Quinze propostas para o desenvolvimento
Mais de um milhar de pessoas, entre delegados e convidados, encheram por completo o auditório do Centro de Artes de Portalegre, no passado domingo, para assistirem uns, os convidados, e outros, os delegados, para participarem e intervirem na 3.ª Assembleia Regional do Alentejo do PCP.
Em três anos, entraram para o Partido no Alentejo mais de mil militantes
Depois de aprovados os regulamentos e outros assuntos deste cariz, foi apresentada a mesa que dirigiu os trabalhos que era composta por muitos dirigentes regionais do Partido e de outros militantes com tarefas em diferentes domínios.
Na mesa também se podiam ver elementos de órgãos executivos do Comité Central como José Catalino da Comissão Política, Luísa Araújo, do Secretariado e da Comissão Política e, naturalmente, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa. Na mesa estavam também os membros da Comissão Central de Controlo Maria da Piedade Morgadinho e Abílio Fernandes, este último igualmente deputado e que estava acompanhado de outro eleito na Assembleia da República, José Soeiro.
Passos em frente
Entre a 2.ª Assembleia, realizada em Março de 2003, e a realizada no passado domingo, a Direcção Regional que agora terminou funções, apresentou um Balanço de actividade onde, apontando-se algumas das dificuldades (como a dificuldade em ter reunido com mais assiduidade a DRA ou o atraso nos contactos com muitos militantes) se realça a intervenção das várias organizações em tarefas regionais ou centrais como, por exemplo, a recolha regional de mais de 10 mil assinaturas «Contra o aumento da idade da reforma» para uma meta que era de 9000 assinaturas.
Também no recrutamento se deram importantes passos em frente, tendo aderido ao Partido, no período que separou as duas assembleias, 1031 novos militantes. Destes, 31 por cento têm menos de 30 anos e 25 por cento menos de 40 anos.
Este rejuvenescimento, que é próprio de um Partido que luta pelos ideais libertadores da humanidade (os franceses têm uma expressão feliz: le communisme cést la jeunesse du monde – o comunismo é a juventude do mundo), este rejuvenescimento, dizia, também se reflectiu na organização com a promoção de 88 quadros com menos de 30 anos, a organismos de direcção.
Alentejo, região com grandes potencialidades mas…
«Apesar da luta continuada dos trabalhadores, das populações do Alentejo, apesar da intervenção do PCP – empenhado em dar voz aos alentejanos nas suas justas reivindicações – , apesar do bom trabalho do Poder Local democrático que, na sua esfera de competências e ultrapassando-a muitas vezes por omissão do Estado central, promoveu e promove o desenvolvimento à escala local, apesar de tudo isso – afirmou José Catalino na intervenção inicial – o Alentejo continua hoje, embora com grandes potencialidades, a ser uma região economicamente deprimida, em quebra demográfica progressiva, com uma população envelhecida e um tecido empresarial frágil.»
«Os alentejanos sofrem com o autêntico desvario neoliberal da governação Sócrates», afirmou José Catalino que deu alguns exemplos como o corte de direitos sociais aos trabalhadores, reformados, pensionistas e até a pessoas com deficiências. Sobre esta matéria, o membro da Comissão Política concluiu: «enfim, a rendição completa do Governo a uma política de dois rostos – benefícios escandalosos para os muito ricos, sobre-exploração e pauperização para os trabalhadores.»
A marginalização, a discriminação e o abandono do interior do País abordados na intervenção inicial antecederam a grande questão que se coloca aos alentejanos que, nas palavras de José Catalino é a seguinte: «Nestes finais de 2006,a grande questão que se coloca ao Alentejo, aos comunistas, aos trabalhadores, é inverter a situação de atraso económico da região em relação a outras regiões do País e da Europa. É saber como se pode travar a quebra demográfica e o envelhecimento da população, é saber como acabar com as desigualdades sociais, é saber que políticas adoptar para que o Alentejo possa aproveitar as suas enormes capacidades e potencialidades e avançar no caminho do desenvolvimento integrado, do progresso social e do bem-estar. Nesse sentido, a Resolução Política aponta caminhos e alternativas», destacou.
As quinze medidas anunciadas na intervenção inicial, e que foram aprovadas na fase final dos trabalhos depois de terem sofrido várias alterações de forma, de conteúdo, de ordenamento ou de precisão são de facto uma preciosa ferramenta para alcançar o objectivo almejado – o desenvolvimento do Alentejo.
As 15 propostas aprovadas e que constituem não só um aspecto reivindicativo, mas são também linhas-mestras para o desenvolvimento da acção do Partido e abarcam aspectos como o Emprego - por um emprego estável e com direitos; Rendimentos - que assegure uma melhoria significativa de salários; Ensino - de qualidade e generalizado; Saúde - contra os encerramentos; Protecção Social - mais investimentos; Cidades e Habitação - combater a especulação imobiliária e promover habitação a custos controlados; Cultura e Desporto - garantir o acesso de todos e mais infra-estruturas; Ambiente - defendê-lo e valorizá-lo; Investimento - mais investimento público; e outros como Economia, Acessibilidades, Plano Estratégico, Regionalização, Poder Local e Imigração.
Ameaças, lutas e coragem
«As ameaças ao emprego mantêm-se um pouco por todo o distrito de Évora, de que o sector dos mármores é um exemplo», afirmou João Pauzinho, responsável pela Organização Regional de Évora e membro do Comité Central – e acentou-se a degradação da situação económica do Distrito de Évora pela continuada destruição de importantes sectores do aparelho produtivo, de que é exemplo o estado calamitoso da agricultura no nosso distrito e uma industria pouco mais que residual.»
Mas nem todas estas dificuldades levaram ao desânimo, bem pelo contrário. «Nesta luta de resistência activa, os comunistas, através da organização do Partido, eleitos em estruturas sindicais, Poder Local, Comissões de Utentes e em instituições e estruturas associativas, assumem um determinante papel sem o qual não teriam sido possíveis tantas lutas, tantas pequenas e grandes vitórias e – continuou – é forçoso e indispensável um destaque para a coragem dos homens e mulheres comunistas que em inúmeros locais de trabalho e de residência, numa situação de condicionamento das liberdades, de repressão e discriminação, persistem, quotidianamente, em assumir o ideal comunista, organizando a luta, continuando a levar o 25 de Abril onde ele necessita de ser afirmado e cumprido.»
Para dar resposta às políticas de direita do governo de Sócrates, disse João Pauzinho: «Em ligação com a classe operária, os trabalhadores, a juventude, a luta de massas, a organização e intervenção do Partido constituem para nós um eixo essencial na resposta à política de direita e à necessária ruptura e alternativa a esta política.»
Das dezenas de intervenções, umas sobre aspectos orgânicos, outras sobre questões temáticas como o sindicalismo, o exercício do poder local, o turismo ou a intervenção voluntária da gravidez, entre outras, a confiança e determinação em continuar a luta foi factor comum nas intervenções dos delegados, como adiantou António Vitória em nome da Direcção Regional de Beja – «esta nossa Assembleia contribuirá para que o nosso Partido avance e cresça e para que prossiga com êxito a nossa luta por um Alentejo com futuro» – ou Manuel Valente, responsável pela Direcção do Litoral Alentejano e membro do CC – «sabemos que o caminho para contrariar esta política e para defender os interesses dos trabalhadores e das populações é a luta. E é isso que vamos continuar a fazer».
A direcção regional agora eleita e composta por 30 membros, alguns reconduzidos e outros agora eleitos, é composta por 8 mulheres e 22 homens tendo 66 por cento menos de 50 anos e 20 por cento têm menos de 30 anos de idade.
Na mesa também se podiam ver elementos de órgãos executivos do Comité Central como José Catalino da Comissão Política, Luísa Araújo, do Secretariado e da Comissão Política e, naturalmente, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa. Na mesa estavam também os membros da Comissão Central de Controlo Maria da Piedade Morgadinho e Abílio Fernandes, este último igualmente deputado e que estava acompanhado de outro eleito na Assembleia da República, José Soeiro.
Passos em frente
Entre a 2.ª Assembleia, realizada em Março de 2003, e a realizada no passado domingo, a Direcção Regional que agora terminou funções, apresentou um Balanço de actividade onde, apontando-se algumas das dificuldades (como a dificuldade em ter reunido com mais assiduidade a DRA ou o atraso nos contactos com muitos militantes) se realça a intervenção das várias organizações em tarefas regionais ou centrais como, por exemplo, a recolha regional de mais de 10 mil assinaturas «Contra o aumento da idade da reforma» para uma meta que era de 9000 assinaturas.
Também no recrutamento se deram importantes passos em frente, tendo aderido ao Partido, no período que separou as duas assembleias, 1031 novos militantes. Destes, 31 por cento têm menos de 30 anos e 25 por cento menos de 40 anos.
Este rejuvenescimento, que é próprio de um Partido que luta pelos ideais libertadores da humanidade (os franceses têm uma expressão feliz: le communisme cést la jeunesse du monde – o comunismo é a juventude do mundo), este rejuvenescimento, dizia, também se reflectiu na organização com a promoção de 88 quadros com menos de 30 anos, a organismos de direcção.
Alentejo, região com grandes potencialidades mas…
«Apesar da luta continuada dos trabalhadores, das populações do Alentejo, apesar da intervenção do PCP – empenhado em dar voz aos alentejanos nas suas justas reivindicações – , apesar do bom trabalho do Poder Local democrático que, na sua esfera de competências e ultrapassando-a muitas vezes por omissão do Estado central, promoveu e promove o desenvolvimento à escala local, apesar de tudo isso – afirmou José Catalino na intervenção inicial – o Alentejo continua hoje, embora com grandes potencialidades, a ser uma região economicamente deprimida, em quebra demográfica progressiva, com uma população envelhecida e um tecido empresarial frágil.»
«Os alentejanos sofrem com o autêntico desvario neoliberal da governação Sócrates», afirmou José Catalino que deu alguns exemplos como o corte de direitos sociais aos trabalhadores, reformados, pensionistas e até a pessoas com deficiências. Sobre esta matéria, o membro da Comissão Política concluiu: «enfim, a rendição completa do Governo a uma política de dois rostos – benefícios escandalosos para os muito ricos, sobre-exploração e pauperização para os trabalhadores.»
A marginalização, a discriminação e o abandono do interior do País abordados na intervenção inicial antecederam a grande questão que se coloca aos alentejanos que, nas palavras de José Catalino é a seguinte: «Nestes finais de 2006,a grande questão que se coloca ao Alentejo, aos comunistas, aos trabalhadores, é inverter a situação de atraso económico da região em relação a outras regiões do País e da Europa. É saber como se pode travar a quebra demográfica e o envelhecimento da população, é saber como acabar com as desigualdades sociais, é saber que políticas adoptar para que o Alentejo possa aproveitar as suas enormes capacidades e potencialidades e avançar no caminho do desenvolvimento integrado, do progresso social e do bem-estar. Nesse sentido, a Resolução Política aponta caminhos e alternativas», destacou.
As quinze medidas anunciadas na intervenção inicial, e que foram aprovadas na fase final dos trabalhos depois de terem sofrido várias alterações de forma, de conteúdo, de ordenamento ou de precisão são de facto uma preciosa ferramenta para alcançar o objectivo almejado – o desenvolvimento do Alentejo.
As 15 propostas aprovadas e que constituem não só um aspecto reivindicativo, mas são também linhas-mestras para o desenvolvimento da acção do Partido e abarcam aspectos como o Emprego - por um emprego estável e com direitos; Rendimentos - que assegure uma melhoria significativa de salários; Ensino - de qualidade e generalizado; Saúde - contra os encerramentos; Protecção Social - mais investimentos; Cidades e Habitação - combater a especulação imobiliária e promover habitação a custos controlados; Cultura e Desporto - garantir o acesso de todos e mais infra-estruturas; Ambiente - defendê-lo e valorizá-lo; Investimento - mais investimento público; e outros como Economia, Acessibilidades, Plano Estratégico, Regionalização, Poder Local e Imigração.
Ameaças, lutas e coragem
«As ameaças ao emprego mantêm-se um pouco por todo o distrito de Évora, de que o sector dos mármores é um exemplo», afirmou João Pauzinho, responsável pela Organização Regional de Évora e membro do Comité Central – e acentou-se a degradação da situação económica do Distrito de Évora pela continuada destruição de importantes sectores do aparelho produtivo, de que é exemplo o estado calamitoso da agricultura no nosso distrito e uma industria pouco mais que residual.»
Mas nem todas estas dificuldades levaram ao desânimo, bem pelo contrário. «Nesta luta de resistência activa, os comunistas, através da organização do Partido, eleitos em estruturas sindicais, Poder Local, Comissões de Utentes e em instituições e estruturas associativas, assumem um determinante papel sem o qual não teriam sido possíveis tantas lutas, tantas pequenas e grandes vitórias e – continuou – é forçoso e indispensável um destaque para a coragem dos homens e mulheres comunistas que em inúmeros locais de trabalho e de residência, numa situação de condicionamento das liberdades, de repressão e discriminação, persistem, quotidianamente, em assumir o ideal comunista, organizando a luta, continuando a levar o 25 de Abril onde ele necessita de ser afirmado e cumprido.»
Para dar resposta às políticas de direita do governo de Sócrates, disse João Pauzinho: «Em ligação com a classe operária, os trabalhadores, a juventude, a luta de massas, a organização e intervenção do Partido constituem para nós um eixo essencial na resposta à política de direita e à necessária ruptura e alternativa a esta política.»
Das dezenas de intervenções, umas sobre aspectos orgânicos, outras sobre questões temáticas como o sindicalismo, o exercício do poder local, o turismo ou a intervenção voluntária da gravidez, entre outras, a confiança e determinação em continuar a luta foi factor comum nas intervenções dos delegados, como adiantou António Vitória em nome da Direcção Regional de Beja – «esta nossa Assembleia contribuirá para que o nosso Partido avance e cresça e para que prossiga com êxito a nossa luta por um Alentejo com futuro» – ou Manuel Valente, responsável pela Direcção do Litoral Alentejano e membro do CC – «sabemos que o caminho para contrariar esta política e para defender os interesses dos trabalhadores e das populações é a luta. E é isso que vamos continuar a fazer».
A direcção regional agora eleita e composta por 30 membros, alguns reconduzidos e outros agora eleitos, é composta por 8 mulheres e 22 homens tendo 66 por cento menos de 50 anos e 20 por cento têm menos de 30 anos de idade.