O voto que reforça a luta
O Secretário-geral do PCP esteve durante todo dia de sábado em campanha no distrito de Lisboa, onde afirmou que o voto na coligação que une comunistas, ecologistas e independentes é o garante do reforço da luta que prossegue depois de 5 de Junho.
«Cabe aos portugueses resgatar a soberania nacional»
A primeira de cinco iniciativas participadas por Jerónimo de Sousa foi em Benfica. Rodeado de apoiantes e aproveitando a presença de muitos transeuntes que pararam no mini-comício, fazendo uma pausa na cada vez mais espinhosa tarefa de fazer compras, o cabeça de lista da CDU pelo distrito de Lisboa sublinhou algumas ideias-chave das intervenções que fez ao longo do dia: «Como chegámos até aqui? Como vamos sair desta situação? Para onde foi o dinheiro? Para onde vai agora o dinheiro da chamada “ajuda externa”, e quem vai pagar tudo isto?», sintetizou.
As questões não ficaram sem resposta e os participantes na acção prosseguiram em direcção ao mercado de Benfica para amplificarem as razões da CDU.
Já o dirigente comunista deixou a freguesia lisboeta e juntou-se a mais de centena e meia de apoiantes da força patriótica e de esquerda num almoço na Amadora. Na cidade de Abril, a adesão de militantes e amigos obrigou à transferência da iniciativa para o salão dos Bombeiros Voluntários, e foi perante uma plateia motivada para um fim-de-semana repleto de contactos com o povo trabalhador que Jerónimo de Sousa insistiu no esclarecimento.
Mais de três décadas de política de direita protagonizada por governos do PS, PSD e CDS, sozinhos ou coligados, colocaram «o País a andar para trás», recuo civilizacional que não é de hoje e para o qual os comunistas e os seus aliados têm vindo a alertar «mesmo antes da imposição do destas medidas por parte da troika».
A destruição da Sorefame, empresa emblemática do concelho da Amadora e do País, foi o exemplo dado pelo secretário-geral do Partido para ilustrar «a destruição do aparelho produtivo nacional», política criminosa «subserviente aos ditames do directório da UE» que afundou «as pescas, a agricultura, a metalomecânica, a construção naval, a exploração mineira» e tantas outras actividades.
«O resultado foi o desaproveitamento dos recursos e potencialidades nacionais», quando o que se impunha e o que se impõe é «não desistir do futuro de Portugal», acreditar que «Portugal não é um País pobre e condenado por um castigo divino», mas que tem capacidade para «criar mais riqueza e distribuí-la melhor».
Sempre os mesmos a pagar
Os muitos milhões que Portugal recebeu em fundos comunitários encheram os bolsos de uns poucos, pagaram a entrada da UE pelo País adentro inseridos num processo de destruição da nossa soberania e de criação de maiores défices estruturais em várias áreas com os resultados que estão à vista, aludiu Jerónimo de Sousa já ao final da tarde na festa popular em Odivelas.
Num concelho onde o desemprego oficial se salda em mais de seis mil pessoas, metade das crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo estão identificadas como carenciadas e os pedidos de ajuda ao Banco Alimentar cresceram 43 por cento só nos últimos dois anos, como se referiu no comício, o secretário-geral do PCP insistiu que, neste contexto, importa perguntar «para onde vai este dinheiro emprestado pelo FMI e UE, e quem vai pagar a factura?».
A fatia de leão está já destinada aos «mega-bancos», responsáveis pela crise capitalista e que dela estão a beneficiar. E mais irão lucrar, explicou, já que os juros draconianos cobrados quer pelo FMI quer pela UE vão voltar a aproveitar o capital financeiro.
«Isso, os que se ajoelharam perante a troika, o PS. O PSD e o CDS, não querem que se saiba», disse, como não querem que se clarifique que partilham um programa que significa «o maior ataque aos rendimentos dos trabalhadores e do povo e aos seus direitos».
São os cortes nos salários e pensões, nas comparticipações dos medicamentos e nos apoios sociais, os aumentos do IMI, das taxas moderadoras e das taxas de juro no crédito à aquisição de habitação própria, a alteração da legislação laboral colocando os trabalhadores a pagarem o próprio despedimento, que vão pagar os juros cobrados pelo FMI e pela UE a título dos 78 mil milhões de euros, explicou Jerónimo de Sousa. «Tudo somado, representa mais que o 13.º e 14.º mês que Sócrates vem agora dizer que não vai cortar», concluiu o dirigente comunista.
Ganhar os trabalhadores
O dia de campanha pelo distrito de Lisboa terminou com um comício em Santa Iria da Azoia. Entre os seus mais próximos, Jerónimo de Sousa, natural daquela «terra de trabalho e de luta», enfatizou a necessidade de ganhar consciências para o voto e para a luta, armas a usar em diferentes momentos do combate contra a política de direita que castiga «os mesmos de sempre, os que menos têm e menos podem», e fundamentais para derrotar a mais descarada e arrogante ingerência e espoliação externas.
No Largo da Sociedade 1.º de Agosto, activistas e apoiantes da CDU deram provas de estar mobilizados para, daqui até ao dia 5 de Junho, conquistarem mais votos na alternativa patriótica e de esquerda. Votos de protesto face aos que «assinaram de cruz» o acordo com a troika, que nunca serem traídos pela única força que está «com os trabalhadores e as populações nas horas boas e nas más» e «não andam na política para se servirem, mas para servirem o povo». Votos que reforçam a luta que vai continuar depois do dia 5 de Junho, momento importante que antecede «a muita luta que temos pela frente».
Privatizar não é solução
Entre o almoço na Amadora e a festa-comício em Odivelas, Jerónimo de Sousa acompanhou centenas de pessoas numa arruada em Agualva-Cacém contra a privatização da linha de comboios suburbanos de Sintra.
No concelho, esta luta uniu a reivindicação da manutenção do carácter público daquela importante infra-estrutura, à luta contra a ingerência externa protagonizada por FMI, CE e BCE.
Na modernização da linha de Sintra, lembrou Paula Borges, candidata à Assembleia da República pelo círculo de Lisboa, foram empregues muitos milhões de euros, investimento público em benefício das populações que está na calha para ser entregue aos privados.
«A vossa luta é justa», considerou, por sua vez, Jerónimo de Sousa. «Está ligada à defesa das vossas condições de vida» e «à recusa das privatizações» que já estavam previstas no PEC4 e que as troikas mandante e executante repegam.
Com a vossa lua, continuou o secretário-geral, respondem aos que acham que é indiferente o serviço de transporte ferroviário ser público ou privado. «Não é, não» disse antes de exemplificar com a diferença de preço na tarifa para um percurso de igual distância na Fertagus e na CP.
Voltando a lembrar que esta luta ocorre no quadro de um brutal ataque aos rendimentos e direitos do povo trabalhador, Jerónimo de Sousa insistiu que no próximo dia 5 de Junho, «cabe aos portugueses resgatar a soberania nacional».