Os números da catástrofe

A destruição provocada pelos incêndios em Portugal é imensa. Muitos valores ainda não foram calculados, mas, pelos os estragos já avaliados, fica-se com a ideia da extensão da calamidade.
Na sexta-feira, o ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, anunciou que as estimativas oficiais sobre os prejuízos globais provocados pelos incêndios apontavam para 925 milhões de euros.
Só na Chamusca, de acordo com o relatório intercalar de 5 de Agosto da Câmara Municipal, calcula-se que os estragos atingiram os 69 milhões de euros, dos quais 60 milhões referem-se a pinheiros, sobreiros e eucaliptos. Neste concelho arderam 40 mil hectares, cerca de 60 por cento da área florestal total.
Cerca de 90 por cento da área do concelho de Mação foi consumido pelo fogo. Em Abrantes, 36 mil hectares ficaram destruídos, tendo havido 180 evacuações, incluindo 20 acamados. Cerca de 85 por cento do concelho de Oleiros foi atingido pelos incêndios, provocando prejuízos de 14 milhões de euros. Das 12 freguesias, apenas uma não foi afectada.
No concelho de Marvão, Portalegre, os prejuízos dos incêndios rondam os 3,8 milhões de euros. Estes valores referem-se apenas aos primeiros seis dias de Agosto. No total dos 16 mil hectares do concelho, seis mil arderam.
Até ao dia 9 de Agosto, registaram-se 670 incêndios no distrito do Porto, destruindo 378 hectares. Segundo o Governo Civil do Porto, os concelhos mais afectados são Paredes (112 fogos), Penafiel (91) e Marco de Canaveses (61). Em Penafiel arderam 103 hectares, tornando-se o concelho com maior área ardida. Segue-se Amarante e Baião, ambos com 57 hectares.
Entretanto, o presidente do Instituto de Conservação da Natureza anunciou que nas últimas semanas arderam 12 mil a 13 mil hectares no Parque de São Mamede, 1.550 hectares no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e 4.500 hectares na Serra da Estrela.


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