Pela vida das pessoas e pela cultura a melhor solução é votar CDU

Três iniciativas marcaram, no dia 15, a jornada de campanha do Secretário-Geral do PCP: uma arruada em Ermesinde, um encontro com trabalhadores da cultura no Porto e um comício em São João da Madeira.

«Um melhor resultado da CDU nas eleições é um melhor resultado para o nosso povo»

A chuva intensa que caía ao início da tarde no concelho de Valongo não fez esmorecer o ânimo dos que acompanhavam Paulo Raimundo na zona circundante ao largo da estação de Ermesinde. Entre contactos com a população e pequenos comerciantes, o momento em que uma trabalhadora da Ficocables, empresa na Maia, entregou um abaixo-assinado com 116 assinaturas de trabalhadores que decidiram apoiar a CDU mereceu particular destaque. Este apoio, como afirmaria pouco depois o Secretário-Geral, dá uma «grande confiança à CDU», porque é um «reconhecimento do nosso esforço e do nosso trabalho».

«Estivemos com eles [trabalhadores da Ficocables] nas lutas todas, estivemos lá, hoje, na justa luta, que daqui saúdo, pelo aumento de salários e por melhores condições de trabalho, da mesma forma que estaremos ao lado deles todos os dias», afirmou, acrescentando que o apoio «destes 116 homens e mulheres dá-nos muita confiança e mais força ainda».

Trabalhadores da cultura

A tarde continuou, já na cidade do Porto, num encontro com trabalhadores da Cultura realizado no Maus Hábitos – Espaço Cultural. A apresentar a sessão, Miguel Januário, artista e candidato da CDU por aquele círculo eleitoral, referiu a importância do acesso generalizado à Cultura, que no projecto da CDU não se afigura como um luxo, mas sim como um «pilar democrático na formação integral das pessoas» e «trabalho e vida» para muitos outros, destacou.

A democratização do acesso à cultura esteve também nas palavras da autora e candidata Suzana Ralha: «quando se fala da cultura, hoje em dia, e não se fala muito, é como em quase todo o resto, para perguntar quanto custa? Quanto rende? Isto é uma perspectiva mercantilista da cultura. Como se tudo na vida dos seres humanos servisse para que alguém lucre, mesmo que outro alguém perca», lamentou.

Alfredo Maia, primeiro candidato pelo Porto, mencionou que é da «democratização real da Cultura» que a CDU fala quando defende o «alargamento da visitação gratuita nos museus, monumentos e palácios pelo menos aos domingos e feriados, começando por abranger os espaços geridos por entidades que, não sendo públicas, beneficiem de recursos públicos», como são os casos da Fundação de Serralves e da Casa da Música.

O candidato recordou que no quadro de compromissos da CDU no distrito está a «instalação de centros de criação, equipamentos ou conjuntos de equipamentos com capacidade para acolher a produção e a programação de projectos e produtos artísticos», permitindo assim salvaguardar espaços e experiências como o Centro Comercial STOP, no Porto.

Paulo Raimundo recordou, por seu lado, que a «cultura é um pilar da democracia que tem de ser valorizado, estimulado e protegido», pois é «parte do nosso projecto de uma sociedade evoluída, fraterna e justa, uma componente fundamental e sem a qual a democracia económica, a democracia social e a democracia política não se concretizam».

«Na CDU a cultura não é bandeira que se desfralda em tempo de eleições e que se arruma na gaveta durante a legislatura», afirmou ainda.

 

Cultura é componente da democracia

«O objectivo básico fundamental da política de democratização e desenvolvimento cultural é o acesso generalizado das populações, em todo o território nacional, à criação e à fruição dos bens e actividades culturais», lê-se no Programa Eleitoral do PCP às eleições legislativas. Foi com esta ideia como pano de fundo que se desenvolveu a iniciativa no Maus Hábitos. Ao longo do encontro foram destacadas, para além da necessidade da instituição de um Serviço Público de Cultura e da dotação de 1% do Orçamento do Estado para a Cultura, algumas das propostas do PCP para este sector:

Dignificar as condições de trabalho na Cultura, combatendo a precariedade, defendendo a contratação colectiva e o trabalho com direitos, promovendo a participação dos trabalhadores da Cultura na definição das políticas sectoriais;

Promover a livre criação artística, aumentando os apoios públicos às Artes, seja através da DGArtes ou do Instituto de Cinema e do Audiovisual (ICA);

Reformular o modelo de atribuição de apoios às artes, de modo a garantir estabilidade e previsibilidade, eliminando burocracias, assegurando que nenhum projecto aprovado deixa de ser apoiado;

Realizar um programa nacional de emergência do Património Cultural devidamente calendarizado e financiado com vista à sua recuperação.

Valorizar os Museus, Palácios, Monumentos e Sítios Arqueológicos, conferindo-lhes todos os meios necessários ao cabal cumprimento da sua missão de serviço público, dinamizar a Rede Portuguesa de Museus, alargar o regime de gratuitidade de acesso.

Apoiar iniciativas destinadas a preservar a memória histórica da resistência e da luta contra o fascismo.

Criação de lei-quadro que defina os mecanismos de apoio da administração central, ao desenvolvimento do movimento associativo.

Revisão da legislação do estatuto de utilidade pública, de acordo com as novas realidades associativas.

 

Dinamizar, consciencializar e dar ânimo no distrito de Aveiro

Em São João da Madeira, já no distrito de Aveiro, o auditório dos Paços da Cultura encheu-se para o comício da noite. Antes das intervenções, o quarteto Música com Paredes de Vidro emocionou os presentes com o Hino de Caxias, Bandiera Rossa e Era um Redondo Vocábulo, de José Afonso.

Na apresentação da iniciativa, foi a candidata Dulce Bizarro que chamou a mesa do comício, composta por candidatos e activistas da CDU e dirigentes das forças que compõem a coligação.

José Pinho, com 21 anos, o candidato mais jovem da lista da CDU por Aveiro, falou sobre a actividade dinamizada pela juventude no distrito e a alternativa que a CDU apresenta aos jovens estudantes do Ensino Básico e Secundário, do Ensino Profissional e do Ensino Superior, e aos jovens trabalhadores, «fustigados pela precariedade».

João José, candidato e membro do PEV, ilustrou a importância da preservação e conservação da natureza com exemplos concretos da região, como o plano de co-gestão da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto 2023-2025, um «exemplo claro da transformação de uma área protegida num mero recurso económico».

«Na generalidade das queixas das pessoas que vamos contactando, estão em primeiro lugar os baixos salários. Acaba o salário e ainda sobra mês e contas para pagar», relatou a primeira candidata Joana Dias, afirmando que o«País não pode subsistir permanentemente com a maioria dos trabalhadores a auferir salários de miséria, enquanto são eles que criam a riqueza e o lucro das grandes empresas».

«Estamos a caminho da mudança. Que no dia 11 não nos pese na consciência o acharmos que poderíamos ter feito mais. Contamos com todos vocês e com todos os que a nós se queiram juntar», salientou já no final.

Sobre a importância do contacto directo com a população falou também o Secretário-Geral do PCP: «todos os minutos que temos agora, escassos até dia 10, são importantes para ir ao contacto e para intensificar o nosso papel de agitadores e construtores. Dinamizar, consciencializar e dar ânimo para irmos à conversa com esses milhares de pessoas que estão à espera para falarmos com elas».

«Este distrito é exigente, mas não está escrito em lado nenhum que não podemos eleger. Lembramo-nos como em 2015 ficámos a apenas 1600 votos de ver esse objectivo concretizado», recordou.

 



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