Luta de Classes

«A história de toda a sociedade até agora existente é a história da luta de classes. O homem livre e o escravo, o patrício e o plebeu, o barão feudal e o servo, o mestre de uma corporação e o aprendiz, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta outras, que acabou sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em conflito.
«A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não acabou com os antagonismos de classe. Não fez mais do que colocar novas classes, novas contradições de opressão, novos aspectos da luta no lugar dos anteriores. A nossa época, a época da burguesia, distingue-se contudo por ter simplificado os antagonismos de classe. Toda a sociedade está a cindir-se cada vez mais em dois grandes campos hostis, em duas grandes classes em confronto directo: a burguesia e o proletariado».
Marx e Engels mostram no Manifesto que o confronto de interesses de classe radicado nas relações de produção e de propriedade é o motor do acontecer histórico, é a chave não só para compreender o mundo, mas para o transformar revolucionariamente.
Se nos períodos de forte conflito social e político – toda a luta de classes é uma luta política – a realidade desnuda mais evidentemente tal antagonismo e disputa, eles não deixam de estar presentes noutros momentos ditos de pacificação social ou democrática.
Da tensão da correlação de forças na dimensão económica, a burguesia impõe-se noutras esferas da vida colectiva, apoderando-se de um aparelho de dominação cujo objectivo é formatar a consciência e as representações sociais – «as ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante», constam Marx e Engels –, e de uma forma de poder do Estado que se apresenta «como uma comissão destinada a administrar os negócios comunitários da classe burguesa toda», destacam no Manifesto.


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