das populações do distrito, resultantes da política de direita do Governo PS. Testemunhos vivos dessa realidade são os cerca de 22 por cento de desempregados – entre Outubro de 2008 e Fevereiro deste ano, ficaram sem emprego perto de 900 trabalhadores, 25 por cento dos quais com vínculos precários. Testemunham-no ainda os que se vêem obrigados a sair da região e os muitos que enfrentam situações de lay-off, de salários em atraso ou desregulação de horários.
Tal como na maioria dos distritos do interior, Castelo Branco tem assistido, nos últimos anos, a políticas de desinvestimento, abandono, encerramento de serviços e destruição do aparelho produtivo, com graves consequências: em dois anos desapareceram no distrito 541 empresas, representando milhares de postos de trabalho. Os sectores mais afectados, realçam os comunistas, foram o de aglomerados de madeira, cerâmica, construção civil, metalurgia e automóvel.
Também os agricultores e os pequenos e médios empresários vivem grandes dificuldades, constatou a assembleia. Só no último ano fecharam mais de 200 estabelecimentos do chamado pequeno comércio e muitas pequenas explorações agrícolas foram liquidadas.
Acção e proposta
O debate travado na Assembleia dos comunistas do distrito de Castelo Branco e os documentos em discussão não se limitaram a analisar a situação do distrito, embora o tenham feito com profundidade. Deles ressaltava, sim, a ideia central de que o distrito «não está condenado à desertificação, ao abandono, à falta de investimentos, ao desemprego e à destruição do aparelho produtivo».
Pelo contrário, afirmam os comunistas, se a situação actual é resultado de determinadas políticas, a sua alteração resultará da aplicação de políticas diferentes. Assim, há propostas capazes de colocar o distrito de Castelo Branco «no caminho do progresso, do desenvolvimento e da justiça social». Propostas essas que foram compiladas num Manifesto aprovado na Assembleia.
Uma das principais medidas que o PCP defende é a aplicação de um Plano de Emergência para a Beira Interior, que aponta o caminho da valorização dos direitos dos trabalhadores e outras camadas da população, da revitalização do aparelho produtivo e da defesa dos serviços públicos.
Em debate esteve também o reforço da organização e intervenção do Partido: A criação e dinamização de células de empresa, de sectores ou de organismos de freguesia; o recrutamento e integração dos novos militantes; a responsabilização de quadros; o rejuvenescimento; a regularidade de discussão e intervenção dos organismos; o aumento da capacidade financeira do Partido; a formação política e ideológica; o aumento da venda e difusão do Avante! e de O Militante, foram questões que marcaram a discussão na Assembleia. Foi ainda eleita uma nova direcção, composta por 33 elementos.
Jerónimo de Sousa no Fundão
Mudar de política
Intervindo no encerramento da Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de ter acentuado, com a sua política, todos os principais problemas da região, apesar de ter prometido dar particular atenção à situação dos distritos do interior.
Para o dirigente comunista estes quatro anos de Governo PS ficaram também marcados pelo prosseguimento da «desastrosa política de abandono dos sectores produtivos», que conduziram «ao agravamento do desemprego e do trabalho precário e ao aprofundamento da crise nos importantes sectores regionais». Estes problemas ampliaram-se com a agudização da crise do capitalismo que, garantiu, «encontrou um País cada vez mais fragilizado e vulnerabilizado por uma política ao serviço dos grandes interesses económicos e financeiros».
Referindo-se à situação dos mais de 200 trabalhadores da Confecções Vesticon, em Tortosendo, «confrontados com o espectro do desemprego» após o pedido de insolvência da empresa, o Secretário-geral do PCP considerou que «esta é uma situação em relação à qual o Governo não pode ficar de braços cruzados e deixar de intervir». O grupo parlamentar do Partido «que há dias esteve em contacto com os trabalhadores, questionou já o Governo em relação ao tomar de medidas para salvaguardar os postos de trabalho e o pagamento dos salários em atraso».
Como alertou Jerónimo de Sousa, «à medida que se aproximam as eleições, o Governo tem vindo a aparecer com mais frequência a encenar uma grande preocupação em relação ao desemprego e aos desempregados». Mas o que é facto é que «não resolve o grave problema que atinge mais de metade dos desempregados que não têm direito ao subsídio de desemprego». Da parte dos comunistas, garantiu, «não abdicaremos de continuar o combate pela aprovação da proposta do PCP de alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego».
Também as grandes empresas têm vindo a falar do seu papel social, lembrou o dirigente comunista. Mas «não abdicam de práticas abusivas que conduzem à obtenção de lucros astronómicos e até indevidos». São os casos da Galp, com o preço dos combustíveis, e da EDP, graças a aumentos de preços acima da média europeia e do valor da inflação.
«Não é por falta de propostas que os problemas não se resolvem», destacou o dirigente comunista. É por falta de vontade política. Só assim se explica a recente rejeição pelo PS, na Assembleia da República, de um Projecto de Resolução do PCP com 23 medidas urgentes de combate à crise económica e social.